Aeroporto de Maringá: Quando o problema é visível, a omissão também é
A participação do superintendente do Aeroporto de Maringá, Gustavo Silva, na bancada da Jovem Pan Maringá, na manhã desta terça-feira, 13 de janeiro, expôs muito mais do que respostas protocolares. Escancarou uma postura que preocupa: a de empurrar para a burocracia aquilo que está evidente aos olhos de qualquer usuário do terminal.
O debate girou em torno de uma reportagem exclusiva do O Diário de Maringá, que trouxe o relato em vídeo de uma moradora de Barbacena. Ela elogiou a cidade, mas foi direta ao apontar que o aeroporto não corresponde ao padrão urbano de Maringá. Segundo o relato, a passageira aguardou cerca de 12 horas por um voo, encontrou banheiros em condições inadequadas de higiene e se surpreendeu com os preços elevados praticados na praça de alimentação, acima do que se observa em outros aeroportos do país.
Questionado por Regiane Guzzoni, o superintendente afirmou ter visto a matéria, mas condicionou qualquer providência a uma reclamação formal na ouvidoria do aeroporto, com horário exato do ocorrido. Em seguida, Edivaldo Magro relatou que o vereador Sidnei Telles havia feito críticas semelhantes às da passageira. A resposta foi rigorosamente a mesma.
Aqui está o ponto central do problema. Verificar as condições de limpeza dos banheiros não exige ofício, protocolo ou formulário eletrônico. Basta uma volta pelo terminal. Conferir os preços da praça de alimentação também não depende de ouvidoria: é só pedir um café, um pão de queijo ou um almoço e comparar com os valores praticados em outros aeroportos brasileiros. São medidas simples, diretas, compatíveis com a função de quem administra um espaço público estratégico para a cidade.
O que se esperava de um gestor público não era a transferência de responsabilidade para o usuário, mas a afirmação clara de que o problema foi identificado e que providências seriam adotadas. Ao optar por se escudar na burocracia, a impressão que fica é a de que se preferiu fingir que o problema não existe.
O episódio ganha contornos ainda mais simbólicos quando, ao ser questionado por Edivaldo Magro, Gustavo Silva confirmou que utiliza carro blindado, embora não ande armado. A pergunta, que soou quase retórica, reforçou a distância entre a realidade vivida por passageiros comuns e a postura de quem deveria estar mais próximo do cotidiano do aeroporto.
Por fim, é importante registrar que o programa da Jovem Pan Maringá está sendo apresentado interinamente por Kim Rafael, em razão das férias de Paulo Caetano. Vale o reconhecimento: Kim Rafael tem se saído bem como âncora, conduzindo os debates com firmeza e clareza, algo essencial quando o assunto envolve interesse público.


