Verão Maior ou Guto Palooza?

Verão Maior ou Guto Palooza?

Nos bastidores do litoral paranaense, um apelido vem circulando com cada vez menos constrangimento. O Verão Maior Paraná, oficialmente apresentado como um programa público de turismo, lazer e serviços, passou a ser chamado por muitos de Guto Palooza.

A razão não está nos palcos, nos artistas ou nos cachês. Está na imagem. Mais especificamente, na repetição dela.

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A cada entrevista coletiva, a cada balanço oficial, a cada cobertura televisiva ou digital feita a partir dos eventos do Verão Maior, quem aparece com destaque quase absoluto é Guto Silva. Sempre disponível, sempre posicionado, sempre enquadrado. Curiosamente, o secretário que mais aparece é justamente aquele que não é o responsável pela organização dos shows.

E, claro, tudo não passa de coincidência. Afinal, também é pura casualidade que Guto Silva seja apontado como o nome do governador Ratinho Junior para a sucessão estadual. Promoção política? Jamais. Longe disso.

Convém lembrar, até para não confundir a opinião pública, quem responde de fato pelo Verão Maior.

A programação artística, os shows, a contratação de artistas e a definição da agenda são atribuições da Secretaria de Estado do Turismo. A coordenação política do programa cabe à Casa Civil do Governo do Paraná. Já as obras urbanas e intervenções permanentes no litoral são de responsabilidade da Secretaria de Estado das Cidades do Paraná.

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Portanto, do ponto de vista administrativo, não existe justificativa técnica para que o secretário das Cidades seja o principal rosto de um evento artístico e turístico.

A pergunta que permanece é simples. Se Guto Silva não contrata shows, não define programação cultural e não responde pela agenda artística, por que sua presença se tornou praticamente obrigatória em todos os holofotes do Verão Maior?

A resposta pode estar fora do palco e mais próxima da areia.

Existe, sim, um tema diretamente ligado à Secretaria das Cidades que justificaria sua presença no debate público. A engorda da praia de Matinhos. Uma obra marcada por recomendações técnicas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, muitas das quais não foram integralmente atendidas antes da execução. Ainda assim, o assunto raramente ocupa o centro das entrevistas. As câmeras preferem o show. O discurso prefere o entretenimento.

O que se constrói, aos poucos, é uma vitrine política disfarçada de política pública. Um programa financiado com recursos do Estado passa a funcionar como cenário recorrente de exposição pessoal, em evidente contraste com os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

E talvez isso explique por que certos temas não sobem ao palco.

Por exemplo, a investigação que tramita no Ministério Público Federal sobre suposto caixa dois na campanha do governador Ratinho Junior, com indícios de arrecadação de recursos a partir de cargos de confiança e estruturas do governo. Um caso grave, institucionalmente sensível e politicamente explosivo.

Responder a isso, ao que tudo indica, nem passa pela cabeça de Guto Silva. A aposta parece ser outra. Que o público cante, curta os shows, tire fotos, compartilhe vídeos e, com sorte, esqueça. Esqueça o que está sendo investigado, esqueça o que foi apontado, esqueça o que não foi respondido.

Afinal, para quem acredita que o povo tem memória curta, nada melhor do que música alta, luzes fortes e um verão bem animado.

Redação O Diário de Maringá

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