Curitiba :“Desconfie de quem nos empurra para a morte”, desabafa Greca após pressões contra bandeira laranja

“É um ano eleitoral e há candidatos a prefeito, vereadores e que estão, com ambição, fazendo discurso político”, disse o prefeito.
Desde a divulgação da bandeira laranja pela Prefeitura de Curitiba, alguns setores diretamente afetados – restaurantes, bares e academias – têm intensificado a pressão contra a suspensão das atividades. Em tom de desabafo, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, afirmou que é preciso ficar atento àqueles que, com interesses políticos, tentam empurrar Curitiba para a morte.
“Desconfie de quem nos empurra para a morte. É um ano eleitoral e há candidatos a prefeito, vereador e que estão, com ambição, fazendo discurso político, quando se pede o respeito às normas de saúde pública. O Brasil não pode conviver com desobediência civil, quando se precisa de regras sanitárias”, disse o prefeito, em vídeo postado na rede social Facebook na noite desta segunda-feira (16).
Uma reunião na tarde de ontem definiu que a Prefeitura de Curitiba estudará, nesta semana, novas regras para a reabertura de academias. Em países europeus, a atividade só foi liberada após números concretos de queda na transmissão do coronavírus. Para o prefeito, o ideal é evitá-las. “Vou colocar minha vida em risco e fazer atividades? Quando médios infectologistas renomados, como o doutor Cláudio Arns (presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia), dizem: ‘Não faça, você vai ser infectar e vai morrer’”, destacou.
O prefeito ainda explicou o motivo dos shoppings não terem a atividade suspensa totalmente na bandeira laranja. “Ah, mas shoppings estão aberto. Não! Sábado e domingo fechados e abertos apenas em dias sem aglomeração, porque há empregos ali. Mercados cheios? Nossas equipes de fiscalização já fecharam vários. Ônibus cheio? Espere outro! Estou pagando por ônibus vazio, para que se ande com 50% de lotação, e peço ao governador que a COMEC (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) faça a mesma coisa nos ônibus metropolitanos”, ponderou.
Greca ainda falou sobre o aumento na transmissão do vírus e que não se pode descartar um lockdown (restrição total das atividades) se a situação não melhorar na capital. “Eu pauto todas as minhas decisões pelo profundo respeito à vida humana e amor a gente de Curitiba. Com tristeza, tive que tomar medidas que empurraram nossa cidade para restrições de atividades. O índice de transmissão do vírus pulou de 1,1 para 1,2 e chegou a 1,3. Nosso esforço é não irmos ao 1,4 e entrarmos em um lockdown”, explicou.
O prefeito ainda lamentou o aumento de mortes pelo coronavírus em Curitiba. “Temos desembargadores infectados, deputado infectado, vizinho infectado. Os doentes começam a ter nomes. Estamos conhecendo as pessoas”, desabafou.