Sem a harpia, campanha de Sandro Alex vai de papagaio, chopim ou “Topa Tudo por Dinheiro”?
Caso a Justiça Eleitoral proíba definitivamente a campanha de Sandro Alex (PSD) de usar a harpia, o candidato não ficará sem opções no mundo das aves.
O papagaio e o chopim aparecem como possíveis substitutos. Nesse caso, cada um representaria, no campo da sátira política, uma característica atribuída à campanha apoiada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
O papagaio repete aquilo que escuta. O chopim ocupa o ninho construído por outras aves.
Existe ainda uma terceira comparação. Diante das privatizações, concessões e relações entre os negócios da família Massa e o Governo do Paraná, a gestão de Ratinho Junior também remete ao antigo “Topa Tudo por Dinheiro”. O SBT exibia o programa e mantém em sua grade uma atração diária comandada pelo apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho.
Até agora, conforme publicação do jornalista Angelo Rigon, o Ministério Público Eleitoral manifestou-se favoravelmente ao pedido apresentado pela chapa de Sergio Moro (PL) contra o uso da harpia. Segundo o texto, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná ainda precisa analisar o mérito.
Portanto, a proibição definitiva ainda depende de decisão judicial.
Papagaio para repetir o marketing
O papagaio serviria para representar uma campanha que repete frases, imagens e argumentos produzidos pelo marketing do governo Ratinho Junior.
Sandro Alex apresenta-se como candidato da continuidade. Por isso, sua propaganda utiliza diretamente a imagem do governador e as realizações divulgadas pela comunicação estadual.
Não existe ilegalidade em defender a continuidade de uma administração. O problema político aparece quando o candidato não demonstra identidade própria e se limita a reproduzir o roteiro elaborado para o atual governador.
Se a função de Sandro Alex for apenas repetir o texto do marketing, o papagaio cumprirá perfeitamente o papel simbólico.
Chopim para ocupar o ninho dos outros
O chopim oferece uma comparação mais incômoda. A ave é conhecida por colocar seus ovos no ninho de outras espécies.
Na política, por sua vez, a sátira cabe quando um governo apresenta como exclusivamente sua uma obra ou política pública financiada por diferentes instituições.
Parte das moradias divulgadas com a marca Casa Fácil Paraná reúne subsídios estaduais, financiamentos da Caixa Econômica Federal e recursos do programa Minha Casa Minha Vida.
Na modalidade Faixa 1, a própria Companhia de Habitação do Paraná informa que até 90% do custo dos imóveis pode ser coberto pelo Fundo de Arrendamento Residencial, vinculado ao programa federal. Essa porcentagem não vale automaticamente para todos os empreendimentos. Cohapar
O Governo do Paraná participa de diferentes formas, inclusive com terrenos, infraestrutura, seleção das famílias, apoio técnico e subsídios estaduais.
A crítica surge quando a comunicação oficial reduz a participação da União e deixa a impressão de que o Estado financiou sozinho toda a construção.
A Ponte Internacional da Integração oferece outro exemplo. A estrutura de 760 metros foi financiada pela Itaipu Binacional e executada por meio de uma parceria entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e o Governo do Paraná. DNIT
A participação estadual é real. Ainda assim, isso não transforma a obra em investimento exclusivo do governo Ratinho Junior.
Quando a propaganda apresenta uma realização construída por várias mãos como obra exclusiva do grupo estadual, o chopim volta a sobrevoar a campanha.
Negócios da família encontram o Governo do Paraná
A comparação com o chopim, porém, não termina nas obras.
Os negócios da família Massa encontram o Governo do Paraná em publicidade oficial, consignações, licitações de uma estatal e decisões ambientais.
Nenhuma dessas relações, isoladamente, comprova crime ou favorecimento. Juntas, porém, formam uma rede de interesses que exige transparência reforçada.
Emissoras da família recebem publicidade oficial
O apresentador Ratinho, pai do governador, controla o Grupo Massa. O conglomerado possui a Rede Massa, afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão, e emissoras da Massa FM.
