Paraná, o supermercado do mundo: será que, por isso, além de CNHs, a família Ratinho supostamente comprou o silêncio?
A verdadeira pesquisa ignorada por grande parte da imprensa mostra o que o povo quer saber sobre Ratinho e seus secretários, basta pesquisar no Google
Há pesquisas que não aparecem em gráficos eleitorais nem em levantamentos contratados por governos, mas que dizem muito sobre o momento político de um Estado. Uma delas é a pesquisa do Google, que revela o que a população procura espontaneamente, sem filtro, sem roteiro e sem assessoria de imprensa.
E é justamente essa pesquisa que boa parte dos meios de comunicação do Paraná prefere ignorar.
Dados de buscas mostram o crescimento do interesse dos paranaenses por termos relacionados a supostos escândalos envolvendo o governador Ratinho Junior e membros de sua família. O aumento dessas pesquisas não prova irregularidades, mas aponta algo incontestável: existe inquietação pública, curiosidade legítima e desconfiança social. Isso, por si só, já deveria ser pauta.
No entanto, enquanto o interesse do cidadão cresce, o debate some. A cobertura jornalística é substituída por agendas festivas, slogans oficiais e uma enxurrada de publicidade institucional. O “Verão Maior Paraná” ocupa espaços generosos. A investigação, não.
A pergunta que se impõe é simples e incômoda: o que explica esse silêncio?
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Não se trata de afirmar culpa, mas de cobrar transparência. Os temas que aparecem nas buscas são públicos e amplamente comentados nas redes sociais. Relações empresariais envolvendo fundos ligados ao Banco Master, privatizações e vendas estratégicas como a da Copel Telecom, questionamentos sobre a condução da Sanepar, além de episódios antigos que voltam ao debate público pela prescrição de punições após longas demoras judiciais.
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Tudo isso circula fora das redações tradicionais, mas encontra resistência para entrar nelas.
O jornalismo não pode se transformar em assessoria de comunicação de governo, muito menos aceitar que o volume de verbas publicitárias funcione como critério editorial. Quando a imprensa se cala diante de questionamentos que mobilizam a sociedade, ela não se mantém neutra. Ela escolhe um lado.
O Diário de Maringá foi o primeiro veículo a noticiar esse fenômeno das buscas e a levantar o debate. Não por sensacionalismo, mas por entender que jornalismo se faz ouvindo a rua, lendo dados e fazendo perguntas, inclusive as desconfortáveis.
Se a população quer saber, a imprensa tem o dever de perguntar.
A ausência de cobertura não apaga as dúvidas. Apenas reforça a sensação de que há temas proibidos no Paraná. E quando isso acontece, a desconfiança cresce, a credibilidade diminui e o espaço é ocupado por especulação e radicalização.
A pergunta final não é acusatória, é simbólica. Quando tantos assuntos sensíveis são evitados, quando processos prescrevem, quando investigações não avançam e quando a imprensa se esquiva, fica a impressão de que não foram apenas duas CNHs que a família do governador teria adquirido. A pergunta que fica é: será que houve algo mais?
O silêncio também comunica. E neste momento, ele comunica muito mal.


