Sandro Alex promete rigor contra violência à mulher, mas policiais denunciam assédio e omissão no governo que ele representa
No programa eleitoral desta sexta-feira, candidato do PSD prometeu endurecer o combate à violência contra a mulher. Denúncias recebidas por O Diário de Maringá, inclusive no Noroeste do Paraná, relatam suposto assédio sexual contra mulheres da Polícia Militar, medo de represálias e possível tentativa de silenciamento.
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O candidato ao Governo do Paraná Sandro Alex (PSD) afirmou, no programa eleitoral desta sexta-feira, 28 de agosto, que pretende agir com rigor contra a violência praticada contra mulheres. A promessa, porém, contrasta com denúncias envolvendo policiais militares que trabalham no governo ao qual ele pretende dar continuidade.
A redação de O Diário de Maringá recebeu denúncias de suposto assédio sexual contra mulheres da ativa da Polícia Militar na região Noroeste do Paraná. De acordo com os relatos, as policiais se sentem coagidas, constrangidas e inseguras para falar abertamente sobre o caso.
As denunciantes afirmam que o Tenente Coronel apontado como suposto assediador saiu de férias depois que as acusações começaram a circular. Segundo elas, a medida estaria sendo utilizada para afastá-lo momentaneamente e contribuir para que o caso perca repercussão.
Até o momento, O Diário de Maringá não obteve elementos que permitam afirmar que as férias foram concedidas com o objetivo de abafar as denúncias. Por isso, essa informação aparece como uma suspeita manifestada pelas policiais, não como um fato comprovado.
A saída de férias também não representa afastamento cautelar, punição ou reconhecimento de responsabilidade. O Estado precisa informar se instaurou algum procedimento, quais providências adotou e como pretende garantir a segurança das mulheres que denunciaram os episódios.
Policiais dizem temer represálias
Segundo os relatos encaminhados à redação, as vítimas permanecem na ativa e temem consequências profissionais caso suas identidades sejam reveladas. A hierarquia militar aumenta a sensação de vulnerabilidade, principalmente quando a denúncia envolve alguém que ocupa posição superior dentro da corporação.
As mulheres afirmam que ainda não se sentem protegidas pela estrutura do Estado. Elas relatam medo de constrangimentos, mudanças de função, isolamento profissional e outras possíveis retaliações.
O Diário de Maringá preservará a identidade das denunciantes. Documentos, mensagens e demais elementos eventualmente apresentados serão encaminhados às autoridades competentes, sem exposição das vítimas.
Promessa eleitoral encontra resistência dentro da PM
No horário eleitoral, Sandro Alex apresentou o enfrentamento à violência contra a mulher como prioridade de um eventual governo. O candidato também se coloca como representante da continuidade da gestão de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).
A contradição aparece quando mulheres que integram a própria estrutura estadual de segurança denunciam suposto assédio e afirmam não encontrar proteção suficiente dentro da instituição.
Não basta orientar as mulheres paranaenses a denunciar seus agressores. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e a Polícia Militar do Paraná também precisam demonstrar que conseguem acolher e proteger as policiais que denunciam superiores ou colegas de farda.
Secretaria precisa explicar as providências
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e a Polícia Militar precisam esclarecer se receberam formalmente as denúncias da região Noroeste, se abriram procedimento de apuração e se adotaram alguma medida para proteger as policiais.
Também devem explicar quando o suposto assediador entrou em férias, se o período já estava programado e se existe relação entre sua ausência e o surgimento das denúncias.
Outro ponto exige resposta objetiva. O policial continuará exercendo suas funções no mesmo local e mantendo contato profissional com as denunciantes após o fim das férias?
O que Sandro Alex tem a dizer?
A promessa eleitoral coloca Sandro Alex diante de uma cobrança direta. Se pretende dar continuidade ao atual governo, ele precisa explicar se considera adequada a atuação da Secretaria da Segurança Pública diante das denúncias apresentadas por mulheres da Polícia Militar.
O candidato também deve informar quais medidas pretende adotar para impedir que policiais denunciantes sejam constrangidas, intimidadas ou profissionalmente prejudicadas.
Combater a violência contra a mulher não pode ser apenas uma promessa de campanha. O compromisso precisa começar pelas servidoras que usam farda, atuam na segurança pública e, mesmo assim, dizem sentir medo dentro da instituição responsável por protegê-las.
O Diário de Maringá mantém espaço aberto para Sandro Alex, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Polícia Militar do Paraná e defesa do policial citado. As denúncias ainda precisam ser apuradas, e o suposto envolvido tem direito ao contraditório e à ampla defesa.



