Definitivamente, 2026 não será um ano “Massa” para Ratinho,Ratinho Junior e Guto Silva
Participação do Arleen Fundo de Investimentos em empresa responsável pelo Tayayá Resort, em Ribeirão Claro, conecta empreendimento turístico à cadeia financeira citada em apurações envolvendo o Banco Master. Contexto se soma a pressões políticas enfrentadas pelo governo do Paraná.
O início de 2026 não tem sido tranquilo para o núcleo político e empresarial que orbita o governo do Paraná. Informações societárias e reportagens recentes revelam que o Arleen Fundo de Investimentos manteve, ao menos até maio de 2025, participação acionária na Tayayá Administração e Participações, empresa responsável pelo Tayayá Aqua Resort, localizado em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro do Estado.
O dado ganha relevância porque o Arleen Fundo de Investimentos aparece citado em reportagens como integrante de uma cadeia de fundos conectada à chamada “teia financeira” investigada em torno do Banco Master, instituição que vem sendo alvo de apurações sobre a estruturação de fundos, operações cruzadas e possíveis irregularidades no sistema financeiro.
Conexão financeira indireta, mas sensível
Segundo o que foi divulgado até agora, não há indicação de que o Arleen seja alvo direto das investigações, nem de que o Tayayá Resort esteja envolvido em qualquer ilegalidade. A ligação ocorre por meio de cadeias de participação e investimentos entre fundos, um modelo comum no mercado financeiro, mas que passa a exigir maior escrutínio quando parte dessa estrutura entra no radar de órgãos reguladores.
Em outras palavras, trata-se de uma conexão indireta, mas que levanta questionamentos legítimos sobre a origem dos recursos, a governança e os processos de due diligence, especialmente em empreendimentos que envolvem figuras públicas de grande projeção.
Ratinho como sócio do grupo Tayayá
Outro ponto central da apuração é a presença do apresentador e empresário Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Junior, como sócio de empreendimentos ligados ao grupo Tayayá.
Ratinho é citado como investidor em projetos do grupo tanto em Ribeirão Claro quanto em Porto Rico, municípios onde o grupo desenvolve negócios voltados ao turismo e lazer de alto padrão. Até o momento, não há qualquer acusação formal de irregularidade envolvendo Ratinho ou os empreendimentos.
Ainda assim, a revelação de que um fundo ligado, ainda que indiretamente, a estruturas investigadas teve participação societária na empresa reacende o debate sobre transparência empresarial quando negócios privados se cruzam com figuras públicas e famílias de governantes.
Pressão política paralela no governo estadual
O contexto se torna ainda mais delicado porque essas informações surgem no mesmo período em que o governador Ratinho Junior enfrenta desgaste político provocado pela divulgação de áudios que levantam suspeitas de arrecadação irregular de campanha, supostamente envolvendo recursos da Sanepar.
Nessas gravações, que circulam nos bastidores políticos e foram objeto de matérias jornalísticas, aparece o nome do então secretário Guto Silva, apontado por adversários como possível operador financeiro do esquema. O caso gerou pedidos públicos de investigação e ampliou a pressão sobre o Palácio Iguaçu.
O que é fato e o que ainda precisa ser esclarecido
Até agora, os fatos objetivos são:
- o Arleen Fundo de Investimentos manteve participação em empresa ligada ao Tayayá Resort até maio de 2025;
- esse fundo aparece conectado, por cadeia de investimentos, a estruturas financeiras citadas em investigações envolvendo o Banco Master;
- Ratinho é sócio de empreendimentos do grupo Tayayá.
O que ainda precisa ser esclarecido é:
- se houve, em qualquer ponto dessa cadeia, uso de recursos de origem irregular;
- se os sócios tinham conhecimento da composição dos fundos investidores;
- e se as investigações financeiras avançarão a ponto de alcançar os empreendimentos turísticos.
Transparência como resposta
Especialistas ouvidos em casos semelhantes destacam que ter fundos como sócios não é ilegal, tampouco incomum. O problema surge quando a falta de transparência impede a sociedade de compreender quem investe, de onde vem o dinheiro e quais controles existem.
Em um cenário no qual o governo estadual já enfrenta questionamentos políticos relevantes, a associação, ainda que indireta, entre fundos investigados, grandes empreendimentos privados e familiares de autoridades reforça a necessidade de apuração rigorosa.


