ANO NOVO, NOVOS PLANOS FINANCEIROS

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Não importam os objetivos nem como fazer, registrar o planejamento financeiro e estabelecer prazos encurtam o caminho para concretizar metas pessoais; mesmo quem é expert no assunto, continua se planejando.

Foi com planejamento pessoal e disciplina que a gerente de marketing Késsia Stemmer mudou os rumos da história dela. De família simples, ela viu nos estudos e no autocontrole uma forma de alcançar os objetivos. “Minha família era pobre mesmo, já precisei catar latinhas na rua e comer restos de comida, mas aos 17 anos li o livro ‘Pai Rico, Pai Pobre’, de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter, e foi aí que despertei para o que precisava fazer para ter uma vida melhor. Aprendi a guardar dinheiro no começo do mês quando ainda ganhava meio salário-mínimo”, diz.

A lição aprendida na juventude permanece na rotina de Késsia. “Entendi desde cedo que se você não se paga, não tem capacidade de pagar outras pessoas, por isso, para mim, o planejamento pessoal é a chave para uma vida saudável e equilibrada. Guardar dinheiro no fim do mês, por exemplo, não funciona”.

Com quase 19 anos de experiência na área de marketing, Késsia, que trabalha na Coopercard, reconhece a importância do consumo, mas defende o equilíbrio. “Consumir faz parte da vida. Nossas realizações pessoais e profissionais passam pelo consumo, afinal, até para cursar uma faculdade é preciso algum investimento financeiro”, diz. O problema, segundo ela, é quando há excessos. “Quando há desequilíbrio nas finanças, todas as áreas da vida são afetadas. Nos tornamos mais ansiosos e preocupados e até os relacionamentos acabam sendo afetados”, diz.

“É quase uma terapia”

Adepta da tecnologia, até pela área de atuação profissional, na hora de fazer o planejamento pessoal, Késsia não abre mão do bom e velho caderno. É ali que ela anota tudo: uma ou duas metas por área, gastos fixos e variáveis e, assim, consegue ter uma visão de ‘onde está pisando’. “É quase uma terapia. Reviso as anotações uma vez por semana e, dessa forma, consigo saber onde saí da linha e onde tenho folga e aí, sim, posso me permitir, ou não, fazer outros compromissos como uma ida ao salão, jantar num restaurante ou churrasco com amigos”, diz.

Segunda ela, é importante ter metas para cada área. “Não é olhar só o lado financeiro, é preciso planejar tempo de qualidade com a família, convívio com amigos, almejar conhecimentos etc”. Késsia também recomenda começar devagar. “Fazer duas ou três metas é muito melhor do que tentar controlar tudo de uma vez só e se frustrar. Não adianta ter 20 metas para o ano que vai começar e chegar ao fim de janeiro e perceber que tudo já se perdeu. A direção é mais importante que a velocidade”.

Para não virar decepção

Assim como nas empresas, o planejamento ajuda a ter uma visão ampla e, se bem executado, garante sustentabilidade também à vida pessoal. “Definir o que se deseja alcançar inspira as pessoas, agrega as famílias e promove bem-estar e disposição”, afirma o consultor André Freitas, que trabalha instruindo pessoas e empresas na área financeira.      Tão importante quanto planejar é executar com assertividade, ou seja, ter clareza de como os recursos financeiros estão sendo geridos, afinal, na maioria das vezes é a condição financeira que determina as possibilidades de consumo e lazer. “Estamos falando de sonhos, de felicidade misturada a prazer, conquistas que serão compartilhadas com pessoas que amamos, então, acreditar nisso e desenvolver o hábito de poupar para realizar os sonhos une a família no caminho”, diz.

Segundo o consultor, a forma de planejar varia para cada pessoa e é menos importante do que é registrado no planejamento. “Cada um encontrará a maneira predileta, o que for mais prático e acessível, não tem uma regra, pode ser em uma agenda um planner ou simplesmente papel e caneta”, diz. O importante, de acordo com Freitas, é criar a visualização das metas, que devem ser mensuráveis, específicas, temporais, tangíveis e substanciais. Outra dica é criar formas de lembrar do sonho todos os dias. “Pode ser uma foto de um local ou objeto de desejo, um perfume ou algo que remeta ao sonho. A ideia é que os planos sejam estimulados diariamente e que a pessoa sinta que o caminho percorrido está sendo traçado para um final feliz”, diz.

Três sonhos

Freitas detalha as informações que devem constar no planejamento pessoal. “Pelos menos três sonhos, um de curto prazo (até um ano), de médio prazo (de dois a dez anos) e longo prazo (acima de dez anos). Depois é preciso estipular as datas para concretização, registrar o valor total, a descrição do sonho e o valor mensal que será direcionado. Também é fundamental descrever todas as fontes e valores de receitas para os próximos 12 meses, assim como as despesas”, diz.

Para quem está em um nível avançado de controle e planejamento, três metas por área são o ideal, mas para quem está começando a se planejar, três sonhos são mais que suficientes. Para ilustrar isso, Freitas usa uma fala do professor Luciano Salamucha que diz: “Colocar no planejamento objetivos inalcançáveis é como reservar para o futuro uma decepção”, por isso, seguir as orientações com cautela vai impedir essa situação. “Quando são criadas várias metas que não serão alcançadas é porque não se definiu um plano de ação, pois só planejar não é suficiente, é preciso refletir sobre como será feito. Isso é tão importante quanto definir os sonhos”.

Combate ao endividamento

Há 15 anos, quando observou o crescimento dos níveis de endividamento das famílias, Antonio Zotarelli, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e um grupo de professores criaram um projeto de educação financeira. No início o público-alvo eram estudantes do ensino médio de escolas públicas, mas com o tempo, os docentes passaram a integrar a equipe do projeto ‘Educação Financeira Sustentável’, encabeçado pela Pró-reitoria de Recursos Humanos e Assuntos Comunitários da UEM.

Desde 2007, quando os projetos se fundiram, cerca de 4,3 mil servidores da UEM e seus familiares foram beneficiados, além de outras seis mil pessoas da comunidade foram impactadas por meio de palestras e cursos em escolas e empresas. “Quando começamos o trabalho, havia falta de conteúdo curricular que tratasse de finanças pessoais, foi aí que identificamos a necessidade de a universidade disseminar conceitos e práticas sobre o tema, tanto para a comunidade interna quanto externa”, diz.

Segundo o professor, ‘Educação Financeira Sustentável’ é um conjunto de orientações e esclarecimentos sobre posturas e atitudes adequadas quanto ao planejamento, ganho e uso do dinheiro. “A ideia é ajudar as pessoas a ter uma vida bem-sucedida e equilibrada financeiramente, apresentando conteúdos práticos e de fácil entendimento”, diz. Entre os conteúdos abordados no curso estão introdução aos conceitos de educação financeira sustentável; crenças financeiras adquiridas quando criança; modelo de dinheiro; orçamento familiar; consumo consciente e noções e alternativas de investimentos. Os alunos também aprendem os mandamentos da vida financeira saudável e os efeitos que o descontrole pode causar na saúde física e mental.

Conhecimento: quanto antes, melhor

Um dos alunos do curso foi Gustavo Pereira, quando ele tinha 18 anos e queria ingressar no mercado de trabalho com noções de organização financeira. Hoje, aos 27 anos, ele é arquiteto e tem o próprio escritório. “Quando eu fiz o curso, era sustentado por meus pais e não tinha renda, mas enxergava a necessidade de aprender a lidar com as contas, ter organização financeira e aprender a investir, para quando começasse a ganhar o próprio dinheiro”, conta.

No curso, Pereira aprendeu a se organizar financeiramente e ter autocontrole, além de conhecer os tipos de investimentos. Hoje ele se mantém fiel ao que aprendeu. “Aprendi a importância de detalhar os gastos para ter controle sobre o dinheiro e saber com o que estou gastando, e foi por meio dessa organização que consegui me planejar para comprar o que queria e fazer as viagens que sonhava. Aprendi a sempre separar uma parte da renda e fiz investimentos: renda fixa, variável, abertura de empresa e compra de imóveis”, acrescenta.

Fonte : Acim

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