Dois pesos e duas medidas. Por que ninguém cobra responsabilidade do apresentador Ratinho?

Dois pesos e duas medidas. Por que ninguém cobra responsabilidade do apresentador Ratinho?

Diante da avalanche de denúncias que envolvem o Tayayá Resort, uma pergunta ecoa cada vez mais alto no debate público paranaense. Por que apenas alguns nomes são cobrados, enquanto outros permanecem convenientemente fora do foco?

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Fontes jornalísticas de alcance nacional apontam que o resort esteve ligado, ao menos em parte, a negócios e fundos citados em investigações mais amplas envolvendo o Banco Master. Paralelamente, surgiram denúncias graves sobre a existência de um suposto cassino informal dentro do empreendimento, com mesas de blackjack e máquinas semelhantes a caça-níqueis, prática proibida pela legislação brasileira e que, em tese, configura contravenção penal.

Essas denúncias não partiram apenas da imprensa. Integrantes do Movimento Brasil Livre, o MBL, formalizaram pedido ao Ministério Público do Paraná para que os fatos sejam investigados, reforçando que o tema ultrapassa o campo político e entra no terreno da legalidade.

No entanto, chama atenção o silêncio quase absoluto quando o debate se aproxima do nome do apresentador Ratinho, empresário da comunicação e pai do atual governador do Paraná. Segundo relatos veiculados na imprensa e em investigações jornalísticas, Ratinho teria sido, ou ainda seria, sócio do empreendimento, direta ou indiretamente, algo que, até o momento, não foi devidamente esclarecido de forma pública e transparente.

A omissão se torna ainda mais sensível quando se observa que o apresentador costuma divulgar plataformas de apostas e bets em seus programas de televisão e rádio, incentivando esse tipo de prática para milhões de brasileiros. O contraste é evidente. Enquanto as bets são promovidas diariamente no horário nobre, denúncias sobre jogos de azar supostamente ilegais em um resort ligado ao mesmo grupo empresarial não recebem o mesmo rigor investigativo nem o mesmo espaço no debate público.

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Não se trata de acusar sem provas, mas de cobrar isonomia. Se há indícios suficientes para que o Ministério Público seja acionado em relação a outros envolvidos, por qual motivo não se exige o mesmo nível de esclarecimento e responsabilidade de figuras públicas com enorme poder midiático e influência política?

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A seletividade no tratamento das denúncias fragiliza a confiança da sociedade nas instituições e alimenta a percepção de que há intocáveis no Brasil, blindados não pela lei, mas pelo poder econômico, político e comunicacional.

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O Paraná e o país precisam de respostas claras. Quem são, de fato, os sócios do Tayayá Resort? Houve ou não exploração irregular de jogos de azar? Existe relação entre o empreendimento, fundos investigados e figuras públicas de grande exposição nacional? E, sobretudo, por que alguns nomes são sistematicamente poupados do escrutínio público?

O silêncio, neste caso, não protege a democracia. Ele a enfraquece.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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