O que a Colômbia pode ensinar ao mundo sobre cidades e políticas públicas
Durante décadas, a Colômbia foi lembrada internacionalmente por violência, desigualdade e ausência do Estado em amplas áreas urbanas. Hoje, esse passado faz do país uma referência global em políticas públicas urbanas, planejamento e inclusão social. O mundo tem muito a aprender com a experiência colombiana.
A primeira lição é direta. Problemas complexos não se resolvem com soluções superficiais. Cidades colombianas entenderam que repressão isolada, grandes obras desconectadas da realidade social e políticas públicas pensadas apenas para o centro urbano não produzem transformação duradoura. Foi preciso atacar as causas estruturais da desigualdade.
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A Colômbia ensina que urbanismo é política social. Investir em transporte coletivo, bibliotecas, escolas, parques e espaços públicos em áreas historicamente negligenciadas não foi apenas uma escolha estética, mas uma estratégia de redução da violência e fortalecimento do tecido social. Onde o Estado chegou com dignidade, a criminalidade recuou.
Outra lição essencial está na densidade urbana planejada. Ao contrário do espraiamento desordenado que domina muitas cidades do mundo, experiências colombianas mostram que cidades mais compactas, integradas e bem servidas de infraestrutura são mais eficientes, sustentáveis e justas. Densidade, quando planejada, não é problema. É solução.
O país também ensina que mobilidade define cidadania. Transporte coletivo eficiente deixou de ser visto como gasto e passou a ser tratado como investimento social. Ao encurtar distâncias entre moradia, trabalho e serviços públicos, as cidades colombianas devolveram tempo, dignidade e oportunidades à população.
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Há ainda um aprendizado institucional que merece atenção global. Participação popular não enfraquece governos, qualifica decisões. Orçamentos participativos, conselhos comunitários e descentralização administrativa ajudaram a reduzir erros, aumentar legitimidade e construir políticas públicas mais aderentes à realidade local.
Talvez a maior lição da Colômbia para o mundo seja esta. Não existe cidade segura, sustentável ou próspera sem coragem política. Foi necessário enfrentar interesses econômicos, romper com modelos tradicionais de gestão e admitir erros históricos para mudar o rumo das cidades.
A experiência colombiana prova que transformação urbana não acontece da noite para o dia, nem nasce de slogans. Ela exige planejamento, continuidade administrativa e compromisso real com o interesse público. Em tempos em que muitas cidades insistem em soluções fáceis e marketing urbano, a Colômbia lembra ao mundo que governar é escolher caminhos difíceis, mas necessários.
O resto é discurso.


