Do clamor pelo golpe ao poder: ela virou vereadora e ele ganhou cargo no governo Ratinho Junior

Deus, Pátria e Família… com cargo público? Esse é o novo slogan da vereadora?
O golpe de 8 de janeiro de 2023 foi um marco negativo na história recente do Brasil. Naquele dia, apoiadores radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em uma tentativa de contestar o resultado legítimo das eleições de 2022, que levaram Luiz Inácio Lula da Silva de volta à Presidência da República. O ato foi amplamente condenado dentro e fora do Brasil, sendo comparado a outras tentativas de golpe contra democracias modernas.
Enquanto alguns envolvidos enfrentaram consequências severas, como prisões e processos judiciais, outros acabaram se beneficiando de sua participação nos atos golpistas. Um exemplo disso pode ser observado na cidade de Maringá, no Paraná. Enquanto um empresário local foi preso por financiar os ataques em Brasília, outras figuras públicas e empresários que apoiaram o movimento não sofreram grandes consequências.
O caso da vereadora Giselli Bianchini e de seu marido, Júnior Cesar Lopes Bianchini, ilustra essa situação. Giselli, que esteve envolvida nas manifestações, viu sua popularidade aumentar e conseguiu votos suficientes para se eleger vereadora. Seu marido, por sua vez, segundo o portal de notícias Maringá News, do jornalista Angelo Rigon, Junior foi nomeado há 21 no governo Ratinho Junior (PSD) como chefe do núcleo regional da Secretaria de Estado do Trabalho, Qualificação e Renda, cargo de símbolo CCE-7, com remuneração de R$ 7.860,12 mensais. Esse caso demonstra como algumas pessoas ligadas ao movimento não apenas escaparam de punições severas, mas também obtiveram vantagens políticas e profissionais.
Esse cenário expõe as contradições na resposta institucional aos atos antidemocráticos. Enquanto alguns manifestantes foram rapidamente identificados e responsabilizados, outros conseguiram transformar sua participação em trampolim para cargos públicos e influência política. Isso levanta questionamentos sobre a seletividade das punições e a eficácia das investigações.Já há comentários nas rodas de política de que, enquanto alguns foram presos e pedem anistia, o marido de Giselli Bianchini conseguiu um auxílio emergencial, referindo-se ao cargo no estado do Paraná.

O golpe de 8 de janeiro reforçou a necessidade de um sistema democrático sólido e de instituições fortes para impedir retrocessos. A punição dos envolvidos deve ser justa e equitativa, garantindo que aqueles que atentaram contra a democracia não fiquem impunes, independentemente de sua posição social ou influência política. O caso de Maringá é apenas um exemplo de como, em momentos de crise institucional, alguns podem sair beneficiados enquanto outros enfrentam as consequências mais severas.