Dra. Regina Perrotta fala sobre os processos contra Giselli Bianchini

Dra. Regina Perrotta fala sobre os processos contra Giselli Bianchini


Eu estou falando aqui não apenas como advogada, mas também como a pessoa que representa juridicamente o jornalista e o jornal neste caso. E preciso dizer que eu mesma me senti atacada diante de algumas situações que aconteceram, principalmente pela forma como a mídia e as redes sociais foram utilizadas de maneira negativa contra o jornalista e contra o próprio trabalho jornalístico.

O processo eleitoral foi protocolado porque ouvindo meu cliente e assistindo aos vídeos nas redes sociais da candidata entendo que existem situações que precisam ser apuradas. Uma delas envolve a utilização de igrejas e de espaços religiosos dentro de um contexto de campanha e ainda, fora do horário permitido para campanha e divulgado em redes sociais e Isso não é uma questão de opinião. Existem regras eleitorais para utilização desses espaços e isso precisa ser analisado pela Justiça Eleitoral.

E existe uma outra questão que me chamou muito a atenção: a posição negativa que a candidata adota contra determinadas pessoas, porque uma coisa é fazer uma crítica política, outra coisa é utilizar a exposição de uma pessoa, especialmente um jornalista sério de anos de jornalismo comunicativo e ético, como uma forma de comunicação política e intenção no meu entendimento de querer ganhar projeção no estilo “fale mal, ou fale bem, o importante que fale de mim” e aí eu comecei a perceber uma coisa que, para mim, pareceu uma verdadeira jogada de marketing que as pessoas tem que investigar, olhar vídeos, analisar criticamente sem viés político.

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Quando você transforma uma controvérsia em conteúdo, quando você coloca aquela pessoa nas redes sociais, quando provoca discussão, quando os seguidores começam a falar daquela pessoa, aquela controvérsia passa a gerar exposição e aí precisamos perguntar: isso aconteceu espontaneamente ou existe uma estratégia por trás disso? É exatamente isso que precisa ser apurado e responsabilizado se o caso.

E eu digo mais: o que eu vi foi uma postura de tudo ou nada, como se valesse tudo para conseguir exposição, inclusive transformar o trabalho de um jornalista em uma narrativa negativa contra ele e isso me incomodou particularmente porque eu represento esse jornalista e o jornal , eu conheço o trabalho que ele desenvolve e sei que jornalismo é justamente lidar com pessoas diferentes, fazer perguntas, publicar aquilo que precisa ser publicado e, muitas vezes, publicar coisas que desagradam quem está sendo noticiado.

Pegos em flagrante!

A partir do momento em que se começa a dizer que esse jornalista pratica stalking, que ele persegue determinada pessoa ou que suas publicações são feitas com uma intenção pessoal, eu pergunto: qual é o fato concreto? Qual reportagem? Qual publicação? Qual ato específico? Porque simplesmente dizer que um jornalista está perseguindo alguém não transforma essa afirmação em verdade, mas transforma em Boletim de Ocorrências e queixa criminal.

E isso é ainda mais sério porque essa narrativa não ficou restrita a uma pessoa. Ela foi reproduzida em manifestações de pessoas da própria família, menores de idade que com linguagem inapropriada, deprecionou jornal e jornalista não de forma crítica mas de forma afrontosa e vexatória. Então não temos uma construção que precisa ser analisada: a atuação jornalística passa a ser apresentada como perseguição, e a pessoa do jornalista passa a ser exposta negativamente perante os seguidores enquanto a candidata se projeta com discurso político de que é honesto, ser malvado.

Eu me senti atacada por isso também que tenho votado na direita e eu não vejo que essa situação toda seja condizente com uma ideologia e não é porque estou representando juridicamente o jornalista e o jornal mas porque temos que agir conforme o que pregamos.

Quando se utiliza a mídia e as redes sociais para tentar descredibilizar o trabalho jornalístico, isso não atinge apenas o jornalista individualmente, atinge a própria atividade profissional e, consequentemente, atinge também quem está trabalhando juridicamente para defendê-lo.

E existe uma diferença muito grande entre crítica e acusação. Pode criticar o jornalista. Pode discordar da reportagem. Pode dizer que não gostou da matéria. Isso faz parte da democracia e do próprio jornalismo. Agora, quando você atribui a esse profissional uma conduta grave, como perseguição ou stalking, violência contra mulher, você precisa ter prova daquilo que está dizendo, e o vídeo prova o contrário do que ela pregou em suas redes sociais e será juntado na íntegra na queixa criminal que será proposta afim de apurar tais condutas bem como já foi protocolado na Câmara de Vereadores para providências a respeito inclusive , do uso de símbolos, aparatos e funcionários da própria Câmara para campanha política.

Por isso o processo foi protocolado no Tribunal Eleitoral. Não é porque alguém falou mal da candidata, nem porque houve uma simples discussão política. É porque existem fatos concretos que precisam ser analisados: a utilização de igrejas, a exposição de pessoas, a utilização das redes sociais nesse contexto, as manifestações contra o jornalista e a forma como toda essa narrativa foi construída, a campanha fora de época e o uso de menores para dissipar fakenews.

E eu quero deixar uma coisa muito clara: não estou dizendo que toda controvérsia é crime, nem que toda crítica é ilícita. O que estou dizendo é que, quando existem fatos que podem ultrapassar os limites da crítica e entrar no campo eleitoral, civil ou até criminal, eles precisam ser apurados. É para isso que existe o processo.

“Eu não tenho interesse em transformar isso em espetáculo, o jornalista idem e pelo contrário. Quero que tudo seja colocado sobre a mesa, com as provas. Se houve apenas uma estratégia de comunicação, isso será demonstrado. Se houve utilização indevida da mídia, isso será demonstrado. Se houve irregularidade eleitoral, será apurado pela Justiça Eleitoral. E se houve imputação sem prova contra um jornalista, isso também terá que ser respondido.

No final, é isso que eu quero: que separemos a narrativa da prova. Porque falar é fácil. O que precisa aparecer agora são as provas e acho que a candidata não as possui, já que as provas estão em câmeras da Câmara e em câmeras de outros jornalistas que já estão disponíveis na justiça.

Regina Perrota Especialista em Direito Administrativo, Constitucional e Meio Ambiente.

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Redação O Diário de Maringá

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