Desligue o alerta!

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Ester Corrêa

Se pudéssemos compreender o quão necessário são essas duas palavras, carregaríamos menos bagagens do que costumamos.

Em tempos de tantas evoluções, tarefas, perdas, inseguranças, é comum que ativamos nosso modo “alerta” na intenção de estarmos prontos aos possíveis ataques da vida.

Nessa tentativa, que na maioria das vezes mais prejudica do que ajuda, adoecemos sem perceber e quando damos conta, estamos imersos em uma carga emocional sem explicação. Vinda de onde? Das vezes que tentamos ser perfeitos, agradar o outro, corresponder aos anseios e as expectativas alheias. Viver dessa forma, é como estar constantemente de “coleira”.

O termo parece meio rude, mas revela exatamente a realidade desse modelo de vida, que nós mesmos adotamos sem perceber. Ser guiado pelos padrões impostos pela sociedade, crenças familiares limitantes, modo de pensar dos demais, é morrer parcelado.

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Estranho, soa mal, parece um conceito duro demais, mas é real, e pode ter certeza que essa conta virá em algum momento das nossas vidas. E sabe o que é mais triste? Descobrir que perdeu de ser feliz por inúmeras vezes por motivos banais, que não fazem a menor diferença em absolutamente nada. Então porquê fazemos tanto isso? A ciência explica, e os motivos são vários. No entanto, não iremos nos prender a esse lado no momento. O fato é, que motivos para não adotar essas atitudes têm de sobra. A pandemia mesmo, no qual ainda estamos atravessando, nos mostrou o quanto a vida é um sopro — ela está aqui agora, de repente se foi.

Outro caso dentre tantos, a perda inesperada da cantora Marília Mendonça. Jovem, cheia de sonhos, profissional, mãe, esposa, filha e dona de tantas qualidades, difíceis de elencar aqui. Ela se foi — deixou tudo para trás, de uma forma impiedosa. Não temos dúvidas que será recebida e homenageada da mesma forma em que fazia aqui, porém, não imaginava jamais que aquele seria seu último abraço, o último adeus. Então, porque vivemos pela metade, importamos tanto com a opinião alheia a nosso respeito, damos tanta importância as palavras de quem não conhece a nossa essência?

Nunca vamos saber o nosso último momento. Assim, desligue um pouco, se coloque no modo silencioso, escute tudo, mas absorva o mínimo. Seja gentil consigo mesmo, não se cobre tanto, afinal, ninguém é uma máquina. Se necessário, afaste de relacionamentos tóxicos, de quem te julga, aponta o dedo, e sobretudo, de quem compete com sua felicidade.

Ela não estará presente todos os dias, e está tudo bem, só não permita que alguém tire o direito de vivenciá-lo quando puder. A final, não sabemos quando será esse nosso último momento. Então, desligue o alerta, importe apenas com o necessário, ative a compaixão, e desate a coleira!

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