Apropriação de obras federais levanta dúvida: Ratinho ou Chupim em 2026?
Nos bastidores da política nacional, um apelido tem circulado com cada vez mais força: Chupim. A comparação se deve ao pássaro que coloca seus ovos no ninho alheio e deixa que outros façam o trabalho, apropriando-se do resultado. É justamente essa imagem que muitos começam a associar ao governador do Paraná, Ratinho Junior, enquanto ele tenta consolidar sua presença na corrida presidencial de 2026.
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A crítica se intensificou com a forma como o governo estadual tenta se apropriar politicamente do Minha Casa, Minha Vida, programa federal que financia mais de 90% das unidades habitacionais entregues no estado. Rebatizado como Casa Fácil, o programa vem sendo apresentado como um grande mérito do governo estadual, enquanto a origem dos recursos permanece estrategicamente omitida nos discursos públicos. Deve ser por isso que o programa se chama Casa Fácil: o Governo Federal faz praticamente tudo e o governo do Paraná faz pouca coisa e inaugura.
O mesmo padrão se repete quando o governador inaugura obras federais como se fossem conquistas próprias. Placas, discursos e cerimônias cuidadosamente organizadas passam ao cidadão comum a sensação de que o governo estadual é o responsável direto pelos investimentos. Na prática, porém, quem financiou a estrutura foi a União.
Há ainda o episódio da redução do IPVA, amplamente celebrada pelo governo estadual, mas BEM ANTES aumentou o ICMS. O efeito combinado fez com que o Estado saísse ganhando, enquanto os municípios perdessem receita. Não se trata de defender imposto alto, mas de cobrar responsabilidade e equilíbrio. Quando o Estado reduz uma fonte de arrecadação e compensa essa queda aumentando outra que não repassa proporcionalmente aos municípios, cria-se um desequilíbrio grave no pacto federativo.
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É importante lembrar que o Estado não produz riqueza; quem produz são os municípios, onde estão as empresas, o comércio, os serviços, a agricultura, a indústria e os trabalhadores que realmente movimentam a economia. A arrecadação, porém, vai majoritariamente para o Estado e para a União, que muitas vezes tomam decisões que beneficiam setores específicos enquanto deixam os prefeitos de mãos amarradas, sem recursos suficientes para manter serviços básicos.
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Nesse contexto, surge a pergunta que começa a ecoar no meio político: como está o Chupim na corrida presidencial? Ele avança, é verdade, mas avança apoiado em recursos, obras e programas que não são dele. Cresce na sombra do trabalho dos outros e tenta transformar investimentos federais em patrimônio eleitoral próprio.
No fim das contas, talvez o apelido seja apenas um reflexo de um problema maior. É difícil apresentar-se como exemplo para o Brasil quando a estratégia depende tanto de ocupar ninho alheio para tentar voar mais alto.


