Pedágio caro no Paraná tem palco, aplauso e responsáveis: a comemoração na B3 explica muita coisa
O pedágio caro que hoje pesa no bolso dos paranaenses não caiu do céu nem surgiu por acaso. Ele tem responsáveis políticos, tem discursos registrados e tem comemorações públicas. E tudo isso aconteceu diante das câmeras, no coração do mercado financeiro brasileiro, a B3, em São Paulo.
À época do leilão das concessões rodoviárias, uma comitiva de autoridades do Paraná esteve presente celebrando o resultado. Entre eles, Márcio Nunes, Adriano José, Guto Silva, Sandro Alex, além de prefeitos da região Noroeste.
“Direto da B3, comemorando esse grande leilão”, disse Márcio Nunes, ao lado dos colegas. O discurso era de entusiasmo. Falava-se em desenvolvimento, crescimento e vitórias para o Norte e o Noroeste do Paraná. A BR-323 e a PR-361 foram citadas como eixos estratégicos para fazer o Estado avançar.
Guto Silva reforçou o tom otimista, afirmando estar “animado e feliz”, aguardando descontos que, segundo a promessa, melhorariam as rodovias. Sandro Alex foi ainda mais enfático ao afirmar que a região sairia “vitoriosa”. Ao final, o coro coletivo de comemoração selou o momento com entusiasmo explícito.
O tempo passou. Os contratos começaram a valer. E o que chegou para a população não foi o discurso da vitória, mas tarifas elevadas, revolta de usuários e questionamentos generalizados sobre o modelo adotado. O pedágio virou símbolo de custo alto, pouco diálogo e sensação de que o paranaense ficou com a conta, enquanto as promessas ficaram no palanque.
Diante desse cenário, duas hipóteses se impõem. Ou essas lideranças foram enganadas pelo modelo que ajudaram a defender e hoje permanecem em silêncio por constrangimento político. Ou, o que seria ainda mais grave, sabiam exatamente o que estavam celebrando e venderam à população um discurso que não se sustentaria na prática.
O fato é que ninguém pode fingir surpresa agora. As imagens da comemoração existem. As falas estão gravadas. A presença na B3 foi pública e festiva. Quem aplaudiu o leilão não pode, hoje, se colocar como mero espectador indignado.
Pedágio caro tem responsáveis, tem assinatura política e tem histórico. O que falta agora não é vídeo nem prova. Falta coragem política para assumir o que foi feito e explicar, com honestidade, por que o discurso da vitória virou frustração nas estradas do Paraná.
O silêncio, neste caso, não apaga o passado. Apenas reforça a sensação de que o paranaense foi deixado para trás, enquanto poucos comemoravam.



