Áudios vazados nesta quinta-feira revelam mais esgoto da Sanepar chegando ao Palácio do Iguaçu

Áudios vazados nesta quinta-feira revelam mais esgoto da Sanepar chegando ao Palácio do Iguaçu

A degravação das conversas envolvendo Wellington Bedeu, Rogério Pazzoto e Adriano Negrão revela um cenário que vai muito além de relatos individuais. Tratam-se de conversas inéditas, que chegaram à redação de O Diário de Maringá na noite desta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, e que expõem um método de pressão, intimidação e coerção dentro de uma das maiores empresas públicas do Paraná, a Sanepar.

Os relatos são graves e se repetem. Falam de pedidos constantes de dinheiro, de ingressos adquiridos sob constrangimento, de contribuições exigidas para eventos e campanhas, sempre acompanhadas de ameaças veladas ou explícitas. “Você gosta de trabalhar aqui?” A pergunta, segundo os áudios, não era retórica. Funcionava como aviso. Não se tratava de contribuição voluntária, mas de pagamento para permanecer no cargo.

Mais alarmante ainda é a lógica perversa narrada nas conversas. Trabalhadores que, pressionados por superiores, entregaram dinheiro para se manter acabaram posteriormente acusados de irregularidades e demitidos justamente por terem cedido à pressão. Há uma inversão completa de responsabilidades, em que a vítima se transforma em réu e o sistema permanece protegido.

As falas indicam um ambiente de medo institucionalizado, onde décadas de serviço público são usadas como instrumento de chantagem. A ameaça de demissão por justa causa, a destruição de reputações e o endividamento pessoal aparecem como consequências diretas desse mecanismo. Há menção, inclusive, a valores elevados arrecadados ao longo de um único ano, o que reforça a necessidade de apuração rigorosa, técnica e independente.

Outro ponto central é a descrição de uma cadeia de comando. Segundo os relatos, havia quem executasse ordens e quem efetivamente determinasse as cobranças. Essa estrutura, se confirmada, desmonta qualquer tentativa de tratar os fatos como episódios isolados ou desvios individuais.

Teor dos áudios:

Wellington Bedeu em conversa com Rogério Pazzoto

Wellington Bedeu: Opa, boa tarde meu amigão, tudo certo? Mas então, na verdade mesmo cara, na verdade, não dá Pazzoto. Como é que nós vamos brigar com esse Estabile aí cara? Você não lembra? Ele pegou lá, ele deu os ingressos para nós na mão lá, aquele dia em Curitiba. Deu na mão do Rafael lógico, né? Nós estávamos lá, você lembra? Estava o Estabile, eu acho que era Fabrício o nome do cara lá que era secretário dele, eu não tenho bem lembrança, mas eu acho que era Fabrício. Aí ele deu os ingressos lá e do baile era quinhentão cara e ainda falou desse jeito assim ó: para todo mundo comprar e é para não vir na festa. É só para comprar o ingresso e não vir na festa.

Wellington Bedeu: Pô velho, nós fomos lá, nós compramos. Eu mesmo trouxe oito para Cornélio. Distribuí: o gerente ficou com dois, mais dois para cada coordenador, eu tive que ficar com quatro. Aí eu tive que fazer um empréstimo lá no sindicato para pagar esses ingressos do cara. Aí depois o cara levou nós, montaram uma comissão, o cara pediu dinheiro para nós, nós demos, o cara mandou nós embora porque nós tínhamos dado dinheiro. Como é que nós vamos lutar com os caras desse velho?.

Wellington Bedeu: Você não lembra o inferno na minha vida começou quando eu fui lá reclamar daquela obra de esgoto lá bem no comecinho que eu assumi? Uma obra de esgoto dando um trabalho lá em Cornélio no distrito de Congonhas. Eu fui lá reclamar, você não lembra? Aí começou o inferno na minha vida cara. Ah, não tinha jeito de lutar contra o Estabile não velho, não tinha jeito.

Wellington Bedeu: Ele aí o cara pediu dinheiro o ano inteiro, nós demos lá, tinha que dar né, que não era… era sob ameaça. Eram aquelas ameaças e falando, primeiro quando chegava lá os caras falavam: você gosta de trabalhar na Sanepar né? Você gosta de trabalhar aqui? Desse jeito cara. Nós demos aí ele montou uma comissão, ele e a Priscilla né, e mandaram nós embora porque nós demos dinheiro. Ah cara, aí vou falar o que de um cara desse? Como é que nós vamos brigar? Não tem como, não tem como.


Wellington Bedeu em conversa com Adriano Negrão

Wellington Bedeu: Eu não te falei cara? Eu não te falei que a pressão lá… é que vocês não imaginam o que nós passamos cara. Vocês não têm nem noção. O cara, os caras chegavam em nós e falavam assim: ah então né, poxa vida hein cara, quase 30 anos de Sanepar e ser demitido por justa causa hein? Sair sem nada hein? Nossa, por causa de 2 mil reais. Se vira aí velho, nós estamos precisando pagar dívida. Se vira. Tinha um tal de Jamal lá do palácio lá, rapaz do céu, esse cara que passava a recolher.

Wellington Bedeu: Cara, nós não vencíamos. Ó, o Pazzoto deu mais de 100 mil reais em um ano, mais de 100 mil. Eu bati mais de 60 mil que eu tive… eu fiquei devendo na fundação, fiquei devendo no sindicato. Devo até hoje lá né, porque não tem como pagar né cara? Como é que eu ia pagar empréstimo? Rapaz, esses caras ainda falaram que nós tínhamos roubado. Ah você é louco, pelo amor de Deus cara. Os caras pediram dinheiro nosso, aí foram lá e abriram uma comissão para mandar nós embora. Ah meu, não dá para acreditar né?.


Wellington Bedeu em conversa com Adriano Negrão

Wellington Bedeu: Cara, cada evento que tinha na região aqui nós tínhamos ó… quando foi ter a exposição em Santo Antônio da Platina, quando teve exposição em Londrina cara, os caras viravam o inferno na vida nossa. Nossa senhora cara. A dívida existiu, existiu e existiu. Esse Estabile aí cara… só que assim: ele executava as ordens, quem dava as ordens era a Priscilla viu? Era a Priscilla que dava as ordens, ele só executava. E ele tinha o coração ruim né?.

Wellington Bedeu: Tanto é que ele pegou, pegou, pegou, pegou, pegou dinheiro nosso e depois abriu uma sindicância para mandar nós embora porque nós demos dinheiro para se manter no cargo. Olha cara, como é que você vai… olha só, se contar ninguém acredita.

Gostaria que eu fizesse um resumo dos principais pontos abordados nessas conversas ou prefere que eu analise algum trecho específico?

Redação O Diário de Maringá

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