Alunos em formação da Uningá, com curso de Medicina entre os piores do Brasil segundo o MEC, atuam na rede pública de saúde de Maringá
A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, pelo Ministério da Educação (MEC), acende um sinal de alerta que não pode ser ignorado pela sociedade de Maringá e da região. O curso de Medicina do Centro Universitário Ingá (Uningá) recebeu conceito 2, em uma escala que vai de 1 a 5, passando a figurar entre os cursos classificados como de baixo desempenho pelo próprio MEC.
Trata-se da primeira edição do Enamed, criado justamente para aferir de forma específica a qualidade da formação médica no país. Dos 351 cursos avaliados, 107 receberam notas entre 1 e 2, índice considerado preocupante pelo Ministério da Educação, que já anunciou a possibilidade de sanções administrativas às instituições com desempenho insuficiente.
No Paraná, além da Uningá, também aparecem com conceito 2 os cursos de Medicina da Unipar, em Umuarama, e da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu. Ainda assim, o resultado da Uningá chama atenção por seu peso regional e pela estrutura que a instituição mantém em Maringá.
É importante lembrar que a Uningá possui hospital próprio e também unidade básica de saúde dentro da própria instituição, estruturas que mantêm relação direta com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o processo de formação prática dos estudantes de Medicina. Diante disso, a avaliação do MEC não se restringe apenas ao desempenho acadêmico em provas, mas levanta questionamentos legítimos sobre como estão sendo conduzidos os atendimentos à população, a qualidade da supervisão dos estágios, e as condições reais de aprendizado dos futuros médicos nas unidades básicas de saúde do município.
A preocupação não é apenas acadêmica. A formação médica impacta diretamente a saúde pública, a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento prestado à população. Quando um curso recebe conceito considerado baixo pelo órgão máximo da educação no país, torna-se necessário ampliar o debate e exigir transparência.
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O Ministério da Educação já informou que cursos com notas 1 e 2 passarão por processo administrativo de supervisão, com possibilidade de sanções que vão desde a proibição de ampliação de vagas até a suspensão de financiamentos estudantis, medidas que permanecem até nova avaliação, prevista para outubro de 2026.
Este veículo tentou contato com a direção da Uningá para que a instituição pudesse comentar o resultado do Enamed 2025, explicar os fatores que levaram à nota atribuída pelo MEC e apresentar quais medidas pretende adotar para elevar a qualidade do curso nas próximas avaliações. Até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno.
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Reafirmamos, no entanto, que este espaço segue aberto para que a direção da Uningá se manifeste, esclareça a comunidade acadêmica e a sociedade, e informe de forma objetiva quais mudanças serão implementadas, tanto no projeto pedagógico quanto na estrutura de ensino, estágios e atendimento à população, com o objetivo de melhorar os critérios do curso e alcançar melhores resultados nas próximas avaliações oficiais.
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Educação superior, especialmente na área da saúde, exige compromisso permanente com a qualidade, a ética e a responsabilidade social. Ignorar avaliações oficiais não é uma opção. O debate é necessário, e a sociedade tem o direito de ser informada.



