X vira termômetro político: seguidores de Ratinho Junior exigem transparência

X vira termômetro político: seguidores de Ratinho Junior exigem transparência

Ratinho presidente: quanto o Grupo Massa, da família, vai faturar em verba pública e quanto de imposto será sonegado ou perdoado?

O governo do Paraná tem investido fortemente em comunicação institucional para sustentar a narrativa de que o Estado vive um momento exemplar de gestão. No entanto, há fatos recentes que seguem sem respostas objetivas e que não desaparecem com discursos otimistas nem com a tentativa de deslocar o debate para temas de política externa.

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Os áudios que vieram a público, inicialmente divulgados por O Diário de Maringá e posteriormente repercutidos em veículos de alcance nacional, como a Folha de S.Paulo e o Metrópoles, continuam sendo um ponto sensível para o Palácio Iguaçu. Não se trata de comentários informais de bastidores, mas de material que ganhou relevância pública e que, até o momento, não foi enfrentado com esclarecimentos diretos e completos por parte do governo estadual.

Enquanto isso, problemas concretos persistem em regiões do próprio Estado. O litoral paranaense enfrenta períodos recorrentes de falta de água e, em Paranaguá, cidade estratégica e uma das mais populosas da região, há relatos consistentes sobre dificuldades na operação do SAMU, incluindo a insuficiência de ambulâncias. São questões básicas de gestão pública, diretamente ligadas à qualidade de vida e à segurança da população.

Ainda assim, o governador Ratinho Junior optou recentemente por priorizar manifestações públicas sobre temas internacionais, como a situação política da Venezuela. A escolha não passou despercebida nem mesmo entre seus seguidores. Nas próprias publicações do governador nas redes sociais, internautas passaram a utilizar o espaço de comentários para cobrar explicações sobre assuntos locais e sobre os áudios envolvendo a Sanepar.

O usuário Simão, identificado como @claudinhosimon, questionou diretamente o governador ao escrever: “E os áudios da Sanepar, é verdade aquela história que anda circulando, governador?”. Já o internauta Antônio C. Alcântara, identificado como @TonyAlcantara70, foi ainda mais enfático ao comentar: “E os áudios da Sanepar? Alguma notícia? Você estava tão quietinho. Como fica esta história da grana do PPR para sua campanha?”. Em seguida, o mesmo usuário afirmou não entender por que o governador se manifesta sobre soberania de outro país enquanto, segundo ele, deveria falar sobre corrupção em seu próprio governo.

As manifestações chamam atenção não pelo tom, mas pela origem. Não se tratam de críticas publicadas em veículos de oposição ou por adversários políticos declarados, e sim de cobranças feitas por cidadãos que acompanham e interagem diretamente com o governador em suas redes sociais. Isso evidencia que o desconforto com o silêncio oficial extrapolou o campo editorial e alcançou a base de apoiadores.

Se o Paraná pretende, de fato, se apresentar como exemplo para o Brasil, há perguntas que não podem ser evitadas. Entre elas, a necessidade de esclarecimentos transparentes sobre denúncias e suspeitas envolvendo a Sanepar, especialmente no que diz respeito a possíveis irregularidades que, segundo o noticiário, teriam relação com financiamento político. Cabe ao governo esclarecer o que foi apurado, o que foi investigado e quais conclusões foram formalmente adotadas.

Da mesma forma, é legítimo o questionamento público sobre os critérios de destinação de verbas de publicidade oficial, incluindo quanto desses recursos é direcionado a grupos de comunicação ligados à família do governador, como o Grupo Massa. Transparência nesse campo não configura ataque político, mas sim o cumprimento de um dever republicano.

O debate também envolve declarações públicas do apresentador Ratinho, pai do governador, sobre impostos e carga tributária. Quando figuras públicas fazem afirmações dessa natureza, é natural que surjam questionamentos sobre a situação fiscal de seus negócios e sobre a existência ou não de pendências junto à União. Esclarecer fatos é a forma mais eficaz de afastar especulações e fortalecer a confiança institucional.

O povo paranaense não exige unanimidade política nem discursos alinhados a um único campo ideológico. Exige respostas. Exige que temas de interesse direto da população sejam tratados com prioridade, seriedade e transparência. Governar também é enfrentar desconfortos. Neste momento, o silêncio sobre questões centrais tem produzido mais desgaste do que qualquer crítica editorial.

Falar de política internacional pode render manchetes passageiras. Resolver problemas locais e esclarecer fatos de interesse público é o que sustenta, de forma duradoura, a credibilidade de um governo.

Redação O Diário de Maringá

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