25 milhões para SRM poderá ser uma moeda de troca ou de financiamento de campanhas em 2026?

25 milhões para SRM poderá ser uma moeda de troca ou de financiamento de campanhas em 2026?

A liberação de um investimento milionário por parte do governador Ratinho Junior e do secretário Guto Silva para uma entidade particular que já possui uma arrecadação milionária, como é o caso da SRM, levanta um questionamento necessário e urgente: quais critérios definem as prioridades do governo a menos de um ano das eleições?

Não se trata apenas do aporte financeiro, mas do momento em que ele ocorre. Em ano pré-eleitoral, qualquer decisão volumosa de recursos públicos deve ser analisada com lupa. E aqui surge um questionamento legítimo: Henrique Pinto, liderança influente e com capital político e financeiro, poderá apoiar Ratinho Junior ou Guto Silva utilizando a estrutura da SRM ou, pior, supostamente contribuindo financeiramente para essas possíveis campanhas?

É evidente que não há prova de irregularidade. Mas também é evidente que o governo cria um ambiente de suspeição ao optar por beneficiar justamente uma entidade que já possui arrecadação robusta, enquanto outras instituições de Maringá e do Paraná, culturais, assistenciais, esportivas e até rurais, sobrevivem com dificuldades para manter projetos sociais e infraestrutura básica.

O contraste é gritante. Enquanto algumas entidades enfrentam sérias dificuldades para continuar funcionando, a SRM, que administra eventos de alta rentabilidade e movimenta cifras expressivas, recebe um reforço milionário às vésperas da corrida eleitoral. Não é apenas uma questão técnica, mas de sinal político. E o sinal enviado é, no mínimo, confuso.

Transparência e moralidade não são apenas requisitos legais, mas pilares essenciais para preservar a confiança pública. Em um cenário em que a política brasileira enfrenta desgaste contínuo, decisões desse tipo alimentam dúvidas, fortalecem narrativas de favorecimento e fragilizam a credibilidade institucional.

O governo, se pretende afastar qualquer sombra de interesse eleitoral, precisa explicar com clareza:

  • Por que a SRM e não entidades que enfrentam crise financeira?
  • Qual o retorno público desse investimento?
  • Quais critérios foram usados para justificar o repasse?
  • Como se assegura que essa liberação não será usada como moeda política em 2026?

A sociedade merece respostas antes que a normalização da “zona cinzenta” eleitoral vire regra.
Em tempos de desconfiança, o poder público não pode agir como se não devesse explicações.
E a SRM, pela dimensão que possui, também tem responsabilidade em reforçar sua independência e compromisso com a lisura.

Porque, no fim, o que está em jogo não é apenas dinheiro público.
É a confiança de uma cidade inteira e, talvez, de um Estado.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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