Com a lama da Sanepar chegando à cozinha do governo, Paulo Martins estaria disposto a se sujar para atender aos interesses de Ratinho Junior?
Enquanto Guto Silva cultiva uma imagem pública leve, associada ao beach tennis e à presença constante em eventos ao lado do governador Ratinho Junior, cresce, nos bastidores da política paranaense, a percepção de que essa exposição não tem produzido os efeitos políticos esperados.
A estratégia de visibilidade, frequentemente impulsionada por postagens e notícias da comunicação oficial do Governo do Estado, é vista por interlocutores como uma tentativa de projeção pessoal. No entanto, o retorno político seria limitado, sobretudo após o vazamento de áudios que colocaram tanto Guto Silva quanto o próprio governador sob questionamentos públicos. Se confirmada a autenticidade e o conteúdo desses materiais, haverá explicações a prestar não apenas à sociedade paranaense, mas também às instâncias da Justiça.
Coragem ou falta de responsabilidade: a decisão do governo Ratinho Junior
Nesse cenário de incertezas, surgem especulações cada vez mais recorrentes na capital. Circula entre lideranças políticas uma espécie de “bolsa de apostas” sobre uma possível reconfiguração de alianças no núcleo do poder estadual. A hipótese mais comentada aponta que Ratinho Junior poderia, nos próximos meses, trocar de parceiro político e colocar em campo, ou na quadra de beach tennis, o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins.
Sanepar e Governo Ratinho Junior não causam boa impressão em contrato de quase R$ 10 milhões
Paulo Martins é reconhecido como alguém da cozinha do governador, figura próxima, de confiança e muito bem avaliada no círculo íntimo do poder. Quase chegou ao Senado e mantém capital político próprio. A pergunta que começa a ganhar força, porém, é direta: com a chegada de tanta lama vinda da Sanepar à cozinha de Ratinho Junior, Paulo Martins estaria disposto a se sujar um pouco para atender aos interesses do governador? E, mais do que isso, teria garantias reais de apoio para sustentar um projeto que mire o Palácio do Iguaçu?
A leitura predominante nos bastidores é a de que Guto Silva já não atenderia plenamente aos interesses políticos do governador. Soma-se a isso o desgaste provocado por denúncias envolvendo suposto caixa dois na campanha de Ratinho Junior, tema sensível que ainda carece de esclarecimentos formais. Nesse contexto, a eventual ascensão de Paulo Martins ao centro do tabuleiro levanta uma dúvida inevitável sobre custo e benefício político em um ambiente carregado de suspeitas.
Por ora, tudo permanece no campo das conjecturas. A política é dinâmica e implacável com quem perde capacidade de entrega. Resta aguardar para ver se os próximos movimentos confirmarão a troca de parceiros ou se o jogo continuará o mesmo, com novas fotos, novos eventos e a persistente dificuldade de transformar visibilidade em capital político real.


