Se o Paraguai é tão bom para os negócios, por que Luciano Hang ainda não inaugurou uma Havan lá?

Se o Paraguai é tão bom para os negócios, por que Luciano Hang ainda não inaugurou uma Havan lá?


Empresário tem 10,5 milhões de seguidores no Instagram, número superior à população inteira do Paraguai. Enquanto o Brasil ocupa a 10ª posição entre as maiores economias mundiais, a Havan continua expandindo suas lojas no mercado brasileiro, inclusive após ter crescido durante governos do PT.

Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá

O empresário Luciano Hang, proprietário da Havan, manifestou interesse em investir no Paraguai, país que oferece incentivos tributários para atrair empresas estrangeiras. Entretanto, enquanto estuda abrir lojas no território paraguaio, continua ampliando sua rede no Brasil, onde construiu uma das maiores operações varejistas do país.

A comparação entre os dois mercados revela diferenças importantes. O Brasil está entre as dez maiores economias mundiais, enquanto o Paraguai aparece próximo da 95ª posição no ranking de Produto Interno Bruto (PIB) nominal, conforme levantamento baseado em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).



Outro número chama a atenção: Luciano Hang possui aproximadamente 10,5 milhões de seguidores no Instagram. Isso representa mais do que toda a população do Paraguai, estimada oficialmente em 6,46 milhões de habitantes em 2026.

O contraste não significa que seguidores sejam consumidores ou que todos residam no Brasil. Porém, permite dimensionar a presença digital do empresário diante da população do país onde pretende investir.

Luciano Hang tem um Paraguai inteiro e mais 4 milhões de seguidores no Instagram

COMPARAÇÃO EM NÚMEROS

Luciano Hang

10,5 mi

Seguidores no Instagram

Paraguai

6,46 mi

Habitantes em 2026

+4,04 milhões

62,5% a mais que a população inteira do ParaguaiComparação entre 10.500.696 seguidores, registrados pelo HypeAuditor em 6/11/2026, e 6.460.159 habitantes, projeção oficial do INE paraguaio para 2026. HypeAuditor+1

A diferença equivale a aproximadamente 4,04 milhões de pessoas ou contas a mais.

Em outras palavras, o número de seguidores do empresário corresponde a 1,63 vez a população paraguaia.

É uma comparação de escala, não de faturamento. Os seguidores podem estar em diferentes países, e uma conta de Instagram não representa necessariamente uma pessoa única ou um comprador.

Ainda assim, o dado mostra a dimensão da audiência de Hang nas redes sociais e ajuda a ilustrar a diferença entre alcance digital e mercado consumidor.

Brasil é a 10ª maior economia mundial; Paraguai aparece na 95ª posição

O tamanho das economias é outro fator relevante para empresários que consideram transferir suas operações para o exterior.

Segundo o ranking publicado pelo StatisticsTimes, com base nas projeções do FMI de abril de 2026, o Brasil ocupa a 10ª posição mundial em PIB nominal. O Paraguai aparece na 95ª colocação.

🇧🇷 BRASIL

10º

US$ 2,64 tri

PIB nominal projetado

🇵🇾 PARAGUAI

95º

US$ 60,5 bi

PIB nominal projetado

43,5 vezes

A economia brasileira é aproximadamente 43,5 vezes maior que a paraguaia nessa base de comparação.Fonte: StatisticsTimes, com projeções do FMI de abril de 2026. Statistics Times+1

Essa diferença não significa que o Paraguai seja um destino inadequado para investimentos. Empresas exportadoras podem encontrar vantagens relevantes em países com mercados internos menores.

Entretanto, para negócios que dependem de grandes volumes de vendas ao consumidor final, o tamanho do mercado brasileiro pode representar uma vantagem estratégica.

O PIB também não deve ser confundido com o faturamento do comércio. Ele mede a produção econômica total de um país.

Fechar uma empresa no Brasil para reabrir no Paraguai pode representar riscos

O Paraguai oferece incentivos tributários para atrair indústrias, especialmente por meio do regime de maquila, voltado à exportação.

O sistema prevê condições fiscais diferenciadas para empresas que cumpram os requisitos legais.

Porém, uma grande indústria brasileira precisa avaliar mais do que os impostos antes de encerrar suas atividades no Brasil e transferir a produção para o país vizinho.

Imagine uma empresa que produza milhares de unidades por mês e venda a maior parte delas no mercado brasileiro.

Ao mudar sua fábrica para o Paraguai, poderá reduzir determinados custos. Entretanto, precisará considerar transporte internacional, câmbio, logística, documentação aduaneira, fornecedores e distribuição.

Além disso, a população paraguaia pode não representar demanda suficiente para absorver sua produção. Nesse caso, a empresa precisará exportar para o Brasil ou conquistar compradores em outros mercados.

Essa situação não inviabiliza automaticamente o investimento. Afinal, o regime de maquila foi desenvolvido justamente para estimular a produção destinada ao exterior.

O risco aparece quando uma empresa transfere toda a operação sem calcular adequadamente sua dependência dos mercados importadores.

E se o Brasil resolver adotar tarifas comerciais semelhantes às de Donald Trump?

As políticas tarifárias adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocaram o comércio internacional no centro das discussões econômicas.

Diante disso, surge uma hipótese: como ficaria uma empresa brasileira instalada no Paraguai se as condições comerciais de acesso ao Brasil fossem alteradas?

Uma indústria que depende de exportar sua produção para consumidores brasileiros poderia enfrentar dificuldades caso surgissem novos custos de importação.

Entretanto, Brasil e Paraguai fazem parte do Mercosul. O bloco possui acordos comerciais que estabelecem condições específicas para a circulação de mercadorias entre seus integrantes.

Por isso, o governo brasileiro não poderia simplesmente criar uma tarifa punitiva contra qualquer empresa que decidisse produzir no Paraguai, desconsiderando os compromissos internacionais.

Também não há confirmação de uma medida brasileira destinada a taxar especificamente empresas que transferiram suas operações para o Paraguai.

Trata-se de um cenário hipotético, não de uma política anunciada.

Mesmo assim, riscos comerciais e mudanças regulatórias fazem parte do planejamento de investimentos industriais de longo prazo.

Luciano Hang elogia o Paraguai, mas continua ampliando a Havan no Brasil

‘O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional’, diz fundador da Havan | Portal Sacre

Em julho de 2026, Luciano Hang visitou o Paraguai e se reuniu com autoridades do país, incluindo o presidente Santiago Peña.

Segundo o jornal paraguaio La Nación, o empresário estudava a possibilidade de abrir duas lojas da Havan, uma na região metropolitana de Assunção e outra no leste do país.

Em entrevista publicada pela Exame em 4 de outubro, Hang confirmou o interesse em expandir a rede para o Paraguai. Entretanto, ainda não havia anunciado prazo de inauguração ou investimento definido. La Nación+1

Até a apuração desta reportagem, não foi localizada confirmação posterior de uma loja Havan inaugurada no Paraguai.

No Brasil, a situação é diferente.

Luciano Hang projetou chegar a 203 lojas até o final de 2026. Além disso, afirmou acreditar que o mercado brasileiro ainda comporta entre 300 e 400 unidades da rede.

Uma publicação recente do empresário identificou a terceira loja da Havan em Londrina, no Paraná, como a unidade de número 199. VOANTE

Portanto, a expansão brasileira continua sendo uma realidade documentada, enquanto a entrada no Paraguai permanece como projeto nas fontes consultadas.

Havan cresceu durante os governos do PT e continuou expandindo depois

A trajetória da Havan também oferece dados relevantes para compreender a relação entre empresas e diferentes governos federais.

Luciano Hang é conhecido por suas críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT). Entretanto, os registros da própria Havan mostram que a rede cresceu durante administrações petistas.

AnoGoverno federalLojas da Havan
2008Lula (PT)16
2012Dilma Rousseff (PT)50
2013Dilma Rousseff (PT)62
2014Dilma Rousseff (PT)86
2017Michel Temer (MDB)100
2020Jair Bolsonaro150
2022Jair Bolsonaro (PL)174
2026Lula (PT)203 previstas

Fontes: histórico institucional da Havan e entrevista à Exame. Os números representam marcos divulgados pela empresa. O total de 203 lojas é uma projeção, não um resultado confirmado. Havan RI+1

Entre 2008 e 2014, período integralmente situado em governos do PT, a Havan passou de 16 para 86 lojas, crescimento líquido de 70 unidades.

Esse dado não representa o total de inaugurações realizadas durante todos os governos petistas, pois não contempla o início de 2003 nem todo o período posterior.

Também não significa que o crescimento tenha ocorrido exclusivamente por causa de políticas do governo federal.

A expansão dependeu de decisões empresariais, investimentos privados, consumo, crédito e condições econômicas.

Entretanto, os números demonstram que a Havan conseguiu ampliar sua operação durante governos de diferentes partidos.

Havan projeta faturar R$ 22 bilhões em 2026

A dimensão econômica da empresa também ajuda a compreender a importância do mercado brasileiro.

Segundo informações apresentadas pela Exame, a Havan encerrou 2025 com receita bruta de R$ 18,34 bilhões e lucro líquido de R$ 1,49 bilhão.

Para 2026, Luciano Hang projetou faturamento de R$ 22 bilhões. Exame INSIGHT

Esses resultados mostram a dimensão da operação construída no Brasil.

O Paraguai pode representar uma oportunidade de expansão internacional. Entretanto, não há informação confirmada de que a empresa pretenda substituir suas operações brasileiras por lojas paraguaias.

A estratégia anunciada indica interesse em ampliar mercados, não em abandonar o Brasil.

Se o Paraguai é tão vantajoso, por que a Havan ainda não inaugurou uma loja lá?

A pergunta exige considerar a diferença entre comércio varejista e produção industrial.

Uma rede como a Havan depende diretamente de consumidores, localização das lojas, fluxo de clientes e capacidade de compra.

Já uma indústria exportadora pode instalar sua produção em um país de menor população e vender a maior parte dos produtos no exterior.

Portanto, a ausência de uma loja Havan inaugurada no Paraguai não demonstra, por si só, que investir naquele país seja uma decisão ruim.

Da mesma forma, os impostos menores não garantem que qualquer empresa terá resultados superiores ao transferir sua operação.

No caso da Havan, os fatos disponíveis mostram que Luciano Hang continua identificando oportunidades de crescimento no Brasil.

O empresário tem uma audiência de aproximadamente 10,5 milhões de seguidores no Instagram, superior à população inteira do Paraguai. Ao mesmo tempo, sua rede permanece concentrada no mercado brasileiro.

São informações distintas, mas que ajudam a dimensionar a presença pública do empresário e a escala de seus negócios.

Brasil ou Paraguai? O tamanho do mercado precisa entrar na conta

O Paraguai pode oferecer vantagens tributárias e oportunidades de investimento para determinados setores.

O Brasil, por sua vez, possui uma economia muito maior, ampla base de consumidores e uma estrutura produtiva diversificada.

Uma empresa que avalia transferir suas atividades precisa considerar todos esses fatores.

Dependendo do setor, instalar uma unidade adicional no Paraguai pode reduzir custos e ampliar a competitividade. Em outros casos, fechar a operação brasileira pode aumentar despesas e riscos.

A comparação com a Havan não permite concluir qual país é melhor para todas as empresas. Entretanto, mostra que uma companhia pode considerar oportunidades internacionais e, ao mesmo tempo, continuar investindo fortemente no Brasil.

Luciano Hang estuda abrir lojas no Paraguai, mas ainda projeta centenas de unidades no mercado brasileiro.

E os números ajudam a dimensionar essa escolha: o empresário possui aproximadamente 10,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto o Paraguai tem cerca de 6,46 milhões de habitantes.

São mais de 4 milhões de seguidores além de toda a população paraguaia.

A diferença não mede diretamente o potencial de vendas, mas reforça a importância de analisar a escala dos mercados antes de tomar decisões empresariais.

No fim, impostos menores podem representar uma vantagem. Porém, a localização dos clientes, os custos de operação e a capacidade de vender continuam determinantes para qualquer investimento.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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