A Assembleia Legislativa do Paraná não pode virar refúgio político para Carlos Martins

A Assembleia Legislativa do Paraná não pode virar refúgio político para Carlos Martins

O vereador Carlos Martins (PSD) teve o mandato extinto após apresentar renúncia irrevogável e irretratável, conforme Ato da Presidência de 08 de janeiro de 2026, publicado pela Câmara Municipal de Paiçandu. O documento declara extinto o mandato nos termos da Lei Orgânica Municipal, mas não esclarece oficialmente os motivos da renúncia.

Nos bastidores políticos de Paiçandu, contudo, a renúncia é associada a uma série de processos judiciais enfrentados pelo ex-vereador desde 2024. Segundo informações que circulam na cidade, Carlos Martins é réu em pelo menos cinco ações judiciais. Quatro delas apuram abuso de autoridade, perseguição e desrespeito a servidoras da Câmara Municipal.

O caso considerado mais grave tramita em segredo de justiça e investiga assédio sexual contra duas servidoras do Legislativo. De acordo com o relato, vítimas e testemunhas possuem medidas protetivas concedidas pelo Judiciário, a pedido do Ministério Público. Esse processo está em fase de julgamento, com expectativa de conclusão a qualquer momento.

Vape gera multa e apreensão

Para parte da população local, a renúncia é vista como uma tentativa de evitar um desgaste maior, diante da possibilidade de condenação judicial e consequente perda definitiva do mandato. Comentários na cidade também apontam que o ex-vereador teria manifestado a intenção de assumir um cargo de assessor de deputado, hipótese que, na avaliação de observadores da política local, não seria um bom negócio para o parlamentar, em razão da repercussão negativa envolvendo o nome do ex-vereador.

O grande condomínio Paraná: quando a esperteza do síndico vira método de gestão

Carlos Martins exerceu quatro mandatos completos e parte de um quinto mandato como vereador. Ao longo desse período, sua atuação passou a ser associada, segundo críticas recorrentes da população, à prática do chamado “jeitinho brasileiro”, especialmente na intermediação de vagas em creches e no acesso a consultas, exames e atendimentos na área da saúde. Moradores de Paiçandu relatam, inclusive nas redes sociais, que o tempo de espera por atendimento na saúde pública pode ultrapassar dois anos, enquanto casos pontuais seriam resolvidos por meio de “fura-fila”, o que gera indignação.

Além das ações por assédio sexual e perseguição a servidoras, o ex-vereador também responde a um processo por improbidade administrativa, relacionado a suposto direcionamento de licitação.

Processos citados (Comarca de Paiçandu)

  • 0002652.81.2024.8.160210
  • 0002252-67.2024.8.160210
  • 0004312-13.2024.8.160210
  • 0002244-56.2025.8.16.0210
  • 0002244-90.2024.8.16.0210 (assédio sexual)

Na avaliação de pessoas próximas ao cenário político local, a renúncia também evitaria que Carlos Martins enfrentasse uma derrota formal no Legislativo, caso os processos avancem para julgamento definitivo.

A posse do suplente está marcada para o dia 13 de janeiro de 2026, às 9h, na Câmara Municipal de Paiçandu.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *