Deputado Adriano José: força e honra ou a na força da mentira?

Deputado Adriano José: força e honra ou a na força da mentira?

O discurso da “força e honra” costuma carregar um peso simbólico grande. Remete a valores como verdade, responsabilidade e compromisso com o interesse público. Por isso mesmo, quando esse discurso entra em choque com os fatos, o desconforto é inevitável.

O deputado estadual Soldado Adriano José (PP) causou incômodo nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná ao divulgar material afirmando ter viabilizado mais de R$ 2 bilhões em investimentos. O número, por si só, acendeu o sinal de alerta entre parlamentares, ex-assessores e técnicos que conhecem de perto o funcionamento das emendas e das indicações orçamentárias.

O primeiro questionamento público sobre esses números foi feito pelo Maringá News, em apuração assinada pelo jornalista Ângelo Rigon. A partir dessas informações, somadas a dados técnicos e relatos de bastidores, o O Diário de Maringá elaborou este editorial.

Na prática, cada deputado estadual pode indicar, informalmente, até R$ 15 milhões por ano. A conta é simples. Para alcançar R$ 2 bilhões, seriam necessários aproximadamente 133 anos de indicações contínuas no teto máximo. Em um mandato de quatro anos, isso representa R$ 60 milhões. Para chegar ao valor divulgado, seriam necessários mais de 33 mandatos consecutivos. Ou seja, nem somando uma vida política inteira essa conta fecha.

O refrão da música do Tremendão mostra onde, desta vez, o deputado Adriano José foi pego

Nos bastidores da Assembleia, o desconforto virou ironia. Parlamentares e ex-assessores ouvidos em caráter reservado afirmam que duas coisas parecem agradar muito ao deputado: a prática conhecida como “rachadinha” e a insistência em multiplicar versões e inflar narrativas, mesmo quando os números não resistem a uma conta básica. Não se trata de acusação formal, mas de comentários recorrentes entre quem conhece o funcionamento interno do Legislativo.

A situação lembra, em tom de metáfora, um episódio recente da cultura popular. O humorista Tirullipa chegou a brincar publicamente que subiu um monte para “aprender a ser homem honrado”, mas acabou desmentido pelos próprios fatos da vida pessoal. No caso do deputado Adriano José, a comparação não é moral nem íntima, mas simbólica. Ele também subiu o monte, construiu um discurso de valores e honra, mas, pelo que indicam os números e os questionamentos, parece ter esquecido o que aprendeu lá em cima, substituindo fatos por lorotas e propaganda inflada.

A crítica não se limita à forma do material divulgado, mas ao conteúdo e ao risco de se transformar propaganda em verdade oficial. Quando números são exagerados ou apresentados sem lastro técnico, o prejuízo vai além da imagem individual e atinge a confiança da sociedade na política.

Não se trata de negar investimentos realizados pelo Estado do Paraná, nem de desmerecer ações legítimas de parlamentares em favor de suas bases. Trata-se de exigir verdade, precisão e responsabilidade. Na vida pública, honra não se proclama em discurso ou panfleto. Honra se sustenta com fatos.

Entre a força do discurso e a força da realidade, o eleitor merece transparência. Quando os números não batem, a pergunta permanece: força e honra ou apenas na força de uma narrativa que não se sustenta?

Nos bastidores, já há quem sugira até um número para o deputado disputar as próximas eleições: 11.171

Redação O Diário de Maringá

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