Há suspeitas sobre possível lavagem de dinheiro em compra de imóvel feita em dinheiro vivo atribuída a Guto Silva

Há suspeitas sobre possível lavagem de dinheiro em compra de imóvel feita em dinheiro vivo atribuída a Guto Silva

Este seria o modelo Casa Fácil de Guto Silva?

Denúncia aponta que ex-chefe da Casa Civil do Paraná teria pago em dinheiro vivo por imóvel em área nobre de Curitiba; ex-esposa do vendedor confirma a transação e menciona parcela não quitada

Uma denúncia obtida pela Gazeta do Paraná lança novos questionamentos sobre negócios imobiliários envolvendo o atual secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, ex-chefe da Casa Civil do governo Ratinho Junior. O documento aponta a suposta compra de um terreno de alto padrão em Curitiba, com pagamento realizado em espécie, durante o período em que o político já ocupava um dos cargos mais estratégicos do Executivo estadual.

O imóvel citado na denúncia está localizado na Rua Francisco Dallalibera, nº 1120, no bairro Santa Felicidade, uma das regiões mais valorizadas da capital. Conforme dados da Prefeitura de Curitiba, a área integra um condomínio residencial com cerca de 36 mil metros quadrados, composto por residências unifamiliares, classificado como Zona Residencial 2, com parte do terreno sob restrição ambiental permanente.

Os personagens da negociação

Segundo a denúncia, o terreno pertencia aos empresários Ricardo Otto Rebel e à então esposa Vanessa Glaser Rebel, ambos conhecidos no meio empresarial curitibano. Registros públicos indicam que o casal foi sócio de uma academia inaugurada em 2009 no bairro Batel e também de uma empresa de consultoria empresarial posteriormente encerrada. Ambas as empresas constam atualmente como baixadas na Receita Federal.

Apesar disso, documentos oficiais comprovam a existência e atuação pública do casal à época, que também figurava com frequência em colunas sociais da capital paranaense.

Pagamento em dinheiro vivo

O ponto central da denúncia é a forma de pagamento do imóvel. De acordo com o relato, a negociação teria sido realizada diretamente com Guto Silva, com quitação em dinheiro vivo. Embora o pagamento em espécie não seja ilegal, a prática costuma chamar atenção de órgãos de controle quando envolve valores elevados, especialmente no caso de agentes públicos.

Em áudio atribuído a Vanessa Glaser Rebel, a empresária confirma ter tido conhecimento de que a transação seria feita dessa forma e relata o estranhamento causado à época:

“Olha, eu me lembro de ter visto algo escrito que me chamou atenção, que ia ser pago em espécie. E até eu falei: ‘nossa, quem tem dinheiro assim pra pagar em espécie, né? É uma quantia alta’. Isso me chamou atenção na época”, afirmou.

Vanessa também relata que a condução da negociação ficou sob responsabilidade do ex-marido, Ricardo Rebel, e que parte do valor não teria sido quitada, em razão de divergências entre as partes. Segundo ela, o episódio acabou se misturando a um litígio familiar, o que teria dificultado o desfecho do negócio.

Até o momento, não há registro público de investigação formal sobre a transação imobiliária mencionada na denúncia.

Evolução patrimonial sob análise

Outro ponto que reforça os questionamentos é a evolução patrimonial de Guto Silva ao longo de sua trajetória política. As declarações de bens apresentadas por ele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram um crescimento significativo em cerca de uma década.

Na primeira candidatura, em 2008, quando era professor universitário, Guto declarou patrimônio de aproximadamente R$ 130.949,00. Em 2010, o valor subiu para R$ 177.566,00. Já em 2014, o montante declarado foi de R$ 255.920,00.

Em 2018, quando concorreu pelo PSD, o total informado alcançou R$ 504.387,91, quase o dobro em quatro anos e praticamente quatro vezes o valor declarado uma década antes.

Desde que deixou de disputar cargos eletivos, não há novas declarações públicas de bens, uma vez que ex-candidatos não são obrigados a atualizar essas informações junto à Justiça Eleitoral.

Imóveis e novas apurações

Apesar da ausência de atualização oficial, a Gazeta do Paraná realizou cruzamento de dados em cartórios e cadastros públicos e identificou ao menos 15 imóveis registrados em nome de Guto Silva, distribuídos em diferentes municípios do Paraná.

Além disso, fontes ouvidas pela reportagem apontam que o secretário teria adquirido um imóvel de alto valor em Guaratuba, no litoral paranaense, informação que ainda está em fase de apuração.

A reportagem também informa que não foi possível, até o momento, avançar sobre bens eventualmente registrados em nome da esposa, Karina Amadori, ou de familiares próximos, o que será alvo de novas diligências.

O caso reacende o debate sobre transparência patrimonial, especialmente envolvendo agentes públicos que ocuparam cargos estratégicos no governo estadual. A Gazeta do Paraná seguirá acompanhando os desdobramentos e mantém espaço aberto para manifestações das partes citadas.

Redação O Diário de Maringá

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