Relatórios oficiais da Secretaria de Estado da Comunicação registram a Rádio e Televisão Iguaçu S.A., razão social de uma das emissoras do grupo, entre os veículos utilizados em campanhas do Governo do Paraná e de empresas estaduais.
A emissora aparece em documentos de publicidade da Secretaria da Comunicação, da Companhia de Saneamento do Paraná e da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Antes da privatização, também recebeu campanhas da Companhia Paranaense de Energia.
A Massa FM aparece em planos de mídia elaborados para campanhas estaduais.
Em 2021, o Governo do Paraná gastou R$ 128,75 milhões com publicidade institucional e legal, segundo levantamento publicado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Esse número representa o total destinado a todos os veículos e serviços, não apenas às empresas da família Massa. Sindijor-PR
Portanto, os relatórios confirmam que veículos da família receberam publicidade estadual, mas não apresentam um total consolidado dos pagamentos feitos ao Grupo Massa desde 2019.
O governo precisa informar esse valor, os critérios de distribuição e a comparação de preços, audiência e alcance.
Banco Master pagou cerca de R$ 24 milhões a empresas ligadas a Ratinho
Documentos da Receita Federal encaminhados a uma comissão parlamentar de inquérito apontaram pagamentos de cerca de R$ 24 milhões do Banco Master a duas empresas ligadas ao apresentador Ratinho.
Segundo o Plural, aproximadamente R$ 21 milhões foram destinados à Massa Intermediação de Marumbi. Outros R$ 3 milhões foram pagos à Gralha Azul Empreendimentos e Participações. Ratinho divulgava o Credcesta, cartão consignado ligado ao banco. Plural
Posteriormente, a Folha de S.Paulo revelou a existência de outro contrato.
A Massa & Massa recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master. O valor foi dividido em quatro parcelas de R$ 420 mil.
Ratinho Junior aparece no quadro societário da Massa & Massa ao lado do pai, da mãe e de dois irmãos.
Em nota, o Grupo Massa afirmou que o contrato tinha natureza exclusivamente comercial e publicitária. Segundo a empresa, houve cessão da imagem do apresentador para divulgar o Credcesta. O grupo declarou que encerrou a relação diante de atrasos nos pagamentos.
O Governo do Paraná informou à Folha que não comentaria o negócio. Folha de S.Paulo
Esses contratos privados não provam pagamento de propina ou tráfico de influência. O ponto que exige esclarecimento é a participação do governador em uma empresa contratada pelo mesmo banco cujo produto operou no sistema estadual de consignações.
Credcesta operou na folha dos servidores estaduais
O Credcesta foi habilitado para oferecer operações com desconto na folha de servidores estaduais por meio do ParanáConsig.
O sistema atende servidores ativos, aposentados e pensionistas vinculados ao Poder Executivo.
Em novembro de 2025, após a crise envolvendo o Banco Master, o Governo do Paraná bloqueou o Credcesta e o Mettacard no sistema estadual.
A sequência está documentada. Primeiro, empresas da família Massa receberam dinheiro do Banco Master para promover o Credcesta. O cartão foi habilitado na folha estadual. Depois, as operações foram bloqueadas.
Esses fatos não comprovam que os contratos publicitários influenciaram o credenciamento.
O governo, contudo, precisa informar quem autorizou a entrada do Credcesta, quais documentos foram analisados, quanto o produto movimentou e se Ratinho Junior comunicou algum conflito de interesses decorrente de sua participação na Massa & Massa.
Sócio empresarial do irmão venceu licitações da Celepar
Gabriel Martinez Massa, irmão do governador e presidente do Grupo Massa, manteve sociedade com Rodolfo de Souza Aires na TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda.
Rodolfo também é proprietário da Linea Tecnologia em Comunicação Ltda.
A Linea venceu quatro licitações da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná, a Celepar, com valor total homologado de até R$ 146 milhões, segundo levantamento do Plural. Plural
Entretanto, Gabriel Massa não é apontado como sócio da Linea. A conexão documentada está na sociedade mantida com o proprietário da fornecedora em outra empresa.
