Enquanto o palco brilha, a grande mídia e políticos do Paraná fingem não ver os bastidores

Enquanto o palco brilha, a grande mídia e políticos do Paraná fingem não ver os bastidores

No palco do Verão Maior Paraná, só artistas consagrados, cachês milionários e uma narrativa cuidadosamente construída para vender a imagem de um Estado próspero, alegre e bem administrado. No governo do Paraná, porém, a palhaçada continua e não tem nada de engraçado para quem vive a realidade fora do espetáculo.

Enquanto milhões de reais do dinheiro público são gastos para garantir shows, iluminação e marketing institucional, obras prometidas há quase um ano seguem sem sair do papel. Promessas feitas com pompa, fotos, discursos e vídeos oficiais viraram poeira, literalmente, em cidades que continuam sem infraestrutura básica, asfalto e respostas concretas do governo.

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Nos bastidores, os escândalos se acumulam. A crise envolvendo a Sanepar, com denúncias e questionamentos que seguem sem o devido esclarecimento público, é tratada com um silêncio constrangedor. O mesmo ocorre com as relações empresariais envolvendo o Banco Master e empreendimentos turísticos ligados à família do governador Ratinho Junior, temas revelados por reportagens de alcance nacional, mas convenientemente minimizados ou simplesmente ignorados por grande parte da mídia local.

A cobertura seletiva chama atenção. Fala-se exaustivamente do espetáculo, do entretenimento e da agenda positiva, mas pouco ou nada se aprofunda sobre a palhaçada de milhões que ocorre longe dos holofotes. O show funciona como cortina de fumaça para esconder problemas estruturais, conflitos de interesse e promessas não cumpridas.

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Mais grave ainda é o comportamento de quem se autoproclamou símbolo da moralidade pública. Sergio Moro, que construiu sua imagem política como paladino do combate à corrupção, hoje permanece em silêncio absoluto diante dos fatos que envolvem o governo do Paraná. Não apenas se cala, como procura apoio justamente no grupo político de Ratinho Junior. Um movimento que expõe até que ponto a retórica da moralidade cede espaço ao pragmatismo eleitoral.

Querendo saber

Nesse contexto, o papel de Guto Silva, secretário forte do governo e figura central nos anúncios e articulações políticas, também precisa ser questionado. Promessas feitas em nome do governo estadual não se cumprem sozinhas. O silêncio diante dos atrasos, das obras que não saem do papel e dos escândalos que se acumulam pesa tanto quanto os discursos inflamados quando tudo parece favorável.

Ainda assim, parte da classe política e dos analistas do Paraná prefere discutir se Ratinho Junior será ou não candidato à Presidência da República, como se o debate nacional pudesse apagar o que acontece hoje no Estado. Fingem não ver, não saber ou não entender. Um cinismo que já não convence.

O verão pode até ser maior na propaganda oficial. Mas o cinismo de setores da grande mídia e de parcelas da política paranaense é ainda maior. O Paraná não se governa com shows, slogans e marketing. Governa-se com responsabilidade, transparência e respeito ao cidadão que paga a conta, inclusive a do espetáculo.

Enquanto a música toca no palco, a população segue esperando que o governo enfrente a realidade.

Aqui no Paraná, pelo jeito, a família de Ratinho Junior passou da compra de CNH para os irmãos ao silêncio conveniente que hoje impera.

Redação O Diário de Maringá

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