O que está acontecendo nas escolas estaduais de Maringá? Umes denuncia assédio sexual, moral e discriminação nas escolas
Documento entregue após manifestação nesta terça-feira (20) apresenta reivindicações para os 33 colégios estaduais de Maringá. A UMES cobra liberdade de organização estudantil, melhorias na infraestrutura, segurança, atendimento psicológico e manutenção de turmas do ensino médio.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá | 21 de outubro de 2026
Após uma manifestação realizada na manhã desta terça-feira (20), em frente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá, estudantes e representantes da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maringá (UMES-Maringá) conseguiram entregar à chefe do órgão, Isabel Cristina Domingues Soares Lopes, uma carta aberta com 28 reivindicações para a rede estadual de ensino.
A entrega ocorreu depois de um impasse inicial. Conforme as informações da manifestação, a chefe do Núcleo inicialmente resistiu a receber uma comissão formada por representantes da UMES e estudantes. O encontro aconteceu após a mobilização.
Intitulado “Carta Aberta dos 29.142 Estudantes Secundaristas de Maringá ao Núcleo Regional de Educação”, o documento reúne denúncias, críticas e propostas relacionadas às condições de ensino nos 33 colégios estaduais do município.
A carta aborda problemas de infraestrutura, discriminação, assédio moral e sexual, saúde mental, segurança, liberdade de organização estudantil e participação dos alunos nas decisões das escolas.
O movimento também cobra providências sobre a possível descontinuidade das turmas de ensino médio do Colégio Estadual Sílvio Magalhães Barros.
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Estudantes afirmam que chegaram ao limite e exigem mudanças
Logo na abertura, a carta apresenta uma crítica à situação enfrentada pelos estudantes da rede estadual.
A UMES afirma que os problemas se acumulam há anos e que a comunidade estudantil enfrenta dificuldades que comprometem a qualidade do ensino e a convivência dentro das escolas.
O documento denuncia salas de aula precarizadas, pressão psicológica, falta de apoio, insegurança, assédio e discriminação.
A entidade também critica o que considera uma tentativa de limitar a organização dos estudantes.
Segundo a carta, escolas estaduais que anteriormente representavam motivo de orgulho para seus alunos passaram a enfrentar problemas que prejudicam a imagem das instituições e o ambiente de aprendizagem.
A organização afirma que o documento nasceu das experiências de estudantes que convivem diariamente com essas dificuldades.
UMES denuncia assédio sexual, moral e discriminação nas escolas
Entre as denúncias mais graves apresentadas pela entidade estão situações de assédio sexual e moral, racismo, machismo, LGBTfobia, transfobia, capacitismo, intolerância religiosa e outras formas de discriminação.
A carta relata que esses episódios envolvem tanto conflitos entre estudantes quanto condutas atribuídas a profissionais que atuam nas instituições.
Segundo a UMES, muitos casos não recebem a apuração necessária, o que aumenta a sensação de insegurança entre os alunos.
A entidade cobra a criação de canais seguros para denúncias, com sigilo, proteção às vítimas e prazos para resposta.
Também reivindica protocolos de investigação e encaminhamento aos órgãos competentes, incluindo Conselho Tutelar, Ministério Público e autoridades policiais, quando necessário.
A proposta prevê formação continuada de professores e funcionários para prevenção de discriminação, assédio e violência.
Núcleo de Educação é acusado de dificultar a atuação da UMES
A liberdade de organização estudantil ocupa posição central na carta.
A UMES acusa o Núcleo Regional de Educação e a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) de restringirem a atuação do movimento estudantil nos colégios estaduais.
De acordo com a entidade, representantes da organização enfrentam obstáculos para entrar nas escolas, conversar com estudantes e acompanhar as atividades dos grêmios.
A carta também denuncia interferências em processos eleitorais dos grêmios estudantis e restrições à participação de seus integrantes em reuniões e eventos promovidos pela UMES.
Fundada em 1957, segundo o documento, a entidade reivindica respeito à sua trajetória e ao direito de representação dos estudantes.
A organização cita a Lei Federal nº 7.398/1985 e o Estatuto da Criança e do Adolescente como fundamentos para a liberdade de organização estudantil.
Entre as exigências está a orientação formal às direções escolares para garantir o acesso de representantes da UMES, respeitando o funcionamento das unidades.
A entidade também cobra proteção contra retaliações aos estudantes que participam de manifestações e apresentam reivindicações.
Possível fechamento do ensino médio no Colégio Sílvio Magalhães Barros preocupa estudantes
Outro ponto de destaque envolve o Colégio Estadual Sílvio Magalhães Barros, em Maringá.
A UMES afirma que chegou ao conhecimento da comunidade escolar a intenção da Secretaria de Estado da Educação, com anuência do Núcleo Regional, de encerrar gradualmente as turmas de ensino médio da instituição.
Segundo o documento, a comunidade escolar não teria sido consultada previamente sobre a medida.
A entidade critica decisões que possam obrigar estudantes a buscar vagas em escolas mais distantes de suas residências.
Entre as consequências apontadas estão o aumento dos custos de transporte, as dificuldades de deslocamento e o risco de abandono escolar.
A UMES exige esclarecimentos públicos sobre o futuro do colégio, incluindo estudos, números, critérios e eventual cronograma utilizado pela administração estadual.
O movimento também reivindica uma audiência pública com estudantes, professores, pais, responsáveis e representantes da comunidade escolar antes de qualquer decisão.
A carta propõe que o Núcleo assuma o compromisso de defender a continuidade do ensino médio na instituição enquanto houver demanda.