Os R$ 146 milhões representam o teto homologado das licitações. Isso não significa que a Celepar tenha contratado ou pago toda essa quantia.
Após denúncia do deputado estadual Arilson Chiorato (PT), o Ministério Público do Paraná abriu procedimento para apurar as contratações. A investigação foi colocada sob sigilo.
A Celepar afirmou que os pregões seguiram a legislação e que paga apenas pelos produtos efetivamente solicitados.
Tayayá recebeu autorização de órgão ambiental estadual
O Tayayá Porto Rico Residence & Resort, em São Pedro do Paraná, recebeu em 2022 autorização do Instituto Água e Terra para realizar intervenções em área de preservação permanente às margens do Rio Paraná.
O IAT integra a estrutura do Governo do Paraná.
O empreendimento mantinha relação comercial com o apresentador Ratinho. Segundo o Grupo Massa, entre agosto de 2021 e julho de 2024 houve cessão do uso da imagem do apresentador e veiculação de anúncios na Rede Massa e na Massa FM.
Em entrevista a um podcast, Ratinho afirmou ser sócio de um resort. Procurada pela Folha, a assessoria do grupo descreveu a relação como comercial e publicitária.
Posteriormente, o Ministério Público Federal questionou judicialmente a autorização ambiental. O empreendimento modificou o projeto. O governo afirmou que o licenciamento seguiu critérios técnicos. Folha de S.Paulo
A autorização não comprova favorecimento. A relação do pai do governador com o empreendimento, porém, exigia transparência reforçada sobre a análise realizada pelo IAT.
Lar recebeu R$ 470,4 milhões em incentivos fiscais; Ratinho pai virou embaixador da marca
Quando Carlos Massa Ratinho Junior assumiu o Governo do Paraná, em janeiro de 2019, a alíquota geral do ICMS era de 18%. Durante sua gestão, o imposto aumentou duas vezes. Em 13 de março de 2023, passou para 19%. Exatamente um ano depois, em 13 de março de 2024, subiu para 19,5%.
No acumulado, o aumento foi de 1,5 ponto percentual. Proporcionalmente, a elevação chegou a 8,33% sobre a alíquota vigente no início do primeiro mandato de Ratinho Junior.
A comparação regional, por sua vez, amplia o contraste. Considerando as alíquotas gerais informadas, o Paraná cobra 19,5% de ICMS, enquanto Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul aplicam 17%.
Assim, os paranaenses pagam uma alíquota geral de ICMS 14,71% maior do que a cobrada em cada um desses três estados. Em números absolutos, a diferença é de 2,5 pontos percentuais.
Lar liderou ranking de incentivos fiscais em 2024
Enquanto aumentava o ICMS que incide sobre grande parte do consumo, o Governo do Paraná mantinha sua política de renúncias fiscais. Em 2024, a Lar Cooperativa Agroindustrial liderou o ranking das empresas beneficiadas.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná, o Dieese-PR, elaborado com dados da Secretaria de Estado da Fazenda, o Estado deixou de arrecadar R$ 470.402.375,50 em tributos relacionados à cooperativa naquele ano.
Meses depois, em setembro de 2025, a Lar anunciou o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, pai do governador Carlos Massa Ratinho Junior, como novo embaixador da marca. De acordo com a própria cooperativa, o apresentador passou a participar de campanhas institucionais e publicitárias nos segmentos agrícola, alimentício e varejista.
A sequência dos fatos chama atenção, mas não comprova, isoladamente, que o incentivo fiscal tenha qualquer relação com a contratação do apresentador. A renúncia tributária refere-se a 2024. A contratação de Ratinho como embaixador foi anunciada em setembro de 2025. Cabe à Lar e ao Governo do Paraná esclarecerem os critérios utilizados para a concessão do benefício, assim como os valores envolvidos no contrato publicitário.
