Não é a pobreza que ameaça a segurança, é o preconceito

Não é a pobreza que ameaça a segurança, é o preconceito

Por Gilmar Ferreira

A fala da vereadora Giselli bianchini, que associa o aumento da insegurança em Maringá à presença de pessoas em situação de rua, revela um erro clássico do discurso político raso: mirar no sintoma e ignorar a causa. Em um post recente, ela chegou a citar São Paulo como exemplo positivo, afirmando que a cidade tem uma das menores taxas de homicídios por cem mil habitantes. Curiosamente, está certa nesse ponto. E é justamente aí que seu argumento desmorona.

São Paulo concentra entre 54 mil e 69 mil pessoas vivendo nas ruas, o que representa quase um quarto da população em situação de rua em todo o país. Mesmo assim, a capital paulista vem registrando alguns dos menores índices de homicídio do Brasil. Isso mostra, com dados e realidade, que pobreza não é sinônimo de violência.

O problema não está em quem dorme sob marquises ou pede ajuda nos semáforos. Está na ausência de políticas públicas consistentes, na falência dos serviços de acolhimento e na recusa sistemática de enxergar a desigualdade como um problema coletivo. Criminalizar os vulneráveis é uma estratégia antiga, covarde e ineficaz.

É mais fácil culpar quem está exposto do que enfrentar as falhas estruturais do Estado. Mas cidades que têm coragem de investir em moradia digna, saúde mental, inclusão e programas sociais — como as Vilas Reencontro, criadas em São Paulo — mostram que é possível cuidar da segurança sem desumanizar ninguém.

Fazer política com base no medo talvez garanta aplausos rápidos. Mas não constrói soluções. E muito menos justiça.

Se queremos cidades verdadeiramente seguras, precisamos parar de tratar o pobre como ameaça. A segurança nasce de equilíbrio, de inclusão e de dignidade. Sem isso, o que se alimenta é apenas o preconceito.

Créditos de Imagem: Foto da Manchete do Maringa Post

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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