Não dá para facilitar: Leonardo da Facilita enfrenta denúncias em Maringá e no MS; irmão relata prejuízo
Quando se facilita demais, tudo complica
A apresentadora Cristina Calixto não seria a única suposta vítima de irregularidades atribuídas à Facilita Imóveis, em Maringá. Documentos, transcrições de áudios e depoimentos obtidos pelo O Diário de Maringá indicam que ao menos 15 pessoas afirmam ter sofrido prejuízos financeiros semelhantes. A soma dos valores relatados ultrapassaria facilmente R$ 1,5 milhão, podendo crescer à medida que novos casos vêm a público.
Os relatos reunidos pela reportagem descrevem um padrão recorrente de atuação, atribuído ao proprietário da imobiliária, Leonardo da Silva Thiele, envolvendo retenção de valores, promessas não cumpridas, apresentação de supostos comprovantes falsos e ausência de repasses de pagamentos que teriam sido confiados à empresa.
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IPTU não pago e execução judicial
Um dos depoimentos é de um proprietário que tentou vender um terreno por intermédio da imobiliária. Segundo ele, o imóvel possuía débitos de IPTU referentes aos anos de 2022, 2023 e 2024, e a Facilita teria se comprometido a quitar os valores para viabilizar a venda.
O dinheiro foi depositado na conta indicada pela imobiliária, que apresentou um comprovante de pagamento. Posteriormente, a Prefeitura informou que a quitação não havia ocorrido. Meses depois, o proprietário foi surpreendido por uma execução judicial, elevando a dívida de pouco mais de R$ 2 mil para cerca de R$ 5 mil, em razão de juros, custas processuais e honorários advocatícios.
Investimentos prometidos sem retorno
Outro relato aponta dois aportes financeiros feitos em setembro do ano passado, que somaram R$ 80 mil, com promessa de retorno em 30 dias. Apenas um valor inicial reduzido teria sido devolvido.
Após sucessivas cobranças, a vítima afirma que passou a receber apenas justificativas e novas datas que nunca se concretizavam. Ela relata ainda que outros dois colegas de trabalho teriam realizado investimentos semelhantes, o que elevaria o prejuízo estimado naquele grupo específico para cerca de R$ 700 mil.
Depoimento de Gustavo Lima, de Maringá
Entre os relatos está o de Gustavo Lima, de 28 anos, que afirma ter sido abordado por Leonardo após a venda de um apartamento financiado em Maringá. Segundo ele, no momento da assinatura dos documentos, foi oferecida a possibilidade de um investimento, descrito como de vagas limitadas, com promessa de retorno de 10% ao mês.
Gustavo afirma que investiu R$ 10 mil e que, nos dois primeiros meses, recebeu os rendimentos prometidos. Antes do término do contrato, que seria de 90 dias, ele solicitou o resgate do valor investido. A partir desse momento, segundo o depoimento, começaram os problemas.
Ele relata que passou a receber cheques sem fundo, Pix agendados que não se concretizavam e novas promessas que não eram cumpridas. O jovem afirma ainda que sofreu ofensas verbais e humilhações, dizendo possuir mensagens e registros das conversas.
Segundo Gustavo, o dinheiro seria utilizado para pagar as parcelas de seu veículo, já que ele trabalhava como motorista de aplicativo. Sem a devolução dos valores, ele acabou tendo o carro apreendido por oficial de justiça, ficando sem o veículo, sem renda e sem o capital investido. O caso, segundo ele, permanece sem solução.
ITBI não recolhido e suposto comprovante falso
A compradora Thaís Regina de Souza relata que adquiriu um apartamento em outubro de 2025 e que a imobiliária se responsabilizou por agilizar a documentação, com promessa de redução de custos cartorários.
Segundo ela, foi realizado um Pix de R$ 13.500. Desse valor, aproximadamente R$ 2.500 teriam sido utilizados para pagamento da escritura e do Funrejus. O ITBI, no valor de R$ 10.300, não foi recolhido.
