Mercado bilionário, fiscalização tímida: onde está o CRECI em Maringá?

Mercado bilionário, fiscalização tímida: onde está o CRECI em Maringá?

Maringá alcançou um marco histórico na construção civil ao registrar 109 prédios em construção, o maior número da série histórica iniciada em 2023. Os dados do Sinduscon/PR-Noroeste, em parceria com a Federação das Indústrias do Paraná, mostram um mercado aquecido, com 11.933 apartamentos em obras e 1,52 milhão de metros quadrados de área edificada.

Mas, enquanto os números apontam crescimento e otimismo, o setor imobiliário local enfrenta um abalo grave de credibilidade: o escândalo envolvendo a imobiliária Facilita Imóveis, investigada por supostos golpes milionários que já teriam atingido diversas pessoas em Maringá.

Mercado forte, consumidor vulnerável

O contraste chama atenção. Nunca se construiu tanto na cidade, nunca houve tantos corretores e imobiliárias em atividade, mas, ao mesmo tempo, casos de fraude de grande proporção vieram à tona, expondo suposta falhas no sistema de fiscalização e proteção ao consumidor.

No caso da Facilita, as denúncias envolvem valores elevados, contratos imobiliários e prejuízos significativos a famílias que confiaram na regularidade da intermediação. Apesar da repercussão policial e jornalística, as informações oficiais seguem escassas, principalmente no âmbito local.

CRECI de Maringá: ausência que gera desconfiança

Quando vítimas e consumidores buscam esclarecimentos, a resposta é quase sempre a mesma: “o caso está sendo tratado em Curitiba”. De fato, apenas o CRECI-PR tem se manifestado, ainda assim de forma limitada e distante da realidade local.

Já o CRECI de Maringá, responsável por fiscalizar diretamente os profissionais que atuam na cidade, não tem apresentado informações claras, balanços de fiscalização ou orientações públicas após a revelação do escândalo.

Esse silêncio preocupa. Em um mercado que movimenta bilhões, com centenas de lançamentos, milhares de contratos ativos e um volume expressivo de novos empreendimentos, a fiscalização não pode ser invisível.

Falta de prevenção é parte do problema

O papel do CRECI vai além de punir depois que o dano ocorre. Cabe ao conselho:

  • Fiscalizar preventivamente corretores e imobiliárias
  • Alertar a população sobre riscos e irregularidades
  • Divulgar processos administrativos e medidas adotadas
  • Atuar com transparência em casos de grande repercussão

A ausência dessas ações cria um ambiente propício para novos golpes e penaliza justamente o consumidor, elo mais frágil da cadeia.

Perguntas que seguem sem resposta

  • Quantos corretores ligados à Facilita estão sendo investigados administrativamente?
  • O CRECI de Maringá realizou fiscalizações antes do escândalo?
  • Quais medidas estão sendo adotadas para evitar novos casos semelhantes?
  • Por que o consumidor maringaense precisa buscar informações apenas em Curitiba?

Enquanto essas respostas não vêm, o cenário é paradoxal: um dos mercados imobiliários mais fortes do Paraná convivendo com um dos maiores escândalos recentes do setor, sem comunicação clara do órgão fiscalizador local.

O O Diário de Maringá segue acompanhando os desdobramentos do caso da Facilita e permanece à disposição para publicar, de forma integral, qualquer manifestação do CRECI, seja da regional de Maringá ou da sede estadual. Em um mercado desse tamanho, fiscalizar, informar e proteger não é opção, é dever.

Redação O Diário de Maringá

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