Gestão Silvio Barros não tem problema na Comunicação, mas de comunicação

Gestão Silvio Barros não tem problema na Comunicação, mas de comunicação

A primeira reunião de secretários de 2026 expôs um problema que já vinha sendo ignorado por conveniência ou descuido. O principal gargalo da atual gestão não está na Secretaria de Comunicação. Está na incapacidade de parte do governo de compreender o que é comunicação pública.

A comunicação institucional virou pauta não por falha técnica, mas por excesso de demandas geradas pelo próprio governo. Há cerca de seis meses, a secretária Denise Silva sustenta a área em condições limitadas, enquanto a licitação da nova agência de publicidade segue sem conclusão. Ainda assim, o problema central não é estrutural. É político e cultural.

Secretários continuam tomando decisões relevantes, com impacto direto na população, sem qualquer alinhamento prévio com a Comunicação. O silêncio institucional que se segue não é neutro. Ele abre espaço para versões paralelas, distorções e ruídos que rapidamente se transformam em crises nas redes sociais.

Em um ambiente de hiperexposição digital, quem não comunica perde o controle da narrativa. E quem perde a narrativa perde credibilidade, autoridade e confiança. Isso não é detalhe técnico. É falha de gestão.

Distúrbios do sono elevam demanda por polissonografia

Os casos do Samu e, posteriormente, dos grafites, em 2026, ilustram com clareza o problema. Mudanças sensíveis foram decididas dentro das pastas responsáveis sem reunião prévia com a Secretaria de Comunicação. O procedimento correto seria simples e básico. Alinhar informações, definir o discurso institucional, antecipar questionamentos e só então comunicar oficialmente à imprensa e à sociedade. Nada disso foi feito.

O resultado foi previsível. Informação vazou de forma fragmentada, versões foram distorcidas e a gestão passou a reagir em vez de conduzir. Coube novamente à Comunicação apagar incêndios provocados por fogo amigo.

Matrículas de calouros para 2026 começam nesta terça-feira na UEM

Comunicação pública não é improviso nem etapa final do processo administrativo. É instrumento de prevenção. A Secretaria de Comunicação não é adivinha, não trabalha com suposições e não tem como explicar decisões que desconhece. Nem a inteligência artificial substitui o básico. Informação, alinhamento e método.

Persistir na lógica de que cada pasta é um território isolado é repetir um erro primário. Tudo o que acontece na administração municipal recai, inevitavelmente, sobre a comunicação institucional. É ela que enfrenta a imprensa, responde à sociedade e tenta reconstruir a credibilidade quando o desgaste já está instalado.

Governar sem comunicar é governar às cegas. Quando a comunicação entra apenas depois da crise, já não se trata de informar, mas de conter danos. Se a gestão pretende atravessar 2026 com menos desgaste e mais credibilidade, precisa compreender que comunicação não é favor. Para que isso aconteça, os secretários de todas as pastas não podem sair tomando decisões de forma isolada, sem antes informar a Secretaria de Comunicação. Se a decisão der certo, o mérito é compartilhado. Se der errado, é a Comunicação que acaba tendo de resolver o problema, explicar os fatos e administrar o desgaste.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *