Aos 77 anos, “um senhor estagiário” da vida real prova que nunca é tarde para recomeçar

Entre aprendizado, coragem e muita vivência, a história de Abel de Abreu desafia estereótipos e reforça o valor dos profissionais maduros no mundo do trabalho 

Abel de Abreu, de 77 anos, voltou a estudar e queria retornar ao mercado de trabalho. Ele encontrou no estágio a oportunidade perfeita para se reinventar, reconstruir sua rotina e mostrar que experiência e vontade de aprender podem e devem caminhar juntas. Hoje, atuando na Sala do Empreendedor do Paço Municipal na Prefeitura de Cascavel, no Oeste do Paraná, Abel se tornou exemplo de coragem, leveza e determinação, inspirando colegas e provando que recomeços não têm idade.

A trajetória pode até lembrar a do filme Um Senhor Estagiário, de 2015, em que Robert De Niro interpreta Ben, um homem de 70 anos que entra em um programa de estágio em uma startup, porque a vida de aposentado não o satisfaz. Na ficção, depois de enfrentar alguns desafios, é justamente sua experiência que faz diferença — não apenas no ambiente de trabalho, mas na vida dos colegas, especialmente da fundadora da empresa, Jules, vivida por Anne Hathaway. 

O “senhor estagiário” da vida real conta que gosta da rotina e que o contato com o público o ajudam a evoluir como pessoa e profissional. “Voltei a interagir como há tempos não fazia, tanto com o público quanto com os colegas. Sempre aprendo alguma coisa e percebo que o respeito no ambiente de trabalho ainda é um valor muito presente”, diz. “Mesmo com a diferença de gerações, sempre encontro espaço para aprender e compartilhar o que vivi”, completa.

Antes de conseguir a oportunidade no município, Abel conta que foram quase seis anos fora do mercado. Voltar como estagiário, avalia, foi uma chance de se testar de novo, sentir o mercado atual e mostrar a ele que ainda tem muito a contribuir.

Bom para todo mundo


Para Janete Weschenfelder, coordenadora de estágios da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Cascavel, a candidatura de alguém de 77 anos foi uma surpresa, que acabou se revelando uma grande oportunidade. “A presença de Abel é boa para todo mundo: ele enfrenta com prazer o desafio de aprender tecnologias novas e de conviver com pessoas bem mais jovens. E nós ganhamos com sua visão de mundo”, conta. 

E é isso que acontece quando se abre espaço para estagiários 50+, acredita Janete. “Ganhamos em humanidade, a experiência deles enriquece o ambiente e contribui para uma sociedade mais saudável, ativa e menos solitária.”

Talento não tem idade

Débora Cristina Nunes, coordenadora do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR) salienta que histórias como a do Sr. Abel mostram que nunca é tarde para aprender e contribuir. “Quando a sociedade valoriza a experiência, todos ganham. Estagiários mais experientes fortalecem as equipes, equilibram gerações e ampliam a maturidade das decisões. Essa troca intergeracional é valiosa e estratégica.”

De acordo com ela, o crescimento das vagas para estagiários 50+ demonstra que o mercado está mudando e que as empresas estão entendendo que diversidade etária é sinônimo de inovação e resultado. “Nosso papel no CIEE/PR é abrir portas para todas as idades. Queremos que o estágio seja um espaço de reconexão com o mundo do trabalho para quem decidiu recomeçar.”

E, para as empresas que ainda não consideraram essa possibilidade, é o próprio Abel quem avisa: “Um estagiário mais experiente sempre traz algo da vida real, uma vivência rica e que pode ajudar muito na formação das equipes”, finaliza.

Sobre o CIEE/PR


Há 58 anos, o Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR) atua para promover a integração da comunidade ao mercado de trabalho como agente transformador. Por meio de programas de estágios e aprendizagem, cursos de capacitação e cidadania e programas sociais, a instituição contribui para o desenvolvimento econômico e social do Estado. Junto com diversas entidades e empresas privadas, o CIEE/PR está presente nos 399 municípios do Paraná de forma física e online, e conta com 37 unidades físicas em cidades do Estado. Já recebeu cerca de 30 títulos de Utilidade Pública Municipal, possui dezenas de registros nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e também nos Conselhos Municipais de Assistência Social, condição essencial para cumprir o propósito de trabalhar para fortalecer o desenvolvimento humano e social. Ao longo de cinco décadas de atuação, o CIEE/PR contribuiu para a inserção e aperfeiçoamento técnico e profissional de mais de 1,8 milhão de beneficiados.

Redação

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