Construção pré-moldada ganha força no Brasil

Construção pré-moldada ganha força no Brasil

Em 2025, o apagão da mão de obra no setor da engenharia civil se tornou ainda mais evidente. Há vagas de emprego, mas falta força de trabalho qualificada, especialmente em áreas como acabamento e finalização. Esse desalinhamento de competências — desequilíbrio entre oferta e demanda quanto à qualificação dos profissionais — tem refletido diretamente no preço dos imóveis.

De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), atualmente, 71% das companhias do setor já identificam a falta de trabalhadores experientes como seu maior desafio. Em meio à retomada gradual dos investimentos em infraestrutura, as construtoras, incorporadoras e empresas de engenharia enfrentam restrições crescentes para compor quadros técnicos completos, especialmente em funções estratégicas de projeto, execução e gestão de obras. Esse déficit de trabalhadores especializados impacta prazos, produtividade e custos, configurando um gargalo relevante para a sustentabilidade e a competitividade da construção civil no país.

Como alternativa, muitas construtoras têm adotado métodos industrializados, automatizados e construção modular em resposta à falta de pessoal. Desse modo, parte da produção é levada para ambientes controlados como fábricas, tornando o processo mais previsível e menos dependente de força de trabalho em canteiro.

André Abreu, engenheiro civil da Bristol, indústria especializada em perfuratrizes, brocas e marteletes, afirma que "a questão da industrialização do canteiro de obras está diretamente relacionada à escassez de trabalhadores na construção civil. Esse movimento se iniciou há mais tempo em outros países e, hoje, começa a ganhar velocidade no Brasil". O engenheiro explica ainda que os pavilhões pré-moldados compõem um dos primeiros exemplos dessa tendência, sendo uma tecnologia que surgiu nos países nórdicos da Europa em razão de uma dificuldade de controle do concreto armado em condições de inverno rigoroso e de insalubridade, combinada à persistente falta de mão de obra. "A partir daí, a tecnologia se disseminou pelo mundo afora", acrescenta, "esse é o futuro da construção civil".

Os pavilhões pré-moldados agilizam a construção de estruturas amplas e versáteis comumente utilizadas para armazenagem, galpões industriais, centros logísticos, lojas comerciais, escolas e até ambientes agrícolas. Eles oferecem rapidez, economia e alta durabilidade se comparados à alvenaria tradicional, permitindo que a maior parte da construção seja previamente montada em vez de moldada no local.

Além disso, o Brasil dispõe de estrutura técnica e industrial para atender a essa demanda, como o engenheiro apresenta. O país conta com indústrias nacionais que desenvolvem e produzem maquinários e equipamentos necessários para esse tipo de construção. Há capacidade instalada, conhecimento técnico e cadeia produtiva local apta a sustentar a expansão da construção industrializada, reduzindo a dependência de soluções importadas e fortalecendo o setor com tecnologia nacional.

"Hoje, outros sistemas se desenvolveram e continuam surgindo. Temos construções em metal tipo containers marítimos ou fabricados sob demanda, Steel frame, blocos com concreto leve, painéis com formas incorporadas em EPS (sistemas monolíticos e ICF), e muitos outros", complementa Abreu.

Nesse sentido, o profissional aponta que a construção civil brasileira avança para um modelo mais industrializado e tecnológico. A combinação entre escassez de trabalhadores especializados, necessidade de produtividade e presença da indústria nacional permitiu a adoção de outros sistemas construtivos, capazes de reduzir custos, encurtar prazos e garantir controle de produção.

Para mais informações, acessar: https://www.bristol.ind.br/

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