Moro cai do cavalo com Marco Brasil
Ao criticar a nomeação de Marco Brasil para a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços, Sergio Moro tentou transformar uma profissão em sinal de despreparo. A resposta revelou uma trajetória que o senador preferiu ignorar.
Por Gilmar Ferreira
O senador Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná, tentou desqualificar a escolha de Marco Brasil para comandar a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços. Durante entrevista à Jovem Pan, Moro afirmou que jamais nomearia um locutor de rodeio para a função.
“Jamais, por exemplo, nomearia um locutor de rodeio. Nada contra locutor de rodeios, mas para a Secretaria de Indústria e Comércio, como foi feito no atual governo”, declarou.
A frase procurou reduzir Marco Brasil à atividade que lhe deu projeção nacional. Ao mirar na voz do rodeio, porém, Moro acabou expondo uma visão estreita sobre experiência e qualificação profissional.
Marco Brasil respondeu em vídeo. Em vez de esconder sua origem, demonstrou orgulho dela. Na sequência, apresentou um currículo que vai muito além dos microfones e das arenas.
“Eu tenho muito orgulho de ter sido eu o escolhido, porque durante 30 anos esse locutor andou por esse chão, por esse chão desse Paraná”, afirmou.
A experiência que Moro preferiu ignorar
Na resposta, Marco Brasil declarou que foi policial rodoviário, empresário e agricultor. Além disso, afirmou que estudou Direito, concluiu formação em Gestão Pública, exerceu mandato de deputado federal e comandou a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços.
A trajetória política está registrada. Marco Brasil exerceu mandato na Câmara dos Deputados e assumiu a secretaria estadual em março de 2025. Antes disso, ganhou projeção nacional como locutor de rodeios e apresentador de televisão.
Portanto, a discussão legítima deveria envolver os resultados da gestão, as políticas adotadas pela secretaria e a capacidade administrativa de quem ocupou o cargo. Moro, contudo, escolheu outro caminho. Preferiu destacar uma profissão como se ela, sozinha, representasse falta de preparo.
A crítica também atinge milhares de paranaenses que construíram suas trajetórias profissionais longe dos gabinetes. Conhecer produtores rurais, empresários, caminhoneiros, comerciantes e trabalhadores não substitui a formação técnica. Essa convivência, no entanto, também não representa desqualificação. Pelo contrário, pode oferecer conhecimento concreto sobre a economia e a realidade do Paraná.
A voz do rodeio também tem currículo
Marco Brasil deixou claro que não é apenas uma bela voz do rodeio. Sua experiência profissional, empresarial, política e administrativa permite que seu currículo seja comparado ao de outros agentes públicos, inclusive ao de Sergio Moro.
Isso não significa que Marco esteja acima de críticas. Todo secretário deve prestar contas dos próprios resultados. Entretanto, a cobrança precisa se apoiar em fatos, números e decisões administrativas. A profissão exercida por alguém durante décadas não pode servir como argumento automático de incapacidade.
Moro é formado em Direito, foi juiz federal, ministro da Justiça e tornou-se senador. Marco Brasil seguiu outra estrada. Trabalhou como locutor de rodeios, passou pela Polícia Rodoviária, atuou como empresário e agricultor, estudou Direito, formou-se em Gestão Pública e chegou à Câmara dos Deputados.
As trajetórias são diferentes. Ainda assim, a formação de Moro não autoriza o senador a tratar a profissão de locutor de rodeio como sinônimo de despreparo.
Marco Brasil rebateu com política e lealdade
O vídeo não ficou restrito ao currículo. Marco Brasil também recordou a saída de Moro do governo de Jair Bolsonaro, em abril de 2020. Na ocasião, o então ministro acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Bolsonaro negou a acusação.
Depois, Marco mencionou que Moro voltou a apoiar Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022. Em seguida, lançou sua crítica mais dura.
“Eu tenho muitas virtudes, mas um defeito que eu não tenho é ser traíra. Eu não viro as costas para quem confia em mim. Eu não mudo de lado por projeto de poder”, declarou.
Nesse momento, Marco Brasil deixou a defesa curricular e entrou diretamente no confronto eleitoral. Para reforçar o ataque, também reproduziu uma declaração do deputado federal Nikolas Ferreira, que chamou Moro de traidor.
Moro desafinou
Sergio Moro poderia questionar decisões, números ou projetos da Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços. Da mesma forma, poderia apresentar outra proposta para o desenvolvimento econômico do Paraná. Em vez disso, escolheu diminuir Marco Brasil pela profissão de locutor de rodeio.
A tentativa saiu pela culatra.
A resposta mostrou que a voz conhecida nas arenas pertence a alguém com experiência no setor público, passagem pelo Congresso Nacional, atuação empresarial e formação em Gestão Pública. Segundo Marco Brasil, ele também estudou Direito. O trecho apresentado, contudo, não comprova que ele seja advogado.
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No duelo de argumentos, Moro desafinou. Ao tentar usar o rodeio para diminuir Marco Brasil, ofereceu ao adversário a oportunidade de apresentar sua trajetória ao Paraná e ao país.
Marco encerrou o vídeo com uma frase direta: “Para você, eu não tiro meu chapéu”.
Depois da declaração de Moro, o chapéu permaneceu na cabeça. Já o currículo de Marco Brasil ganhou um espaço ainda maior na mente dos paranaenses.
Imagem da Manchete criada por IA