Thaís afirma que Leonardo apresentou um comprovante de pagamento datado de 19 de dezembro de 2025, que posteriormente não foi reconhecido pelo município. Ao solicitar a devolução do valor, ela relata ter sido alvo de ofensas verbais e ameaças de registro de boletim de ocorrência por falsa denúncia. O caso já foi comunicado ao Creci e ao Judiciário.
Venda de imóvel e falsificação de recibo
Outro depoimento é de Yasmin, Juíza de Paz em Maringá. Ela afirma ter contratado Leonardo para intermediar a venda de um imóvel da família em novembro de 2025.
De acordo com o relato, o valor da venda não foi repassado e tanto o corretor quanto o comprador deixaram de responder aos contatos. Yasmin sustenta ainda que um recibo no valor de R$ 60 mil teria sido falsificado em seu nome, fato que, segundo ela, foi confirmado por laudo pericial. A vítima informou já ter ingressado com ações cíveis e criminais.
Relato envolve também o irmão do acusado
Além dos casos envolvendo clientes, há uma alegação apresentada por um familiar direto de Leonardo. Segundo o irmão, há cerca de três anos foram repassados a ele dois terrenos que supostamente estariam regularizados. Os documentos de transferência nunca teriam sido entregues.
Após buscar informações em cartório e na prefeitura, o irmão afirma ter sido informado de que os terrenos não existiam nos registros oficiais. O valor envolvido na negociação seria de aproximadamente R$ 80 mil. Diante da exaustão das tentativas extrajudiciais, ele ingressou com ação judicial contra o próprio irmão. O processo, conforme informado, tramita no Rio Grande do Sul.
Grupo de vítimas e registros policiais
Segundo apuração do O Diário de Maringá, existe atualmente um grupo com cerca de 15 pessoas apenas em Maringá que alegam ter sido supostamente enganadas em situações semelhantes. Parte delas já registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Maringá.
Outras vítimas afirmam temer represálias e relatam preocupação com postagens feitas por Leonardo nas redes sociais, onde ele aparece treinando tiro esportivo. Segundo esses relatos, o conteúdo teria gerado sensação de intimidação, embora não exista, até o momento, registro formal de ameaça direta relacionada a essas publicações.



Processo criminal no Mato Grosso do Sul
Além dos relatos no Paraná, a reportagem analisou informações de um processo criminal que tramita no Mato Grosso do Sul. Nesse caso, Leonardo da Silva Thiele é denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, por duas vezes em concurso material.
De acordo com a denúncia, ele teria utilizado fraude para obter vantagem ilícita em prejuízo da vítima Samille Scariot, apresentando-se falsamente como corretor de imóveis e representante da empresa Incorporadora Sucuriú, sem possuir vínculo com a instituição.
Ainda conforme a acusação, o denunciado intermediou a venda de dois terrenos no loteamento Bela Vista, em Costa Rica, no Mato Grosso do Sul. Os pagamentos totalizaram R$ 105 mil, sendo R$ 60 mil via Pix para a empresa Leonardo da Silva Thiele LTDA, de nome fantasia Prime Imóveis, e R$ 45 mil depositados diretamente em sua conta bancária pessoal.
A investigação policial confirmou junto à incorporadora responsável pelo empreendimento que o denunciado não possuía autorização para vender os lotes e que os valores pagos não foram repassados à empresa, conforme descrito nos autos.
O que diz a imobiliária
A reportagem entrou em contato com Leonardo, proprietário da Facilita Imóveis, que nega todas as acusações. Segundo ele, não houve irregularidades e os fatos estariam sendo distorcidos por ex-clientes. A defesa afirma que os casos serão esclarecidos na esfera judicial.
O O Diário de Maringá ressalta que denúncias, boletins de ocorrência e processos judiciais não representam condenação. Todos os citados têm assegurados o contraditório e a ampla defesa. O espaço segue aberto para manifestação formal da imobiliária e de seus representantes, inclusive para apresentação de documentos que comprovem os pagamentos questionados.


