Seguidores não são votos: a urna segue ignorando a fama das redes sociais
Há um equívoco recorrente no debate político contemporâneo: a crença de que números inflados nas redes sociais se convertem automaticamente em votos. A realidade eleitoral mostra exatamente o contrário. Em Maringá, não faltam exemplos de candidatos que somam milhões de seguidores quando se juntam Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas, mas que, na urna, não alcançam sequer dois mil votos. A distância entre “engajamento” e representação política é maior do que muitos imaginam.
Redes sociais ampliam alcance, dão visibilidade e ajudam a pautar debates. Mas voto é decisão concreta, tomada a partir de confiança, vínculo e presença real. Curtidas não substituem trabalho de base, escuta ativa, coerência e prestação de contas. A política não se faz apenas com vídeos virais; faz-se com compromisso continuado com a cidade e com as pessoas.
É verdade que Jair Bolsonaro chegou à Presidência utilizando as redes sociais de maneira intensa e inovadora. Mas reduzir sua eleição a isso é simplificar demais o processo. Houve contexto político específico, rejeição a modelos anteriores, discurso alinhado a parcelas do eleitorado e uma estrutura de campanha que extrapolou o ambiente digital. As redes foram ferramenta, não causa única.
O alerta vale em duas direções. Primeiro, para quem acredita que polêmica pela polêmica, barulho vazio e ataques calculados garantem mandato. A curto prazo, isso pode gerar alcance; a médio prazo, cobra-se resultado. Segundo, para aqueles que já se elegeram embalados pelo hype digital e depois se afastaram do eleitor, entregando pouco ou nada. A memória do eleitor não é tão curta quanto alguns supõem.
A política local, especialmente no Legislativo municipal, exige presença, trabalho técnico, articulação e respostas concretas. Likes não aprovam projetos, seguidores não resolvem problemas urbanos e algoritmos não substituem responsabilidade pública.
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Redes sociais são meio. Voto é consequência. Confundir uma coisa com a outra é um erro que a urna, invariavelmente, se encarrega de corrigir.