Por fim, a comparação entre os estados considera a alíquota geral do ICMS, também chamada de alíquota modal. Produtos e serviços específicos podem ter percentuais diferentes, reduções da base de cálculo, isenções ou outros benefícios fiscais.
Privatização da Copel prometeu mais eficiência
Em agosto de 2023, o Governo do Paraná concluiu a venda de ações que transformou a Copel em uma companhia sem acionista controlador.
Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o governo estadual arrecadou R$ 3,1 bilhões com a operação.
Ratinho Junior apresentou a privatização como forma de ampliar a capacidade de investimento e beneficiar o consumidor.
Depois da mudança, produtores rurais passaram a relatar quedas recorrentes, oscilações de tensão, demora no restabelecimento e prejuízos na produção.
A proximidade temporal não prova que cada interrupção tenha sido provocada pela privatização. Temporais, descargas atmosféricas, quedas de árvores, acidentes e limitações históricas da rede também podem afetar o serviço.
Ainda assim, os casos documentados mostram que falhas no fornecimento atingiram diretamente produtores de aves e peixes.
Queda de energia matou 30 mil frangos em Cascavel
Cerca de 30 mil frangos morreram na madrugada de 30 de junho de 2026 após uma interrupção no fornecimento de energia atingir um aviário na Colônia Melissa, área rural de Cascavel.
O produtor estimou o prejuízo em aproximadamente R$ 100 mil. O valor corresponde à avaliação apresentada por ele.
A interrupção paralisou os equipamentos de ventilação e climatização do aviário. Esses sistemas controlam a temperatura, a umidade e a circulação do ar dentro dos galpões.
Em ambientes com milhares de aves, poucos minutos sem ventilação podem provocar aumento rápido da temperatura, estresse térmico e falta de oxigenação.
Além disso, o avicultor registrou a situação e afirmou que não era a primeira vez que enfrentava falta de energia.
Em nota, a Copel informou que a interrupção ocorreu após uma descarga atmosférica romper um cabo da rede elétrica. Segundo a companhia, o problema atingiu 169 unidades consumidoras.
A empresa declarou que restabeleceu o fornecimento ainda durante a madrugada. Também informou que as manobras realizadas na rede provocaram oscilações momentâneas e que equipes continuaram trabalhando para estabilizar o sistema. O Presente Rural
Desse modo, a manifestação apresenta uma causa específica para a interrupção. Isso não elimina o prejuízo nem encerra o debate sobre a resistência da rede rural e os mecanismos de proteção disponíveis para atividades que dependem de energia contínua.
Queda matou 15 mil tilápias em Santa Helena
Em fevereiro de 2026, uma interrupção atingiu a propriedade do piscicultor Vilson Weiznmann, na Linha Morenão, distrito de Moreninha, em Santa Helena.
Sem energia, o sistema responsável pela oxigenação da água parou. Cerca de 15 mil tilápias em idade de comercialização morreram por asfixia.
O produtor estimou ter perdido aproximadamente metade da produção. O Presente Rural
Na piscicultura, os aeradores mantêm a quantidade de oxigênio necessária para a sobrevivência dos animais. Quando esses equipamentos param, milhares de peixes podem morrer em poucas horas.
Piscicultor estimou prejuízo de R$ 9 milhões em Tupãssi
Outro caso ocorreu em Tupãssi, também no Oeste do Paraná.
O piscicultor Paulo Michelon relatou que quedas, oscilações e subtensão afetaram os equipamentos de oxigenação dos tanques.
Segundo reportagem exibida pela RPC, mais de 900 mil peixes morreram. O produtor estimou o prejuízo em R$ 9 milhões.
A quantia corresponde à avaliação apresentada pelo próprio piscicultor.
Por isso, ele procurou a Justiça. Uma decisão liminar determinou que a Copel regularizasse o fornecimento de energia na propriedade. Globoplay
Reclamações chegaram ao Procon, à Aneel e ao Senado
Segundo levantamento divulgado pela RPC, a Agência Nacional de Energia Elétrica recebeu 3.718 reclamações contra a Copel até novembro de 2025. Em 2024, foram 2.706.