Relatos de tentativas de sequestro motivam cobrança por segurança
A segurança dos estudantes no trajeto entre suas casas e as escolas também integra as reivindicações.
A carta menciona relatos de tentativas de sequestro nos arredores dos colégios estaduais Branca da Mota Fernandes e João de Faria Pioli.
Diante da gravidade dessas informações, a UMES cobra providências dos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela administração educacional.
Entre as medidas solicitadas estão o reforço do policiamento nos horários de entrada e saída, a melhoria da iluminação pública, a poda de vegetação e a criação de protocolos de segurança.
A entidade também pede que o Núcleo Regional de Educação encaminhe formalmente os relatos à Polícia Militar, Polícia Civil, Conselho Tutelar e Ministério Público, além de acompanhar as providências adotadas.
Outra reivindicação prevê atendimento psicológico e acolhimento aos estudantes e familiares afetados.
Estudantes cobram psicólogos, assistentes sociais e combate ao bullying
A saúde mental é outro tema destacado pela UMES.
O documento aponta a necessidade de ampliar o acolhimento de estudantes que enfrentam ansiedade, depressão, bullying e outras situações de sofrimento emocional.
A entidade reivindica psicólogos e assistentes sociais nos colégios, conforme a Lei Federal nº 13.935/2019.
Também solicita a implementação de ações permanentes de valorização da vida, rodas de conversa e divulgação da rede de apoio psicológico.
Para a UMES, as medidas precisam ir além de campanhas pontuais e atividades simbólicas.
O movimento defende atendimento acessível, sigiloso e adequado às necessidades dos estudantes.
Carta exige vistoria nos 33 colégios estaduais de Maringá
As condições físicas das escolas também receberam críticas.
A UMES relata problemas relacionados à conservação de salas de aula, elevadores, rampas, banheiros, bebedouros, quadras esportivas e outros espaços utilizados pelos estudantes.
A entidade exige uma vistoria completa nos 33 colégios estaduais de Maringá, realizada por profissionais capacitados.
Também cobra divulgação pública dos laudos técnicos e dos cronogramas de reparos.
Entre as reivindicações estão melhorias na ventilação, climatização, iluminação, mobiliário e acessibilidade.
A carta solicita ainda laboratórios, bibliotecas e acesso à internet de qualidade em todas as unidades.
Os estudantes querem participar das decisões sobre a solução dos problemas estruturais identificados.
Preparação para Enem, vestibulares e acesso à UEM
A qualidade do ensino e as oportunidades de ingresso no ensino superior também aparecem na pauta.
A UMES cobra preparação efetiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares e Processo de Avaliação Seriada (PAS).
O documento destaca especialmente a Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Entre as propostas estão simulados, aulas de revisão, orientação sobre inscrições, isenção de taxas e parcerias para cursinhos populares.
A entidade também reivindica orientação profissional e vocacional para estudantes do ensino médio, cursos técnicos, profissionalizantes e Educação de Jovens e Adultos.
Documento reúne 28 reivindicações em nove áreas
As propostas apresentadas pela UMES estão organizadas em nove eixos:
- Liberdade de organização e representação estudantil.
- Gestão democrática e participação.
- Enfrentamento de discriminações, assédio e violência.
- Saúde mental e acolhimento.
- Liberdade de expressão e pensamento crítico.
- Estrutura, acessibilidade e condições de estudo.
- Ensino de qualidade e acesso ao ensino superior.
- Esporte, cultura e lazer.
- Garantia de cumprimento das reivindicações.
A última proposta prevê a criação de uma comissão de acompanhamento entre o Núcleo Regional de Educação e a UMES.
O objetivo é estabelecer reuniões periódicas, relatórios públicos e prazos definidos para a execução das medidas reivindicadas.
UMES apresenta três propostas de compromisso ao Núcleo Regional
Além das 28 reivindicações, a carta inclui três propostas de termos de compromisso.
A primeira trata do acesso dos representantes da UMES aos colégios estaduais e da garantia de liberdade de organização estudantil.
A segunda estabelece medidas relacionadas à manutenção do ensino médio no Colégio Estadual Sílvio Magalhães Barros, incluindo esclarecimentos públicos e consulta à comunidade escolar.
A terceira aborda a segurança dos estudantes nos arredores dos colégios Branca da Mota Fernandes e João de Faria Pioli.
Os documentos identificam a chefe do Núcleo Regional de Educação, Isabel Cristina Domingues Soares Lopes, e o presidente da UMES-Maringá, João Boldrini Fernandes, como representantes das partes.
As propostas preveem compromissos formais, mas a documentação analisada não permite confirmar a assinatura dos termos.
Manifestação coloca reivindicações dos estudantes na pauta do Núcleo de Educação
A mobilização desta terça-feira (20) marcou mais uma cobrança pública dos estudantes por participação nas decisões relacionadas à educação estadual em Maringá.
A resistência inicial para receber a comissão da UMES ampliou o impasse durante a manifestação. Posteriormente, os representantes estudantis conseguiram entregar o documento à chefia do Núcleo.
Com a carta, o movimento busca transformar as denúncias e reivindicações em compromissos concretos, acompanhados de prazos e prestação de contas.
O documento reúne demandas que vão desde o funcionamento dos grêmios estudantis até a segurança, a infraestrutura e a permanência dos alunos nas escolas.
A partir da entrega, a expectativa apresentada pela UMES é que o Núcleo Regional de Educação examine as 28 reivindicações e estabeleça um canal de diálogo com os estudantes.



