Ex-ministra de Bolsonaro e apoiadora de Flávio destaca importância da China socialista para o agro brasileiro
Tereza Cristina defende equilíbrio com China e Estados Unidos; país governado pelo Partido Comunista comprou quase cinco vezes mais do agro brasileiro que os norte-americanos em 2025.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) precisará equilibrar as relações comerciais com China e Estados Unidos caso seja eleito presidente. Em entrevista à GloboNews, repercutida pela Agência Estado no UOL em 12 de outubro, ela destacou a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro.
A senadora apoia a candidatura de Flávio à Presidência. Ela reafirmou esse posicionamento mesmo quando seu partido mantinha neutralidade na disputa, conforme reportagem da Gazeta do Povo.
O alerta sobre a necessidade de equilíbrio tem importância econômica. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agro brasileiro em 2025, enquanto os Estados Unidos adquiriram US$ 11,4 bilhões. As compras chinesas foram aproximadamente 4,85 vezes maiores.
China socialista é governada pelo Partido Comunista
A China é um país socialista governado pelo Partido Comunista Chinês. Sua Constituição define o Estado como socialista e estabelece a liderança da legenda como característica central do sistema político.
É esse país que ocupa a posição de principal mercado externo do agronegócio brasileiro. Em 2025, os chineses responderam por 32,7% das exportações do setor, enquanto os norte-americanos representaram 6,7%. A diferença entre as compras dos dois países alcançou US$ 43,9 bilhões.
Os números permitem uma leitura de ironia política: a China socialista, governada pelo Partido Comunista, tem papel central nas receitas externas do agro brasileiro. Isso não significa, porém, que o sucesso do setor dependa exclusivamente desse mercado.
Tereza Cristina não mencionou o socialismo nem o comunismo na declaração reproduzida pela reportagem. A ex-ministra tratou dos interesses comerciais brasileiros e da necessidade de equilíbrio nas relações internacionais.
China compra quase cinco vezes mais do agro que os Estados Unidos
| Compras de produtos brasileiros em 2025 | China | Estados Unidos |
|---|---|---|
| Produtos do agronegócio | US$ 55,3 bilhões | US$ 11,4 bilhões |
| Participação nas exportações do agro | 32,7% | 6,7% |
| Total de bens, considerando todos os setores | Cerca de US$ 100 bilhões | US$ 37,7 bilhões |
Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Valores arredondados. As compras do agro estão incluídas no total de bens.
Considerando todos os setores, as compras chinesas foram aproximadamente 2,65 vezes maiores que as norte-americanas. No agronegócio, entretanto, a diferença entre os dois mercados foi ainda mais expressiva.
TV DIÁRIO NO WHATSAPP
Acompanhe notícias e atualizações.
TOQUE AQUI E PARTICIPE DO CANAL
Tereza Cristina destaca investimentos e concorrência dos Estados Unidos
A ex-ministra também ressaltou a importância dos Estados Unidos. Segundo ela, os norte-americanos são o maior investidor estrangeiro no Brasil e representam uma parceria relevante para a economia nacional. Essa afirmação é da senadora, conforme a reportagem da Agência Estado.
Ao mesmo tempo, Tereza Cristina apontou que os Estados Unidos concorrem com o Brasil no fornecimento de commodities ao mercado chinês. Sua avaliação reúne, portanto, três aspectos: as compras da China, os investimentos norte-americanos e a disputa entre exportadores.
Candinhas e afins que se recolham em seu passado de triste memória!
Compras e investimentos são indicadores diferentes. Os valores apresentados na tabela mostram quanto cada país adquiriu em produtos brasileiros, não quanto investiu no Brasil.
Rituais diários ajudam a organizar a rotina
A senadora também atribuiu as tensões comerciais recentes à revisão de tarifas promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo sua avaliação, essa política envolve diversos países e não se limita ao Brasil.
Por que o alerta importa para agricultores e pecuaristas
Os dados de 2026 reforçam a importância do mercado chinês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a China respondeu por aproximadamente 35% do faturamento das exportações do agro brasileiro no primeiro semestre.
Nesse período, os chineses absorveram 53% do valor das exportações brasileiras de carne bovina in natura. Além disso, os produtos do complexo soja representaram 66% do valor das compras chinesas do agro brasileiro.
Uma divergência diplomática não interrompe automaticamente o comércio. O risco econômico surgiria se um eventual conflito resultasse em redução das compras, tarifas adicionais ou restrições aos produtos brasileiros.
Nesse cenário hipotético, os exportadores precisariam buscar outros compradores. Caso os mercados alternativos não absorvessem a produção em condições semelhantes, a perda de demanda poderia pressionar preços e reduzir a receita dos produtores.
Essa análise considera mecanismos observados pelo Cepea. A demanda estrangeira ajuda a sustentar as cotações da soja, enquanto dificuldades de embarque podem ampliar a oferta interna e pressionar os preços.
Para os fazendeiros, uma queda persistente na receita poderia diminuir margens e dificultar o pagamento de compromissos financeiros. Entretanto, os efeitos dependeriam dos contratos, dos custos de cada propriedade, do câmbio e da capacidade de conquistar outros mercados.
Essas consequências são possibilidades econômicas, não prejuízos confirmados nem previsões atribuídas a Tereza Cristina. A senadora esclareceu que não conversou com Flávio sobre suas propostas para a política externa e comercial.
A importância do alerta aparece na dimensão da parceria: a China socialista, governada pelo Partido Comunista, comprou US$ 55,3 bilhões do agro brasileiro em 2025. Preservar essa relação comercial envolve uma fonte expressiva de receita para a cadeia produtiva rural.



