Vaza áudio que sugere chantagem política na cúpula da Sanepar e envolve Ratinho Junior

Vaza áudio que sugere chantagem política na cúpula da Sanepar e envolve Ratinho Junior

A divulgação de mais um áudio envolvendo nomes centrais do governo do Paraná aprofunda um clima de desconfiança que já vinha se formando em torno da Sanepar. Não se trata de fofoca política ou conversa irrelevante de corredor. O conteúdo é sério, direto e, acima de tudo, desconfortável para quem ocupa cargos de poder.

A seguir, a transcrição do áudio, que precisa ser lida com atenção, sem filtros e sem interpretações convenientes:

Transcrição do Áudio
“Bedeu, bom dia meu irmão, tudo bem? Hum, do Claudio eu escuto bastante sabe, que está destruindo tudo e eu ouvi falar no gabinete que o Claudio… foram reclamar do Claudio pro governador, que o governador ameaçou tirar o Claudio e que o Claudio chantageou o governador. Eu ouvi isso lá dentro tá, que o Claudio chantageou o governador pra continuar no cargo. Deve ser com a história dos dinheiros das empreiteiras né? Agora da Priscila cara, é… ninguém fala um A dela.”

O que esse relato revela é um ambiente político tomado por tensão, medo e acordos não explicados. Segundo o áudio, Claudio Stabile, presidente da Sanepar, teria permanecido no cargo após, supostamente, chantagear o governador Ratinho Júnior. A palavra é forte, mas foi dita dessa forma no áudio, e por isso não pode ser ignorada nem suavizada.

A menção a “dinheiros das empreiteiras” torna tudo ainda mais grave. Ela sugere que informações sensíveis, envolvendo recursos e interesses privados, estariam sendo usadas como moeda de troca dentro do próprio governo. Se isso for verdade, estamos diante de algo que vai muito além de divergências administrativas. Estamos falando de possível uso do poder para autoproteção e manutenção de cargos.

Chama atenção também o contraste feito no áudio em relação a Priscila Brunetta. Enquanto o nome do presidente da companhia aparece cercado de críticas e conflitos, sobre ela, segundo o relato, “ninguém fala um A”. Priscila ocupa uma posição estratégica, especialmente na condução das Parcerias Público-Privadas de esgoto, projetos que movimentam cifras altas e impactam diretamente o futuro do saneamento no estado.

Esse silêncio não é normal. Em ambientes saudáveis, decisões importantes geram debate, questionamentos e transparência. Quando o que se vê é barulho de um lado e silêncio absoluto de outro, a sensação que fica é a de blindagem, proteção ou acordos que não chegam ao conhecimento da sociedade.

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É importante deixar claro: este editorial não condena pessoas antecipadamente. Mas também não aceita que denúncias tão sérias sejam tratadas como se não existissem. O que está em jogo não são apenas cargos ou disputas internas, mas a credibilidade de uma empresa pública e a confiança da população em quem governa.

O governo do Paraná precisa falar com clareza. Precisa explicar se houve ameaça, se houve chantagem, se existem relações indevidas com empreiteiras e por que determinados nomes parecem fora de qualquer questionamento interno. Fingir que nada aconteceu só aumenta a crise.

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Quando os bastidores falam tão alto, o silêncio oficial deixa de ser prudência e passa a soar como omissão. E, em democracia, omissão diante de fatos graves nunca é uma opção aceitável.

O áudio de Rogério Pazzoto, que trabalha na Casa Civil, em conversa com Bedeu, exige perícia imediata e, se confirmada a veracidade, o governo Ratinho Junior terá muito a explicar à sociedade paranaense.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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