Bolsonaro é muito maior que Lula, isso é fato, mas a história julga por atos
O ditado popular “tamanho não é documento” talvez nunca tenha sido tão ilustrativo quanto na trajetória recente de Jair Bolsonaro. Não se trata de altura, bravata ou pose de valentia. Trata-se de como um líder se comporta quando deixa o palanque e enfrenta a realidade da Justiça.
De um lado está Luiz Inácio Lula da Silva, com 1,68 metro de altura e 80 anos. Do outro, Jair Bolsonaro, com 1,85 metro e 70 anos. A diferença física é evidente. A diferença de postura política é gritante.
Como presidente da República, Bolsonaro não apenas tensionou a relação com o Supremo Tribunal Federal. Ele insultou o STF, desacreditou decisões judiciais e, em discurso inflamado diante de milhares de apoiadores, sugeriu que o ministro Alexandre de Moraes deveria “sair enquanto ainda havia tempo”. Não foi uma frase isolada. Foi parte de uma estratégia de confronto permanente, construída em palanques, transmissões ao vivo e atos públicos.
Esse ambiente de radicalização não ficou restrito ao discurso. Investigações conduzidas no âmbito do STF revelaram a existência da chamada Operação Punhal Verde e Amarelo, que apurou um **plano para assassinar Lula, o ministro Alexandre de Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Os fatos foram investigados e não são retórica política. São autos, depoimentos e provas analisadas pela Justiça.
Durante anos, Bolsonaro construiu a imagem do “mito”, do político “imorrível”, “imbrochável”, celebrada inclusive em medalhas entregues a aliados e admiradores. Era o mesmo Bolsonaro que dizia, sem constrangimento, que Lula apodreceria na cadeia, e que comemorou publicamente a prisão do adversário.
O contraste veio quando o jogo virou.
Até pouco tempo, Bolsonaro se dizia saudável, forte e pronto para disputar novas eleições. Bastou a Justiça avançar, com restrições, investigações e responsabilizações, para surgir um Bolsonaro fragilizado, que adota o discurso de vítima e perseguição. O mito deu lugar ao homem que reclama, se queixa e tenta sensibilizar a opinião pública.
Lula, goste-se ou não dele, passou 580 dias preso. Enfrentou a cela, o isolamento e o desgaste histórico. Não pediu ruptura institucional, não insuflou ataques ao Supremo, não se colocou acima da lei. Apostou no processo legal e voltou pelo voto.
Bolsonaro escolheu o caminho oposto. Preferiu o confronto, a intimidação verbal e a deslegitimação das instituições. Agora, diante da cobrança judicial, tenta vestir o figurino de perseguido político, abandonando a imagem de coragem que sustentou por conveniência.
No fim, a lição é dura, mas necessária. Coragem não é gritar para multidões. Não é ameaçar ministros. Não é distribuir medalhas com slogans vazios. Coragem é responder à Justiça sem tentar destruí-la quando ela deixa de servir aos próprios interesses.
Na política brasileira recente, ficou claro que tamanho não é documento.
Documento é caráter institucional.
E esse, quando finalmente cobrado, separa o discurso do homem.
Imagem da Manchete feita por IA


