Fila, calor e indignação: usuários do Ferry Boat denunciam caos na travessia e cobram governo Ratinho Junior
Por Gilmar Ferreira
28 de janeiro de 2026 – 15h
Enquanto o discurso oficial fala em planejamento, modernização e grandes obras estruturantes, a realidade vivida por quem depende do Ferry Boat entre Matinhos, Caiobá e Guaratuba nesta terça-feira, dia 28, é de abandono, demora excessiva e revolta.
Desde o início da tarde, motoristas relatam mais de uma hora e meia de espera, com crianças dentro dos veículos, sob calor intenso e sem informações claras sobre o funcionamento do serviço. Segundo os usuários, apenas uma balsa estaria operando, contrariando a versão repassada pela concessionária.
Áudios e imagens enviados à reportagem do O Diário de Maringá mostram o tamanho da fila e o desespero de quem está parado muito antes da bilheteria, sem qualquer previsão de travessia.
“Faz uma hora e meia que a gente está parado aqui. Tem criança dentro do carro. Disseram que estava tudo normal, que tinha quatro balsas funcionando, mas é mentira. Só tem uma. Isso é um absurdo”, relata um dos usuários, que aguardava desde Caiobá.
Contradições, desculpas e falta de transparência
De acordo com os relatos, ao entrarem em contato com a concessionária, os usuários receberam a informação de que quatro balsas estariam em operação e que o fluxo estaria normal. No entanto, ao chegarem à guarita, a explicação mudou.
“Agora dizem que é acidente na outra pista. Mas a pista lá perto de Garuva já está interditada faz tempo. Não desce carro nenhum. Se tivesse quatro balsas, o fluxo estaria andando. É desculpa”, afirma outro motorista.
A sensação geral entre quem está na fila é de desinformação, contradições e empurra-empurra de responsabilidades.
A ponte é a solução, mas o problema é agora
É consenso que a construção da ponte entre Guaratuba e Matinhos representa a solução definitiva para o gargalo histórico da travessia. O próprio governo estadual reconhece isso ao tratar a obra como estratégica para o litoral do Paraná.
No entanto, o fato de faltar poucos meses para a entrega da ponte não pode servir de justificativa para a negligência no serviço atual. O Ferry Boat continua sendo, hoje, o único meio oficial de travessia para milhares de pessoas e precisa funcionar com plena capacidade, transparência e respeito ao cidadão.
Planejar o futuro não exonera o governo da responsabilidade com o presente. Pelo contrário, exige ainda mais cuidado para que a população não seja penalizada justamente no período de transição.
Planejamento que não chega a quem espera
Nos últimos anos, o governo Ratinho Junior investiu pesado em publicidade institucional, reforçando o slogan de que quem planeja tem futuro. Para quem está preso na fila do Ferry Boat às 15h desta terça-feira, porém, o que se vê é o oposto, falta de planejamento operacional, ausência de contingência em períodos de alta demanda e silêncio do Estado diante do caos.
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“O governo fala em ponte, fala em futuro, mas hoje o presente é esse aqui, fila, criança no carro e ninguém resolve nada”, desabafa um usuário.
Indignação que explode na fila
A revolta é evidente nos relatos enviados à reportagem. Em meio ao cansaço e ao calor, usuários direcionam sua indignação ao governo estadual, cobrando respostas e soluções imediatas.
As palavras duras usadas nos áudios refletem o estado emocional de quem enfrenta a situação e revelam algo maior, a exaustão da população com promessas que não se traduzem em serviços funcionando.
O que diz o governo?
Até o fechamento desta matéria, não houve manifestação oficial do governo do Paraná nem da concessionária responsável pelo Ferry Boat esclarecendo quantas balsas estão efetivamente em operação, por que o serviço opera abaixo da capacidade, quais medidas emergenciais estão sendo adotadas e se há previsão de normalização do fluxo ainda hoje.
Enquanto isso, a fila segue avançando lentamente e a paciência da população diminui na mesma velocidade.