A diferença representa aumento de aproximadamente 37%.
Já em maio de 2026, o Procon de São José dos Pinhais abriu procedimento para apurar quedas e interrupções constantes nas áreas urbana e rural.
O órgão informou que passou a mapear as regiões afetadas e cobrar investimentos e melhorias da concessionária. Prefeitura de São José dos Pinhais
O problema também chegou à Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.
Em audiência realizada em 5 de maio de 2026, produtores rurais e empresários relataram prejuízos causados pelas falhas no fornecimento. A Aneel informou que acompanha os casos e pode ampliar a fiscalização. Senado Federal
Copel registrou lucro de R$ 2,66 bilhões em 2025
Enquanto produtores relatavam perdas, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025, segundo os dados apresentados pelo Sistema FAEP.
A federação afirma ter recebido relatos e ofícios de sindicatos rurais e prefeituras de diferentes regiões.
As ocorrências incluem morte de aves e peixes, perda de leite e danos em bombas, motores, climatizadores, painéis de controle, geradores e resfriadores. Sistema FAEP
A Copel precisa apresentar os investimentos realizados na rede rural depois da privatização, os indicadores de duração e frequência das interrupções e os valores pagos em indenizações.
Também deve explicar quais medidas adotou para proteger propriedades que dependem de fornecimento ininterrupto.
Quem governa: o filho ou o apresentador?
Adversários levantam, em tom de provocação, a suspeita de que Ratinho pai teria influência maior do que a reconhecida publicamente nas decisões do governo do filho.
Não existem documentos que permitam tratar o apresentador como “governador de fato”.
Na prática, quem responde constitucionalmente pelo Poder Executivo, nomeia secretários, sanciona leis e assina decisões é Ratinho Junior.
A pergunta sustentada pelos fatos é outra: os interesses empresariais da família influenciaram alguma decisão do Governo do Paraná?
Os documentos mostram publicidade estadual em veículos da família; pagamentos do Banco Master a empresas ligadas ao apresentador e ao governador; operação do Credcesta na folha estadual; conexão empresarial entre o irmão do governador e um fornecedor da Celepar; e autorização ambiental envolvendo um empreendimento ligado comercialmente ao pai.
Esses fatos justificam apuração. Não provam que o pai governe no lugar do filho nem que decisões estaduais tenham sido compradas.
Paraná virou um “Topa Tudo por Dinheiro”?
A gestão Ratinho Junior privatizou a Copel e avançou com concessões e projetos de transferência de atividades públicas à iniciativa privada.
Cada processo possui regras próprias. Nem toda concessão equivale à venda de patrimônio.
No campo da sátira, porém, a sequência permite comparar o governo com o “Topa Tudo por Dinheiro”.
O governo estadual arrecadou R$ 3,1 bilhões com a operação que retirou o controle estatal da Copel. A companhia registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.
No campo, um produtor estimou ter perdido R$ 100 mil com a morte de 30 mil frangos. Outro relatou a morte de 15 mil tilápias. Em Tupãssi, um piscicultor calculou prejuízo de R$ 9 milhões.
São números de episódios diferentes e não devem ser somados como se pertencessem a uma única ocorrência. Ainda assim, mostram o contraste entre o resultado financeiro da empresa e as perdas relatadas pelos consumidores.
Papagaio, chopim ou programa de auditório?
Caso perca a harpia, Sandro Alex terá opções simbólicas.
O papagaio representa quem repete o roteiro do marketing, mesmo quando aquilo que é mostrado e prometido não chega à maioria das cidades do Paraná.
O chopim lembra quem ocupa politicamente o ninho financiado e construído por terceiros.
Já o “Topa Tudo por Dinheiro” remete às privatizações e ao encontro documentado entre negócios da família Massa e decisões ou estruturas do Governo do Paraná.
Assim, caso a Justiça Eleitoral proíba definitivamente o uso da harpia, a campanha ainda terá três referências disponíveis na sátira: o papagaio, o chopim e o antigo programa de auditório.



