Vaza áudio: candidato do Novo em Maringá é acusado de não pagar cabos eleitorais, intimidar quem cobra e falar em dinheiro “por fora”. Houve caixa dois?

Vaza áudio: candidato do Novo em Maringá é acusado de não pagar cabos eleitorais, intimidar quem cobra e falar em dinheiro “por fora”. Houve caixa dois?


Pelo menos 12 pessoas relatam pagamentos pendentes e afirmam que procurarão a polícia caso não haja acordo na próxima semana. Candidato nega conhecer dívidas, mas áudio atribuído a ele menciona devolução de dinheiro e recursos enviados por Alfredo.

Pelo menos 12 pessoas que afirmam ter trabalhado na campanha eleitoral de um candidato do Partido Novo, em Maringá, relatam pagamentos pendentes pelos serviços prestados nas eleições de 2026. Segundo os trabalhadores, caso não haja um acordo até a próxima semana, eles pretendem registrar um boletim de ocorrência na delegacia.

Procurado pelo O Diário de Maringá para apresentar sua versão, o candidato afirmou desconhecer a situação e negou saber que deve dinheiro a alguém.

Entretanto, uma gravação atribuída ao candidato, encaminhada ao jornal, apresenta declarações dirigidas a uma pessoa que estaria cobrando valores relacionados à campanha.



Na conversa, o candidato afirma não ter medo de ninguém, menciona sua formação em Direito e diz que quem recorrer à Justiça poderá ter que devolver dinheiro.

O caso também envolve relatos de possíveis divergências na prestação de contas eleitoral e a participação do candidato em ações conjuntas com pelo menos outros dois ou três candidatos a deputado federal.

Trabalhadores dizem que precisam do dinheiro para pagar suas contas

De acordo com os relatos recebidos pelo O Diário de Maringá, os trabalhadores que cobram os pagamentos são pessoas de condições financeiras modestas, que dependem dos valores prometidos para cumprir seus compromissos pessoais e familiares.

Eles afirmam que realizaram as atividades de campanha contando com o recebimento do dinheiro combinado. Agora, depois das eleições, enfrentam dificuldades para receber os valores que consideram devidos.

A situação provoca preocupação entre os envolvidos, especialmente porque parte dessas pessoas afirma ter recebido apenas uma parcela do pagamento, enquanto outras relatam não ter recebido .

Segundo os trabalhadores, a intenção é resolver a questão por meio de um acordo. Entretanto, eles estabeleceram a próxima semana como prazo para buscar uma solução.

Caso não haja entendimento, afirmam que irão à delegacia registrar um boletim de ocorrência para documentar os fatos e solicitar a apuração do que consideram irregularidades.

O registro policial, por si só, não significa que tenha ocorrido crime. A eventual existência de infração penal dependerá da análise dos fatos pelas autoridades competentes.

Candidato nega conhecer dívidas com trabalhadores

O Diário de Maringá entrou em contato com o candidato para esclarecer as reclamações recebidas.

Questionado sobre os pagamentos pendentes, ele afirmou que não tinha conhecimento da situação e negou saber da existência de dívidas com pessoas que trabalharam em sua campanha.

A manifestação apresenta uma versão diferente daquela relatada pelos trabalhadores, que afirmam aguardar o recebimento de valores referentes aos serviços prestados.

Áudio atribuído ao candidato apresenta declarações sobre cobrança e Justiça

Uma das pessoas que cobra pagamentos apresentou uma gravação atribuída ao candidato.

Na transcrição encaminhada ao jornal, ele reage à possibilidade de uma cobrança judicial e menciona sua formação acadêmica.

Confira o trecho:

“Não tem medo de ninguém, não, filho. Quer vir pra cima? Vem, que o bagulho é feio, filho.”

Na sequência, afirma:

“Quer meter no pau na justiça? Eu sou advogado. Não sou advogado porque eu estou sem OB, né? Mas sou bacharel em direito.”

A transcrição prossegue com uma declaração sobre possível devolução de valores:

“Quer meter no pau o nego que quis fazer coisa por fora? Vai meter no pau e ainda vai ter que devolver o que eu paguei ainda.”

As declarações levantam questionamentos sobre a relação entre o candidato e os prestadores de serviços, especialmente diante da negativa de conhecimento sobre pagamentos pendentes.

