Silêncio estratégico ou contradição política? Moro e as denúncias no Paraná

Silêncio estratégico ou contradição política? Moro e as denúncias no Paraná

O silêncio do senador Sergio Moro diante das denúncias que envolvem o governador Ratinho Junior e Guto Silva chama atenção e levanta questionamentos legítimos sobre a coerência de seu discurso político. Em um cenário em que há pedidos públicos de investigação sobre um suposto caixa dois na campanha do governador do Paraná, esperava-se de Moro, que construiu sua carreira política ancorado no discurso do combate implacável à corrupção, uma postura firme e coerente. No entanto, o que se vê é exatamente o oposto.

Enquanto lideranças políticas, partidos e setores da sociedade cobram apuração rigorosa dos fatos, Sergio Moro opta pelo silêncio. Mais do que isso, informações de bastidores indicam que o senador teria buscado apoio do próprio Ratinho Junior para viabilizar um eventual projeto eleitoral ao governo do Estado. A contradição é evidente e politicamente desconfortável.

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Não se trata aqui de antecipar julgamentos ou afirmar culpa de quem quer que seja. O ponto central é a incoerência entre o discurso e a prática. Quando denúncias atingem adversários políticos, o discurso do combate à corrupção costuma ser alto, duro e constante. Quando, porém, as suspeitas envolvem possíveis aliados ou interesses eleitorais estratégicos, o tom muda ou simplesmente desaparece.

Esse comportamento alimenta a percepção de que o combate à corrupção, tão exaltado por Moro no passado, tornou-se seletivo. Um instrumento retórico utilizado conforme a conveniência política do momento, e não um princípio inegociável. Para quem se apresenta como alternativa moral na política e pretende disputar o comando do Paraná, esse tipo de postura fragiliza a credibilidade.

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O eleitor paranaense tem o direito de questionar por que o silêncio agora. Por que não defender, ao menos, uma investigação transparente e independente, como sempre pregou. O compromisso com a ética pública não pode depender de alianças eleitorais nem de cálculos de poder.

Se Sergio Moro realmente pretende se apresentar como candidato ao governo do Estado, precisará explicar essas contradições. Porque, na política, o silêncio também fala. E, neste caso, fala alto.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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