Um século de história: José Rocho celebra 100 anos cercado pelo carinho da família
Nascido em Rio de Contas, na Bahia, José construiu sua história entre São Paulo e Paraná. O centenário reúne uma família formada por oito filhos, 19 netos, 17 bisnetos e uma tataraneta
José Rocho comemorou no último sábado, 5 de setembro, a chegada dos 100 anos. A família realizou a celebração poucos dias antes da data oficial do centenário, completado na terça-feira, 8 de setembro.
Nascido em 8 de setembro de 1926, no município de Rio de Contas, na Bahia, José é filho de José Rocho de Souza e Rosalina de Jesus. Sua trajetória reúne mudanças, dificuldades, trabalho no campo, participação em uma grande obra nacional e dedicação à família.




José deixou a Bahia aos 13 anos
José saiu da terra natal aos 13 anos em busca de melhores condições de vida. Seu primeiro destino foi a região de Marília, no estado de São Paulo.
No início, trabalhou com um tio em uma fazenda pertencente a um agricultor japonês. Alguns meses depois, seguiu para outra propriedade rural.
Como ainda era menor de idade, ficou responsável por transportar marmitas e água aos trabalhadores. As tarefas marcaram o começo de uma vida dedicada ao trabalho.
José continuou trabalhando e retomou os estudos quando chegou à maioridade. Nesse período, conheceu Efigênia. Os dois se casaram em 23 de junho de 1951.
Família recomeçou a vida no Paraná
Depois do casamento, José e Efigênia mudaram-se para a Fazenda Atalaia, na região de Paranavaí. No local, nasceram os três primeiros filhos do casal.
Uma forte geada atingiu as lavouras em 1955 e prejudicou o trabalho na propriedade. Diante das dificuldades, a família buscou novas oportunidades em Diamante do Norte, no Paraná.
Por volta de 1959, José construiu uma pequena casa de madeira. Ele utilizou tabuinhas retiradas do sítio onde trabalhava como meeiro. Na propriedade, cultivou mais de mil pés de café pertencentes ao senhor Didior.
José também abriu um poço que abastecia sua residência e atendia um vizinho. Um desentendimento sobre o acesso ao local, porém, resultou em ameaças contra a família. Na época, um dos filhos tinha apenas cinco anos.
Para proteger a esposa e as crianças, José vendeu a casa por 150 cruzeiros e iniciou outro recomeço.
Uma trouxa de roupas, duas cabras e uma nova oportunidade
José chegou a Itaúna do Sul levando uma trouxa de roupas, duas cabras e a família. Durante o percurso, conseguiu uma carona até Nova Londrina, onde recebeu o acolhimento de um tio.
Com muito esforço, comprou uma bicicleta. Mais tarde, trocou o veículo por um terreno. Enquanto construía a nova residência, chegou a deixar o próprio relógio como garantia do pagamento do aluguel.
Aos poucos, José conseguiu erguer a casa. Em 1983, transformou o imóvel em uma construção de alvenaria.
Ele também trabalhou na construção da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, em Porto Primavera. Depois de anos de trabalho, aposentou-se e continuou congregando em uma igreja de Nova Londrina.
Mudança para Maringá ocorreu em 2002
José e Efigênia mudaram-se para Maringá em 2002. Naquele ano, Raimundo de Souza, um dos filhos do casal, recebeu uma oportunidade de trabalho fora do Brasil. Os pais vieram para a cidade para cuidar das netas.
O casal vendeu a casa que mantinha em Nova Londrina. Primeiro, morou com o filho. Depois, comprou uma residência no Residencial Tuiuti.
Em 2019, José perdeu Efigênia, sua companheira por quase sete décadas. Após a morte da esposa, passou a morar com a filha Marta de Souza, no Conjunto Piatã.
Oito filhos e quatro gerações de descendentes
José e Efigênia tiveram oito filhos: Elza Rosalino, Maria Efigênia, Raimundo de Souza, Lídia Rodrigues, Ercília de Souza, Marta de Souza, Rosileide de Souza e Paulo de Souza.
A família também inclui os genros e as noras João de Oliveira, Neri Ferreira, Matios Ivanosti, Jair, Sidnei, Adilmo Navarro e Jeniffer.
Aos 100 anos, José reúne 19 netos, 17 bisnetos e uma tataraneta. São quatro gerações de descendentes ligadas à história iniciada na Bahia e construída também em São Paulo e no Paraná.
A comemoração de 5 de setembro marcou um século de vida. Da saída de Rio de Contas ainda adolescente à chegada a Maringá, José enfrentou geadas, ameaças, mudanças e perdas. Em cada recomeço, manteve o trabalho, a fé e a família como referências.
O centenário foi celebrado ao lado da família que José e Efigênia formaram desde o casamento, em 23 de junho de 1951.
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Imagens Fotografia : Patrícia Linhares
Cinegrafista: Marcio Peregrini
Produção do Evento som, filmagens Odm Comunicação Ltda



