Vigilância e controle das arboviroses no Brasil: desafios e caminhos integrados

Vigilância e controle das arboviroses no Brasil: desafios e caminhos integrados


Em artigo de opinião, o especialista Raimundo Franco analisa a evolução histórica das arboviroses, o impacto das mudanças climáticas no avanço das doenças pelo país e a urgência de uma gestão multissetorial para o controle de vetores.

As ações de monitoramento, vigilância e controle das arboviroses no Brasil relatam do tempo colonial com o império, com ações de promoção, prevenção e proteção à saúde, controle de vetores, combate a Febre Amarela nos portos do Brasil. Ao longo de décadas em virtude das alterações climáticas brutais, o comportamento de uma infinidade de espécies de vetores foram alteradas, doenças como: mayaro vírus, oropouche vírus, febre amarela. Que antes estavam restritas a região Amazônica, hoje encontram-se espalhadas por todo o território nacional, inclusive na região sul do País. Muitas delas foram negligenciadas ao longo do espaço e do tempo como as leishmanioses, doença de chagas, entre outras. E vem aparecendo com maior frequência na atualidade contemporânea.

A dengue se tornou a principal arbovirose que afeta o ser humano e se constituiu num dos principais problemas de saúde pública não só no Brasil, mas em todo o globo terrestre. O seu vetor Aedes aegypti que tem preferência pelo clima tropical, e subtropical com grande potencial de transmissão de uma infinidade imensa de arboviroses como Zika vírus, Febre Chikungunya e Febre Amarela.



Fazer controle e combate das arboviroses no Brasil tem se tornado cada vez mais um grande desafio, num pais continental, com clima tropical, muito calor, umidade e chuvas ao longo do tempo condições ideais e propícias para a proliferação do referido vetor.

As condições ambientais estão diretamente relacionadas ao aumento das arboviroses em todo território nacional, é preciso realizar um trabalho interinstitucional, intersetorial e multidisciplinar envolvendo diversas secretarias dos Governos Estaduais e Municipais. Secretárias como Educação, Saneamento, Limpeza Urbana, Infraestrutura, Transporte, Habitação, Meio Ambiente, Defesa Civil, entre outras, devem estar integradas durante todo o ano para realização de monitoramento, manejo e controle das arboviroses no Brasil. A equipe de gestão deve ser pró ativa na tomada de decisão, a notificação oportuna de agravos e doenças deve acontecer na rotina, a fim de evitar surtos ou epidemias durante todo o ano.

Preciso ter profissionais qualificados e com vasto conhecimento sobre a sazonalidade das doenças, seu histórico ao longo do tempo, comportamento dos vetores, entre outros. Para o devido mapeamento estratégico das ações com priorização das áreas de maior risco. Sem ações integradas de forma continuada e permanente dificilmente as equipes conseguem sucesso nas atividades de controle vetorial.

O recolhimento e a cobertura adequada para coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos, a condições de saneamento com redes pluviais sem acumulo de água paradas em bueiros, grelhas e pontas de redes, os quintais e terrenos baldios com matos altos, a falta o escassez da água em algumas localidades, o número adequado de profissionais para cobertura de todo o território, o apoio da administração pública municipal, o controle legal, interferem de forma direta para o sucessos das ações de promoção, prevenção e controle das arboviroses. Necessidade de ações de conscientização e mobilização social junto a comunidade durante do ano, e com sua intensificação no período do verão.

Combater as doenças endêmicas é dever meu, seu, de todos. O poder público sozinho com sua secretaria de saúde não é capaz de resolver esse problema grandioso que afeta milhares de pessoas no Brasil.Precisamos estar integrados nas ações de controle vetorial, pois juntos somos mais fortes.

TV Diário

Redação

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