Exposição solar exige cuidados específicos antes e após cirurgias plásticas
Verão, viagens e atividades ao ar livre aumentam a exposição solar e exigem atenção redobrada de pessoas que realizaram ou pretendem realizar uma cirurgia plástica. A radiação ultravioleta pode interferir diretamente no processo de cicatrização, favorecer o surgimento de manchas e comprometer o resultado final dos procedimentos, especialmente quando não há planejamento adequado em relação à época do ano e aos cuidados no pré e pós-operatório.
De acordo com o cirurgião plástico Dr. Ricardo Cavalcanti, coordenador da Divisão de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a proteção da pele deve ser encarada como parte do tratamento cirúrgico. "A exposição solar inadequada pode provocar inflamações, escurecimento das cicatrizes e interferir negativamente no resultado da cirurgia plástica", explica o especialista.
A atenção ao sol torna-se ainda mais relevante em um país como o Brasil, onde a incidência de radiação solar é elevada durante todo o ano. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), grande parte do território brasileiro apresenta índices de radiação UV classificados como altos ou muito altos na maior parte dos meses.
Antes da cirurgia
Antes do procedimento, a recomendação é preparar a pele e evitar bronzeamento e exposição solar intensa por, no mínimo, 30 dias. Segundo Ricardo Cavalcanti, cirurgião plástico e professor da UNIRIO, "a pele sensibilizada pelo sol tende a cicatrizar de forma menos eficiente, aumentando o risco de inflamações e marcas aparentes. O uso diário de protetor solar, inclusive em dias nublados, contribui para manter a pele em condições adequadas para a cirurgia".
Depois da cirurgia
O médico recomenda cautela em relação à exposição solar, especialmente no período pós-operatório, quando o sol se torna um dos principais fatores de risco para a cicatrização adequada. A orientação é evitar a exposição direta por, no mínimo, três meses. Em regiões mais expostas, como rosto, abdômen e mamas, esse cuidado pode se estender por até um ano. Protetor solar e proteção física também são importantes. Filtros solares com FPS 50 ou mais devem fazer parte da rotina, sempre aplicados sobre a pele íntegra. Roupas com proteção UV, chapéus e óculos escuros funcionam como aliados fundamentais. "Dependendo do caso, eu indico o uso de fitas ou gel de silicone sobre as cicatrizes. Praia e piscina com muita moderação. O retorno à praia ou piscina só deve acontecer com liberação médica, geralmente após 30 a 60 dias. Mesmo liberada, a exposição deve ser breve, fora dos horários de sol intenso e sempre com proteção reforçada", ressalta Cavalcanti.
Segundo o Dr. Ricardo Cavalcanti, cuidar da pele após uma cirurgia plástica é um investimento no resultado e na saúde. "Respeitar o tempo de recuperação e proteger-se do sol garante cicatrizes mais discretas e uma recuperação tranquila".
Números da cirurgia plástica no Brasil
O Brasil ocupa posição de destaque no ranking no cenário mundial da cirurgia plástica. Dados do Ministério da Saúde mostram que, apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mais de 716 mil cirurgias plásticas reparadoras foram realizadas entre 2020 e 2025. Já no setor privado, a Internacional Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) informa que o Brasil foi o país com maior número de procedimentos cirúrgicos, com aproximadamente 2,35 milhões de cirurgias plásticas estéticas em 2024. Esse dado foi apresentado no relatório oficial da ISAPS divulgado em junho de 2025 no ISAPS Olympiad World Congress. Segundo o mesmo levantamento, três procedimentos concentram a maior parte da procura no Brasil: a lipoaspiração, utilizada para remodelação corporal; o aumento das mamas com implantes de silicone; e a abdominoplastia, indicada para retirada de excesso de pele e correção da musculatura abdominal.



