Ratinho venderia o Grupo Massa nas mesmas condições que quer vender a Celepar?
Ratinho colocaria as emissoras do Grupo Massa em leilão por valor inferior aos contratos garantidos?
O Governo do Paraná, liderado por Ratinho Júnior, pretende vender a companhia por um lance inicial de R$ 1,3 bilhão, apesar de ela possuir contratos bilionários já firmados com o próprio Estado, renovações recentes e ativos estratégicos, como softwares e bancos de dados que sustentam áreas sensíveis da administração pública. Segundo o deputado Arilson Chiorato, os contratos poderão alcançar R$ 4 bilhões até 2029. Na prática, o valor mínimo proposto para a venda representa pouco mais de 32% desse montante, ou seja, menos de um terço do volume estimado em contratos nos próximos anos.
A defesa oficial é clara: modernização, eficiência e desestatização. O líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, Hussein Bakri, afirma que os dados dos paranaenses estarão protegidos e que o processo é legítimo.
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Mas há uma pergunta que precisa ser feita com serenidade e firmeza.
Se a Celepar fosse uma empresa privada da família do governador, com contratos garantidos por cinco anos, receitas bilionárias asseguradas, carteira consolidada e propriedade intelectual desenvolvida ao longo de décadas, ela seria colocada à venda nas mesmas condições?
Mais direto ainda: será que Ratinho Júnior venderia as empresas do pai, o apresentador Ratinho, por um valor inferior ao montante de contratos já assegurados, garantindo faturamento futuro ao comprador?
A comparação não é pessoal. É um exercício de lógica econômica.
Quando o ativo é privado, o empresário busca maximizar valor, proteger contratos e negociar com base em projeções de receita futura. Quando o ativo é público, deve-se ter o mesmo cuidado — ou até mais, porque o patrimônio pertence à população.
A Celepar não é um prédio vazio nem uma estatal deficitária sem função. Ela é a espinha dorsal tecnológica do Estado. Guarda dados de saúde, educação, segurança e trânsito. Administra sistemas que mantêm o Paraná funcionando diariamente.
Privatizar pode ser uma decisão política legítima. Mas vender exige rigor técnico absoluto. Avaliação transparente. Estudos independentes. Debate público aprofundado.
A pergunta central não é se deve ou não privatizar.
A pergunta é: o Paraná está fazendo o melhor negócio possível?
Porque, no fim, o que está sendo negociado não é apenas uma empresa. É um patrimônio construído com o imposto pago por milhões de paranaenses.
E quando o patrimônio é público, o cuidado deve ser redobrado.
Se fosse da família, venderia assim?



