Janeiro Branco revela lacunas no cuidado de superdotados

O Movimento Janeiro Branco, dedicado à conscientização sobre a saúde mental, tem impulsionado debates sobre como a sociedade lida com questões emocionais na vida adulta. Em paralelo, as exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforçam, no Brasil, a necessidade de abordar a saúde integral no ambiente de trabalho, incluindo fatores psicológicos que impactam o desempenho e a segurança.

Apesar dos avanços normativos, um grupo permanece fora das abordagens tradicionais: adultos altamente sensíveis e com características de superdotação que chegam ao diagnóstico tardiamente, após anos de adaptação e sensação de inadequação.

Pesquisas em psicologia indicam que cerca de 15% a 20% da população apresenta o traço conhecido como sensory-processing sensitivity (sensibilidade de processamento sensorial). Caracterizado por profundidade de processamento, empatia elevada e resposta marcante a estímulos, o traço — descrito pela psicóloga Elaine Aron — não é classificado como transtorno, mas como uma diferença neurológica que influencia a regulação emocional.

Muitos adultos sensíveis ou superdotados passam parte da vida sem reconhecimento adequado, sendo frequentemente rotulados como "intensos demais" ou buscando explicações que afastam a atenção da prática clínica.

Abordagem integrativa para alta sensibilidade

Neste contexto, a formação Profundidade sem Espelho apresenta-se como uma proposta que articula psicologia profunda, biografia humana e neurociência. Criada pela psicóloga e conselheira biográfica Luciana Zanon da Silva, a formação propõe um percurso de quatro meses voltado a adultos que buscam integração emocional e sentido vivencial, indo além do diagnóstico.

"O sofrimento dessas pessoas não vem da intensidade em si, mas da ausência de espelhamento ao longo da vida. Elas sentiram profundamente, mas precisaram aprender sozinhas a se traduzir. O desafio não é ‘chegar mais alto’, e sim oferecer chão para essa intensidade", afirma Luciana, conectando o tema à urgência de conversas que o Janeiro Branco promove.

A metodologia utiliza rituais de presença e arquétipos como campos de experiência, além de um dispositivo simbólico chamado "espiral de percurso", que auxilia o participante a acompanhar sua integração. A formação combina encontros online quinzenais e um encontro presencial, com o objetivo de promover uma escuta ética, evitando tanto a patologização quanto a espiritualização excessiva da dor.

O tema dialoga com debates emergentes em saúde ocupacional. Enquanto normas como a NR-1 enfatizam a responsabilidade de considerar aspectos de saúde integral, a realidade de pessoas sensíveis mostra que essas dimensões ainda exigem adaptação nas abordagens convencionais de saúde corporativa.

SERVIÇO

Formação Profundidade sem Espelho Público: Adultos altamente sensíveis e superdotados ou profissionais que trabalham com o tema Duração: 4 meses Formato: Encontros online quinzenais e encontro presencial final Condução: Luciana Zanon da Silva, psicóloga Inscrições: Mediante entrevista prévia Informações:@psilucianazanon

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