O brasileiro precisa parar de ser papagaio: repetir o que os outros dizem não é estar informado

O brasileiro precisa parar de ser papagaio: repetir o que os outros dizem não é estar informado


Com tanta informação disponível na internet, falta a muitos brasileiros o hábito de pesquisar, conferir as fontes e formar suas próprias opiniões. Compartilhar é fácil, mas conhecer a verdade exige um pouco mais de esforço.

Por Gilmar Ferreira

Nunca foi tão fácil encontrar informações. Com um celular na mão e acesso à internet, qualquer brasileiro pode consultar documentos públicos, pesquisar leis, comparar notícias, conhecer diferentes versões de um acontecimento e verificar declarações.

Mesmo assim, existe um comportamento que merece reflexão: o de repetir aquilo que alguém falou, escreveu ou publicou nas redes sociais sem sequer procurar saber se a informação é verdadeira.



É o comportamento do papagaio. Escuta, aprende algumas palavras e repete. Mas não necessariamente compreende o que está dizendo.

Parabéns, Rigon! Você já influenciava Maringá quando nem existia internet!

O problema é que estamos falando de pessoas que têm condições de pesquisar, questionar e desenvolver suas próprias conclusões.

A informação está disponível, mas falta disposição para procurar

Antigamente, pesquisar exigia mais esforço. Era necessário recorrer a bibliotecas, jornais impressos, enciclopédias e outras fontes que nem sempre estavam ao alcance de todos.

Hoje, boa parte dessas informações pode ser consultada em poucos minutos.

Túnel do tempo

Quer saber quanto uma prefeitura gastou em determinada contratação? Consulte o Portal da Transparência e os documentos da licitação.

Quer saber como um deputado ou vereador votou? Procure os registros oficiais do Legislativo.

Alguém afirmou que determinada lei foi aprovada? Consulte o texto da legislação e confira o que realmente mudou.

Entretanto, muita gente prefere simplesmente acreditar na primeira publicação que aparece na tela.

É mais fácil compartilhar uma frase de efeito do que dedicar alguns minutos à leitura de um documento.

Ter opinião é diferente de conhecer os fatos

Todo cidadão tem direito de expressar suas opiniões. O problema começa quando uma opinião passa a ser apresentada como verdade absoluta, sem qualquer fundamento.

Nas redes sociais, uma pessoa faz uma afirmação. Outra compartilha. Uma terceira acrescenta algo que não estava na publicação original.

Em pouco tempo, uma informação sem comprovação pode circular como se fosse um fato confirmado.

E existe outro problema: quando alguém apresenta documentos que contradizem aquela narrativa, nem sempre as pessoas estão dispostas a reconsiderar o que acreditavam.

Isso acontece porque, em determinadas situações, defender uma opinião parece mais importante do que descobrir o que realmente aconteceu.

Mas desde quando mudar de opinião diante de uma prova passou a ser motivo de vergonha?

Vergonha deveria ser continuar espalhando uma informação falsa depois de conhecer os fatos.

A internet não transforma qualquer publicação em verdade

Também precisamos compreender que encontrar alguma coisa no Google não significa, automaticamente, encontrar a verdade.

A internet oferece acesso a informações confiáveis, mas também abriga mentiras, conteúdos manipulados, documentos fora de contexto e publicações produzidas para provocar indignação.

Por isso, pesquisar não significa apenas digitar uma pergunta e aceitar a primeira resposta.

É necessário verificar quem publicou, quando publicou, de onde vieram os dados e se existem documentos que sustentam aquela informação.

Até mesmo conteúdos produzidos por inteligência artificial podem apresentar erros. Portanto, a tecnologia deve ajudar na pesquisa, não substituir o senso crítico.

O cidadão bem informado não é aquele que conhece todas as respostas. É aquele que sabe procurar, comparar e reconhecer quando ainda não existem elementos suficientes para chegar a uma conclusão.

Não seja torcedor de uma informação. Seja investigador dos fatos

Existe uma diferença enorme entre procurar a verdade e procurar apenas alguma coisa que confirme aquilo em que já acreditamos.

Quando alguém pesquisa somente para encontrar argumentos favoráveis à própria opinião, deixa de investigar e passa a selecionar informações por conveniência.

Isso vale para política, economia, administração pública, saúde e praticamente qualquer assunto.

Se uma informação favorece alguém de quem você gosta, confira.

Se prejudica alguém de quem você não gosta, confira também.

A verdade não deveria depender de simpatia, amizade, preferência política ou identificação pessoal.

O mesmo rigor utilizado para questionar uma pessoa precisa ser aplicado quando a informação envolve alguém que admiramos.

Caso contrário, não estamos procurando fatos. Estamos apenas defendendo nossas preferências.

Compartilhar sem conferir também é uma responsabilidade

Quem publica uma informação assume uma responsabilidade. Mas quem compartilha também participa de sua divulgação.

Uma acusação falsa pode prejudicar uma pessoa inocente. Uma notícia distorcida pode comprometer a reputação de uma empresa. Uma informação incorreta sobre saúde pode levar alguém a tomar uma decisão perigosa.

Por isso, antes de encaminhar uma mensagem, vale fazer três perguntas simples:

  1. Quem está afirmando isso?
  2. Existe algum documento ou fonte confiável que comprove?
  3. Eu realmente entendi o assunto ou estou apenas repetindo o que alguém disse?

Se não souber responder, talvez seja melhor pesquisar antes de compartilhar.

O brasileiro precisa trocar a preguiça de pesquisar pelo hábito de questionar

Não se trata de exigir que todos sejam especialistas em política, economia, direito ou qualquer outra área.

Também não podemos ignorar que nem todos possuem o mesmo acesso à internet, à educação ou às ferramentas necessárias para interpretar documentos complexos.

Mas quem dispõe desses recursos pode utilizá-los melhor.

Precisamos desenvolver o hábito de desconfiar de afirmações prontas, procurar fontes confiáveis e ouvir diferentes versões.

E, principalmente, precisamos aprender a dizer: “Não sei. Vou pesquisar antes de falar.”

Essa frase demonstra muito mais responsabilidade do que repetir uma informação sem conhecer sua origem.

A internet colocou uma quantidade extraordinária de conhecimento ao nosso alcance. Entretanto, nenhuma ferramenta consegue obrigar alguém a pensar.

O celular pode ser moderno, a conexão pode ser rápida e a inteligência artificial pode responder em segundos. Nada disso substitui a disposição de compreender o assunto.

No fim das contas, a diferença entre uma pessoa informada e um papagaio não está na capacidade de repetir palavras, mas na capacidade de entender aquilo que está dizendo.

E, antes de compartilhar a próxima publicação, fica uma pergunta: você sabe que aquilo é verdade ou está apenas repetindo o que alguém falou?

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TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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