O conteúdo também exige esclarecimentos sobre o significado da expressão “fazer coisa por fora”, utilizada na conversa.

A gravação integral e seu contexto precisam ser verificados antes de qualquer conclusão sobre a existência de ameaça ou outra irregularidade.

Quem é Alfredo e qual a origem do dinheiro mencionado?

Outro trecho chama atenção para a origem dos recursos utilizados nos pagamentos.

Segundo a transcrição, o candidato declara:

“Não é nem dinheiro meu, é dinheiro do Alfredo que mandou por fora.”

A afirmação abre uma nova frente de questionamentos sobre o financiamento da campanha.

Quem é Alfredo? Qual foi sua participação financeira? O dinheiro mencionado corresponde a uma doação eleitoral, a um pagamento realizado por terceiro ou a outra operação?

Além disso, os valores foram registrados na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral?

A expressão “por fora” não permite concluir, isoladamente, que houve movimentação irregular. Entretanto, torna necessário esclarecer a origem, a destinação e a eventual contabilização dos recursos mencionados.

Trabalhadores questionam informações da prestação de contas

Além das cobranças, o jornal recebeu relatos de que algumas pessoas apareceriam na prestação de contas do candidato como beneficiárias de pagamentos que afirmam não ter recebido.

A denúncia precisa ser confrontada com os registros oficiais, os documentos de contratação e os comprovantes bancários.

O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza informações sobre receitas, despesas, fornecedores e movimentações financeiras das campanhas no sistema DivulgaCandContas.

Caso sejam identificadas divergências, será necessário verificar se representam pagamentos não realizados, registros pendentes de atualização, erros contábeis ou possíveis irregularidades.

Não há, nesta etapa da apuração, comprovação de falsidade documental ou de desvio de recursos.

Resultado das urnas não elimina obrigações de campanha

Outro relato apresentado ao jornal aponta que o candidato teria associado a cobrança de devolução de dinheiro ao desempenho eleitoral obtido.

A legislação eleitoral estabelece regras para contratação de pessoal, registro de despesas e prestação de contas. Eventuais conflitos sobre pagamentos também dependem das condições efetivamente acordadas entre as partes.

O desempenho nas urnas, por si só, não extingue obrigações decorrentes de serviços contratados e executados.

Por isso, a questão central não é quantos votos o candidato recebeu, mas quais compromissos foram assumidos, quem contratou os trabalhadores e quais pagamentos efetivamente ocorreram.

Dobradinhas com candidatos federais também precisam de esclarecimentos

Segundo as informações encaminhadas ao O Diário de Maringá, o candidato participou de atividades eleitorais conjuntas com pelo menos outros dois ou três candidatos a deputado federal.

Essa circunstância exige identificar quem organizou as equipes, quem contratou os serviços e se houve divisão de despesas entre as campanhas.

A participação em atividades conjuntas não significa, automaticamente, responsabilidade solidária dos demais candidatos por eventuais dívidas.

Contudo, os documentos de contratação e os registros financeiros poderão esclarecer se houve participação de outras campanhas nos pagamentos questionados.

Trabalhadores esperam solução antes de procurar a polícia

Os trabalhadores afirmam que ainda esperam uma solução amigável para o impasse. Segundo eles, o objetivo principal é receber pelos serviços realizados durante a campanha.

Para essas pessoas, os valores cobrados representam recursos necessários ao pagamento de despesas e compromissos familiares.

A possibilidade de registrar um boletim de ocorrência na próxima semana representa, segundo os relatos, uma alternativa caso as tentativas de acordo não produzam resultado.

O Diário de Maringá registra a versão do candidato, que afirma desconhecer dívidas, e os relatos dos trabalhadores, que sustentam a existência de pagamentos pendentes.

Também permanecem sem esclarecimento a origem dos recursos mencionados na gravação, a participação de Alfredo e as possíveis divergências apontadas na prestação de contas eleitoral.

As urnas encerraram a disputa eleitoral, mas não eliminaram os compromissos financeiros eventualmente assumidos durante a campanha. Para os trabalhadores que aguardam pagamento, a próxima semana poderá definir se o caso será resolvido por acordo ou levado à delegacia.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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