Cenário político muda e Ratinho Junior e Guto Silva poderão não disputar as eleições de 2026
Conversas de bastidores cada vez mais recorrentes no meio político paranaense indicam que o secretário Guto Silva pode repetir, em 2026, o mesmo roteiro da última eleição: aparecer como pré-candidato competitivo, ser citado como nome forte nos bastidores, mas acabar fora da disputa no momento decisivo.
O enredo não é novidade. Na eleição passada, Guto Silva chegou a ser cotado com intensidade para uma vaga ao Senado, teve seu nome trabalhado politicamente, mas acabou não formalizando candidatura. Agora, segundo interlocutores do próprio grupo governista, cresce a aposta de que o desfecho pode ser novamente o recuo.
Desta vez, porém, o cenário é mais tenso. A volta das sessões da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) é vista nos bastidores como o verdadeiro termômetro político para que tanto Ratinho Junior quanto Guto Silva decidam seus próximos passos. Deputados estaduais, inclusive da base aliada, estariam pressionando por um desfecho claro das investigações que circulam no meio político, defendendo que elas avancem até o fim e punam os supostos culpados, sejam eles quem forem.
Esse clima de cobrança interna aumenta o desgaste do grupo no poder. Parlamentares avaliam que a indefinição enfraquece o governo, contamina o debate legislativo e compromete qualquer projeto eleitoral futuro. Há um entendimento crescente de que empurrar o problema com o silêncio ou com discursos genéricos não será mais suficiente.
Confederação Nacional de Municípios é contra a valorização dos professores?
Paralelamente, o governador Ratinho Junior passou a intensificar sinais de que seria pré-candidato à Presidência da República. Nos bastidores, entretanto, a leitura predominante é outra: a movimentação teria como objetivo real viabilizar uma candidatura ao Senado, utilizando o discurso presidencial como estratégia de valorização política.
O problema é que essa estratégia começa a ruir diante da pressão por respostas. Caso investigações avancem e apontem elementos concretos envolvendo suposta arrecadação irregular de recursos de campanha, o impacto pode ser direto sobre o futuro eleitoral do grupo. Interlocutores políticos admitem que, nesse cenário, tanto Ratinho Junior quanto Guto Silva poderiam novamente ficar fora da disputa, não por decisão estratégica, mas por falta de condições políticas.
Não se trata apenas de especulação eleitoral. O que se percebe é um ambiente de insegurança política crescente, no qual decisões são adiadas justamente pelo receio do avanço das investigações e pelo temor de que os fatos se tornem incontornáveis.
A retomada dos trabalhos na Alep tende a intensificar esse processo. Com deputados cobrando explicações, posicionamentos e responsabilidade, o governo deixa de controlar totalmente o ritmo da narrativa. O Legislativo passa a ser um espaço de pressão real, onde o silêncio deixa de ser proteção e passa a ser um problema.
No xadrez eleitoral de 2026, o tempo já não joga a favor. A Alep observa, cobra e pressiona. E, neste momento, a pergunta que ecoa nos corredores do poder não é quem será candidato, mas quem conseguirá atravessar esse período com capital político suficiente para disputar alguma coisa.


