Conservados no óleo com peroba?

Conservados no óleo com peroba?

No Paraná e no Brasil, alguns políticos e líderes religiosos gostam de ocupar o palco como guardiões da moral. São rápidos para condenar desfile de escola de samba e transformar Carnaval em batalha ideológica. Mas quando o assunto envolve poder, governo, contratos públicos e investigações, o silêncio é ensurdecedor.

Sergio Moro costuma se apresentar como símbolo do combate à corrupção. Ricardo Arruda frequentemente usa as redes para atacar pautas culturais que considera inadequadas. Ambos são ágeis quando o tema é samba, esquerda ou costumes. Mas onde está a mesma firmeza quando surgem denúncias envolvendo escolas cívico militares no Paraná. Onde estão os vídeos indignados exigindo auditoria independente e responsabilização exemplar.

Quando aparecem questionamentos sobre contratos públicos, decisões do Tribunal de Contas, suspensão de licitações e suspeitas envolvendo empresas que negociam com o Estado, o tom muda. Quando surgem reportagens sobre investigações que alcançam estruturas próximas ao governo estadual, o discurso moral desaparece. Se a régua é ética, ela precisa valer para todos.

Ratinho Junior governa o Paraná sob o discurso de eficiência e modernidade. Guto Silva sempre foi apresentado como operador político estratégico. Ambos já estiveram no centro de debates e questionamentos administrativos que mereceriam cobrança pública firme de quem diz não tolerar qualquer sombra sobre dinheiro público. Mas não se vê o mesmo ímpeto de Sergio Moro ou Ricardo Arruda quando o alvo está dentro do próprio campo político.

A moral não pode funcionar por conveniência. Não é coerente tratar desfile de Carnaval como crise civilizatória enquanto temas como contratos milionários, decisões ignoradas de órgãos de controle e investigações do Ministério Público recebem silêncio constrangedor. Combate à corrupção não pode ser seletivo. Ética não pode ser partidária.

No campo religioso a incoerência também chama atenção. Silas Malafaia e Andre Valadão fazem discursos contundentes contra o que chamam de degradação moral do país. Criticam cultura, atacam artistas, condenam políticas públicas e mobilizam fiéis contra o que classificam como ameaça aos valores cristãos. Mas quando surgem polêmicas e investigações envolvendo lideranças religiosas, finanças de igrejas ou declarações que geram apuração do Ministério Público, a narrativa costuma ser de perseguição e vitimização. Se a exigência é moralidade pública, ela precisa começar dentro de casa.

Não se trata de acusar sem sentença judicial. Trata se de coerência. Quem quer ser referência moral precisa ter coragem para cobrar transparência de aliados, exigir explicações de governantes próximos e se posicionar diante de denúncias que não envolvam apenas adversários ideológicos.

O Paraná não precisa de moralistas de ocasião. Precisa de líderes que tenham a mesma energia para criticar samba e para fiscalizar contrato. A mesma indignação para condenar fantasia e para exigir explicações sobre dinheiro público. Fora disso, não é conservadorismo. É conveniência.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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