Coincidência ou método? Práticas atribuídas a Sandro Alex lembram roteiro já visto com Guto Silva
É este o método Paraná citado com orgulho por Ratinho Junior?
Os fatos que vieram à tona na apuração conduzida pelo Ministério Público Federal no Paraná não podem ser tratados como mera rotina administrativa. O que está em análise diz respeito a condutas ocorridas entre 2015 e 2018, período em que Sandro Alex Cruz de Oliveira já exercia mandato como deputado federal, e revelam, se confirmadas, uma distorção grave na relação entre poder político, dinheiro público e hierarquia funcional.
No centro do caso está o relato do então assessor parlamentar Eduardo Pimentel da Silva, que afirma ter sido levado a contrair um empréstimo consignado em nome próprio após assumir cargo no gabinete. Segundo o depoimento, o empréstimo não teria atendido a interesses pessoais, mas sim a demandas vinculadas ao entorno do mandato parlamentar.
O relato é objetivo. O salário do assessor passou a sofrer descontos mensais para pagamento do empréstimo, enquanto despesas classificadas como divulgação da atividade parlamentar continuavam sendo custeadas com recursos públicos. Valores recorrentes, notas fiscais padronizadas, empresas que orbitam o gabinete e movimentações financeiras que suscitam dúvidas legítimas sobre onde termina o interesse público e onde começa o privado.
É fundamental registrar: não se trata de condenação antecipada. A investigação está em curso, e cabe às instituições esclarecer os fatos com rigor técnico e respeito ao devido processo legal. Mas ignorar o conteúdo do depoimento e o conjunto documental seria fechar os olhos para um padrão já conhecido da política brasileira: a normalização de práticas eticamente questionáveis sob o manto da formalidade.
É aceitável que um assessor parlamentar assuma dívidas pessoais para sustentar estruturas que deveriam ser mantidas exclusivamente pelo mandato? É razoável que verbas públicas se repitam mês após mês sem transparência proporcional sobre a efetiva prestação do serviço? Onde termina a relação funcional e começa o abuso de poder?
O ponto mais preocupante não está apenas nos valores ou nos extratos bancários, mas na cultura política que permite que situações assim se perpetuem por anos, protegidas pelo silêncio institucional e pela assimetria de poder entre quem manda e quem obedece.
Convém destacar, por honestidade intelectual, que os fatos investigados não dizem respeito ao período em que Sandro Alex ocupou o cargo de Secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Paraná, função exercida posteriormente no governo Ratinho Junior. Essa informação é relevante como contexto político, mas não integra o objeto da apuração.
Mandato não é banco.
Assessor não é fiador.
E verba pública não pode servir como colchão para práticas privadas, ainda que travestidas de legalidade.
Se ao final da investigação ficar comprovado que nada houve de irregular, a transparência terá cumprido seu papel. Mas, se os indícios se confirmarem, o caso envolvendo Sandro Alex Cruz de Oliveira e o relato de Eduardo Pimentel da Silva será mais um alerta de que o problema não está apenas em indivíduos, mas em um sistema político que insiste em confundir legalidade com legitimidade.
O silêncio, nesse contexto, não é prudência.
É conivência.
O que não pode acontecer no Brasil passa hoje pela gestão Ratinho Junior


