Família de Ratinho Junior está na lata de conserva ou se esconde atrás dela?
A denúncia revelada pela Folha de S.Paulo envolvendo o Tayayá Resort, empreendimento ligado à família do governador Ratinho Junior, abriu um debate que vai além de uma obra privada: trata-se de licenciamento ambiental, área de preservação permanente e possível conflito institucional.
Segundo a reportagem, a licença ambiental foi concedida em 2022 pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão do próprio governo estadual, autorizando intervenção às margens do Rio Paraná, inclusive em Área de Preservação Permanente (APP). O ponto mais sensível é que, inicialmente, não teria sido exigido Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), procedimento considerado básico em empreendimentos desse porte.
É importante frisar: construir um resort não é crime. A controvérsia gira em torno de construir em área protegida e da forma como o processo de licenciamento foi conduzido.
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Quem ingressou na Justiça foi o Ministério Público Federal. Após a ação judicial, o projeto foi alterado e a parte prevista dentro da área de preservação foi retirada. Outro ponto que gera questionamentos é o fato de que, quando a Justiça suspendeu a licença, o próprio Governo do Estado recorreu para defendê-la , mesmo sendo um investimento privado ligado à família do governador.
Deputado cobra explicações
O deputado estadual Goura (PDT) utilizou as redes sociais para cobrar uma resposta pública do governador Ratinho Junior. Goura questionou a ausência inicial de estudo de impacto ambiental e pediu esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo órgão ambiental estadual.
A cobrança reforça a necessidade de transparência em situações que envolvem interesse público, meio ambiente e possíveis vínculos familiares com o núcleo do poder estadual.
Perguntas que seguem no ar
- Por que não foi exigido Estudo de Impacto Ambiental desde o início?
- Com base em que critérios foi autorizada a intervenção em APP?
- Por que o governo recorreu judicialmente para defender a licença?
- O processo seguiu exatamente os mesmos parâmetros aplicados a qualquer outro empreendimento?
Quando há ligação entre um grande investimento e a família do chefe do Executivo, a exigência de clareza precisa ser ainda maior. Não se trata de ataque político, mas de prestação de contas.
O governador precisa se explicar. O Paraná precisa de respostas.


